Inepto ou bobalhão (se não for cúmplice)
Ao deixar ontem o Ministério da Integração Nacional para ser candidato a deputado federal pelo PSB do Ceará, Ciro Gomes forneceu o mote a ser usado pelo PT na próxima campanha: tal sempre foi "o compromisso ético intransigente" de Lula que ele não pensou duas vezes para demitir "o homem mais poderoso" do governo, Antônio Palocci. Antes demitira José Dirceu.
Balela!
Dirceu quis sair do governo várias vezes e Lula não deixou. Só deixou quando concluiu que precisava entregar uma cabeça para salvar a sua na esteira do escândalo do mensalão. Deu-se o mesmo no caso do escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa - e foi Palocci quem dançou mais bonitinho do que a deputada dançarina.
Está na VEJA deste fim de semana que ministros e senadores do PT souberam que algo de grave comprometeria o caseiro antes mesmo de a revista ÉPOCA divulgar em seu blog na noite da sexta-feira 17 que haviam sido depositados na conta de Francenildo R$ 25 mil de janeiro para cá. E que o próprio Lula soube antes que o dado seria publicado pela imprensa.
Não fosse a reação da mídia e da opinião pública, tudo teria ficado por isso mesmo. O governo ainda tentou salvar Palocci de todo jeito. Armou-se uma operação para convencer algum funcionário da Caixa Econômica a assumir a responsabilidade pelo crime de quebra do sigilo em troca da bagatela de R$ 1 milhão. Não deu certo. Não havia mais tempo.
Ao demitir Palocci à falta de outra saída, Lula ainda o chamou de "irmão" e foi carinhoso com ele.
Um presidente que elege a ética como a marca do seu governo não se comportaria assim. Ao constatar na noite da sexta-feira 17 que um crime fora cometido, chamaria seus principais auxiliares e exigiria o imediato esclarecimento dele. E como um raio afastaria depois os suspeitos. A Caixa pediu 15 dias para esclarecer o crime. Bastavam poucas horas.
Outra vez dirão os aliados de Lula que ele foi traído. A cúmplice, preferem que ele seja visto como um inepto - e teria sido antes inepto no episódio do mensalão. Pois bem: fiquemos com a teoria oficial de que temos um inepto na presidência da República. Ou o mais tolo e ingênuo dos governantes. Um inepto ou bobalhão que pretende governar o país por mais quatro anos.
Mesmo assim, mais uma vez enganado por seus homens de maior confiança, o inepto ou bobalhão poderia ter reagido com mais rapidez. Não reagiu porque imaginou que daria para acomodar as coisas e ficar bem com o "irmão" a quem tanto deve. Deve o bom senso que evitou aventuras na economia. Lá atrás, deve a captação de dinheiro para sua campanha vitoriosa.
Enviada por: Ricardo Noblat