Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, novembro 26, 2010

"BRASIL - DIVIDA INTERNA E DIVIDA EXTERNA."




"Leiam e observem a analise ponderada, muito bem explicada pelo Economista Waldir Serafim.SAIBA O QUE LULA FEZ DE 2002 A 2010 COM A "DIVIDA INTERNA /EXTERNA" DO BRASIL Você ouve falar em DÍVIDA EXTERNA e DÍVIDA INTERNA em jornais e TV e não entende direito vamos explicar a seguir:

"DIVIDA EXTERNA."
“É uma dívida com os Bancos,Mundial, o FMI e outras Instituições, no exterior em moeda externa.

"DIVIDA INTERNA."
"É uma dívida com Bancos em R$ (moeda nacional) no país.

Então, quando LULA assumiu o Brasil, em 2002, devíamos:

Dívida externa = 212 Bilhões
Dívida interna = 640 Bilhões
Total da Dívida = 851 Bilhões."


"Em 2007 Lula disse que tinha pago a dívida externa.

E é verdade, só que ele não explicou que, para pagar a dívida externa, ele aumentou a dívida interna:"

"Em 2007 no governo Lula:

Dívida Externa = 0 Bilhões
Dívida Interna = 1.400.000 Bilhões
Total da Dívida = 1.400.000 Bilhões

Ou seja, a Dívida Externa foi paga, mas a dívida interna quase dobrou."

"Agora, em 2010, você pode perceber que não se vê mais na TV e em jornais algo
dito que seja convincente sobre a Dívida Externa quitada."

"Sabe por que? "

"É que ela voltou..."
"Em 2010 no governo Lula:

Dívida Externa = 240 Bilhões de reais
Dívida Interna = 1.650.000 Bilhões de reais
Total da Dívida = 1.890.000 Bilhões de reais."

"Ou seja, no governo LULA, a dívida do Brasil aumentou em 1 Trilhão de reais!!! "

"Aumentando a divida é de onde vem o dinheiro que o Lula está gastando no PAC,
bolsa família, bolsa educação, bolsa faculdade, bolsa cultura, bolsa para presos, dentre
outras mais bolsas... e de onde tirou 30 milhões de brasileiros da pobreza, para eleger
a Dilma!!!"

"Não foi com dinheiro do crescimento, mas sim, com dinheiro de ENDIVIDAMENTO. "

"Compreenderam? Ou ainda acham que Lula é mágico? Ou que FHC deixou um caminhão
de dólares para Lula gastar? "

"Quer mais detalhes, sobre dívida interna e externa do Brasil? " "acesse o site: "

http://www.sonoticias.com.br/opiniao/2/100677/divida-interna-perigo-a-vista

"Os brasileiros, vão pagar muito caro pela atitude perdulária do governo Lulla, que não está
conseguindo pagar os juros dessa "Dívida trilhardária"

"Terão que engolir um "spread"(txa. juros) muito caro para refinanciar os "papagaios",
sem deixar nenhum benefício para o povo, mas apenas: DIVIDAS Á PAGAR. “Por todos os
brasileiros, que pagam seus impostos...!!! "

"A pergunta que não quer calar é: Dilma vai continuar esta gastança?"

"REPASSE PELO BEM DO PAÍS. " !!! ACORDA BRASIL !!!

Waldir Serafim.
Economista


"O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados
pelos que se interessam."

Arnold Toynbee

Um caminho suave para a reforma-Eduardo Graeff

O Estado de S. Paulo - 26/11/2010



Se eu pudesse tirar uma reforma política da cartola, trocaria o nosso sistema eleitoral proporcional por um sistema distrital majoritário, com um deputado por distrito. Se isso não for possível, minha segunda opção é manter o sistema proporcional, mas subdividindo os Estados em distritos eleitorais com quatro, cinco ou seis deputados cada um. Hoje o Estado inteiro é um distritão que elege um mínimo de oito e um máximo de 70 deputados.


Nos países que adotam o voto distrital, o eleitor pode não morrer de amores pela instituição do Parlamento. Assisti nos Estados Unidos a um filme de ficção científica, Independence Day. Quando um disco voador desintegrou o Capitólio, a plateia aplaudiu. Mas o eleitor americano em geral conhece e confia no deputado do seu distrito. A taxa de reeleição dos deputados lá é de 90% ou mais.

Uma plateia brasileira também gostaria de ver o prédio do Congresso Nacional virar fumaça. E o eleitor brasileiro, ao contrário do americano, dificilmente sentiria falta de algum deputado. A maioria nem sequer tem um deputado que possa chamar de seu. Em 2010, os 70 deputados federais eleitos por São Paulo somaram menos de 12 milhões de votos, de um total de 21 milhões de votos válidos e 30 milhões de eleitores. Pouco mais de um terço dos eleitores efetivamente elegeu um deputado. Os demais não votaram, anularam o voto ou votaram num candidato que não se elegeu. Como confiar em quem você não escolheu nem sabe quem é?

A recíproca é verdadeira: como um deputado pode representar bem as dezenas de milhares de eleitores desconhecidos, em grande parte espalhados pelo Estado? Não é por preguiça que os deputados voam de Brasília na quinta-feira à tarde e só reaparecem na terça-feira. Os outros quatro dias da semana eles passam correndo atrás desses eleitores evanescentes no seu Estado. Correria inútil, em larga medida. A taxa de reeleição dos deputados brasileiros gira em torno dos 50% - uma tremenda rotatividade que não se traduz em renovação nem melhora de qualidade da representação.

O sistema distrital também tem defeitos, mas tem esta grande virtude: dá uma âncora geográfica para a representação eleitoral e assim aproxima representantes e representados.

De quebra, ele resolveria outro grande problema: como nosso sistema proporcional é de "lista aberta", ou seja, é a votação individual que determina a ordem em que os candidatos ocuparão as vagas ganhas pelo partido, a eleição vira uma competição de vida ou morte entre candidatos do mesmo partido. Isso tende a encarecer cada vez mais as campanhas e a enfraquecer a fidelidade partidária, o que, por sua vez, obriga os governos a (re)negociar com deputado por deputado para terem maioria. E o eleitor, principalmente nos Estados maiores, fica como cego em tiroteio entre centenas de candidatos de uma dúzia de partidos.

Acontece que o sistema proporcional funciona continuamente no Brasil desde 1934. Bem ou mal, enraizou-se nas instituições e nos hábitos dos políticos e eleitores. Muitos deputados receiam, com ou sem razão, que trocá-lo por algo muito diferente dificulte ainda mais sua reeleição. Desconfio que poucos param realmente para pensar no assunto. Para complicar, o princípio do voto proporcional está na Constituição. Mudá-lo dependeria de uma emenda aprovada por três quintos dos deputados federais e senadores.

Uma mudança mais profunda do sistema eleitoral pode sair no tranco de uma crise política aguda, que não se deve esperar nem desejar. Sendo assim, é melhor pensar em alternativas de reforma que representem, como aquela velha cartilha de alfabetização, um "caminho suave", gradual e sem ruptura.

Minha segunda opção atende a esse requisito. Primeiro, porque contorna a barreira do quórum qualificado para aprovação de emenda constitucional. Subdividir os Estados em distritos com quatro a seis deputados, mantendo o princípio proporcional, pode ser feito por projeto de lei ordinária, aprovado por maioria simples.

Segundo, ela não afronta hábitos cristalizados dos políticos e eleitores. Nesta legislatura, o Senado aprovou e a Câmara quase referendou um projeto de voto proporcional em lista fechada, em que a colocação dos candidatos na lista seria predefinida pelo partido, e não pelo eleitor. Duvido que essa mudança fosse bem aceita pelos eleitores, acostumados a votar em pessoas, mais do que em partidos. Ainda haveria o risco de institucionalizar o "efeito Tiririca". Um, dois ou três puxadores de votos elegeriam a si mesmos e alguns ilustres desconhecidos estrategicamente colocados perto do topo da lista. Prato cheio para corrupção e/ou manipulação pelas direções partidárias. Não parece uma boa opção para aumentar a confiança nas instituições.

Menos impactante do que o voto distrital, a alternativa do voto proporcional em distritos com um número limitado de deputados faria diferença, ainda assim, para encurtar a distância e ancorar a confiança entre representantes e representados.

Para o eleitor, parece muito mais fácil conhecer os quatro, cinco ou seis deputados de seu distrito do que identificar algum entre os 70 deputados de São Paulo, 53 de Minas Gerais, 46 do Rio de Janeiro, e por aí vai.

Para o candidato, concorrer num distrito com outros três, quatro ou cinco do mesmo partido poderá não ser tão fácil, mas com certeza será muito mais barato do que se acotovelar com dezenas de candidatos atrás de voto por todo o Estado.

Claro que isso não é uma panaceia para todos os males da nossa política. Mas seria um primeiro passo importante no caminho da reforma. Passo que pode levar a outros, se não tropeçarmos na tentativa de fazer todas as mudanças de uma vez só.


Torço para que o começo da próxima legislatura dê mais uma chance a essa discussão.

No ar e na terra - Míriam Leitão

O Globo - 26/11/2010


Da janela do avião, o Rio aparece em toda a sua beleza. Nos últimos dois dias, entrei e saí do Rio duas vezes. Na terra, o clima está pesado, emergencial, não se vê a paisagem. O motorista que me levou ao aeroporto ontem errou o caminho porque dirigia mais atento ao que o secretário José Mariano Beltrame dizia no rádio. A passageira ao lado, antes da decolagem, faz uma ligação aflita.

- Já chegou? Graças a Deus. Mas cuidado, saia mais cedo, na hora que você sai é quando eles mais atacam - diz a passageira para alguém querido.



As pessoas amadas passaram os últimos dias no Rio se telefonando o dia inteiro, informando e pedindo localização. Querendo proteção divina e dando graças.



Ana, camareira na TV, mora em frente à Vila Cruzeiro. Sai normalmente de casa faltando quinze minutos para as cinco. Ontem, perdeu a hora:



- Foi tiro à noite inteira, esperei clarear para sair de casa.



O motorista que me busca cedo fala rápido com a mulher, enquanto entro no carro, às 5h50m:



- Está tudo bem, fique tranquila. Claro, vou continuar ligando.



A maquiadora divide a atenção entre o meu rosto e a televisão.



- Vi uma cena de um menininho correndo com uma mochila de escola. Chorei. Pensei no meu filho e pensei na mãe dessa criança que pode estar trabalhando como eu e vendo a cena do filho - me diz, se emocionando de novo.



Minha sobrinha, que acaba de chegar de Minas, avisa que está em Ipanema. Quarenta minutos depois, ela não havia chegado à Gávea, e aí sou eu a me preocupar. Outra sobrinha ligou. É jornalista. Avisa que está voltando da Penha, onde foi fazer uma reportagem. Me informa que está bem e avisa que se tiver plantão mandará o filho pequeno ficar na minha casa. Isso foi na quarta-feira. Ontem, o recado da sobrinha jornalista foi mais breve:



- Oi. Estou na Vila Cruzeiro. Estou bem. Não posso falar agora.



Na terça-feira, eu tinha um jantar. Foi só comentar que ouvi o recado costumeiro:



- Como? Você vai sair de casa? Dizem que vai ter confusão aí perto.



Fui. O taxista me recebe perguntando:



- Sabe da última? Tem um caminhão cheio de explosivo em algum lugar.



O jantar era de muitos amigos. Dois colegas subiram no elevador contando que a PUC tinha suspendido as aulas. Achavam meio exagero. Os paulistas chegavam no jantar olhando com cara de consternação para os moradores do Rio.



O motorista de taxi, que eu pego na volta, mal fala comigo. Ouvido grudado no rádio. Quando o noticiário muda de assunto, ele procura outra estação. Quer obsessivamente ouvir as mesmas notícias.



- Onde está havendo problemas? - Ele pergunta à central.



Ontem, no caminho ao aeroporto, Beltrame estava sendo entrevistado por Lúcia Hippolito, na CBN. O motorista vibrava com cada resposta dada pelo secretário:



- É isso mesmo. É isso mesmo!



Beltrame, com seu inequívoco sotaque gaúcho, fala que o Rio tem que ir até o fim, que não se pode recuar agora e que o governo do Rio sabe para onde está indo. O taxista aprova. Beltrame elogia a Marinha, que cedeu equipamentos e deu apoio operacional. O taxista aprova.



- Esse cara é bom, olhaí, esse cara é assim. Tem peito - aprova de novo o motorista e gosta ainda mais quando Beltrame diz que só se discute esse assunto da segurança no Rio nas crises, depois, o tema é esquecido.



Um torpedo, no sentido telefônico da palavra, chega ao meu celular avisando que minha sobrinha de Minas está voltando para casa: o workshop na Uerj, motivo que a trouxe ao Rio, está suspenso, pelo menos na quinta-feira.



Assim se vive estes dias na bela cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, jóia da coroa brasileira, porta de entrada e saída do Brasil, nosso cartão-postal. Assunto único, conversa dominante, rotinas subvertidas. Os diálogos podem começar de qualquer ponto, porque o interlocutor sempre sabe do que se fala. Só se fala disso. Boatos se misturam aos fatos e não há como separá-los porque os fatos parecem irreais. A menina de 14 anos em frente ao computador na sua casa leva um tiro no peito e morre. A economia conseguiu oferecer à família dela, mesmo morando numa área pobre da cidade, a possibilidade de ter um computador em casa, mas a segurança não protegeu sua vida.



Ontem, no ápice da tensão, as cenas da fuga de bandidos da Vila Cruzeiro para o mar de favelas que é o Alemão dá ao mesmo tempo medo e esperança. Vistos assim do alto, do helicóptero, eles são o que são: um grupo em desordem. A chance da vitória existe. Ao mesmo tempo, dói ver como alguns são tão jovens.





O Rio tenta se proteger da sequência dos fatos e vive dias de tensão e pânico, mas ninguém está exatamente surpreso. É uma aflição esperada: expulsos de favelas menores, perdendo território e dinheiro, o tráfico permanece encastelado nas grandes favelas, como o Complexo do Alemão e a Rocinha. Eles reagiriam, isso estava escrito nas estrelas.





Há as UPPs e o PAC. As UPPs entraram nas favelas tirando o tráfico de drogas, retomando territórios. O PAC pede licença. São obras de melhoria inclusive nas favelas ocupadas pelo tráfico. No Alemão, por exemplo, os trabalhadores passam entre bancas de cocaína e adolescentes armados. Quem já visitou o Complexo sabe que ele é uma gigantesca cidadela. Nada será fácil lá, como não será na Rocinha. Nada será fácil em toda essa longa tragédia do Rio. Mas era isso ou ficar de braços abertos para o inaceitável.



Visto de perto, o Rio é complexo. Mas só tem uma saída: ter a presença do Estado em todo o seu território. Do contrário, será uma bela paisagem para ser vista de longe.

Celso Ming Mais controle dos cartões

O Estado de S. Paulo - 26/11/2010



O Banco Central está assumindo maior controle sobre os cartões de crédito, um segmento que vinha escapando de sua supervisão. Nesta quinta-feira, obteve autorização para isso do Conselho Monetário Nacional (CMN), a instância que cuida desses assuntos.

Para entender o que está acontecendo é preciso levar em consideração que há uma parcela da conta dos cartões de crédito que não passa e não tem de passar pela fiscalização do Banco Central. É o negócio entre as administradoras dos cartões (que em geral são os bancos) e os titulares (clientes) ou, então, entre as administradoras e as lojas ou prestadores de serviços. Trata-se de uma operação puramente comercial que não envolve função específica de instituição financeira.

Em setembro, os cartões de crédito tiveram um movimento total de R$ 89,1 bilhões. A parcela correspondente a operações entre administradora e cliente foi de cerca de 68% ou R$ 60,6 bilhões.

Mas há um pedaço da conta total cobrada pelos cartões de crédito que em geral não é paga no vencimento. Em setembro ela era de 32% (ou de R$ 28,5 bilhões) e ficou pendurada para ser rolada e quitada nos meses seguintes.

Essa parcela se transforma automaticamente em crédito pelo banco que, por disposição contratual, mantém uma linha aberta para esses consumidores. É com ele que outro braço da administradora do cartão (o adquirente) vai fazer o repasse do pagamento para as lojas, postos de gasolina, supermercados, etc. É essa parte da conta que tem de ser objeto de fiscalização e supervisão do Banco Central, porque corresponde a operações de risco de crédito feitos pela rede bancária.

O problema é que até agora o Banco Central não vinha tendo controle total sobre esse crédito. Essa omissão é uma das explicações para o fato de ter sido surpreendido com o rombo do cartão de crédito do Banco Panamericano, da ordem de R$ 400 milhões.

O controle do crédito não é a única razão pela qual o Banco Central tem de se envolver mais profundamente com esse assunto. Os cartões de crédito vêm assumindo funções importantes nas relações econômicas que estão sob o guarda-chuva do Banco Central. Estão, por exemplo, substituindo meios de pagamento. Ou seja, as pessoas hoje precisam de cada vez menos dinheiro no bolso para as despesas do dia a dia: é o cartão de crédito sendo usado no lugar do dinheiro vivo. E, junto com os meios eletrônicos, eles estão aposentando o cheque e os custosos procedimentos diários de compensação interbancária.

As decisões anunciadas nesta quinta-feira aumentam gradativamente a parcela da conta do cartão que tem de ser paga à vista pelo consumidor. Com isso, o pedaço do crédito repassado para os bancos fica também progressivamente mais baixo.

O Banco Central tem dois objetivos. O primeiro deles é desestimular o endividamento familiar excessivo. O segundo é calibrar melhor essa fatia do crédito para o nível de risco assumido pelos bancos.

O Banco Central aproveitou a oportunidade para regular e uniformizar mais as tarifas cobradas pelos cartões. Por enquanto deu para ver que haverá mais transparência. Mas falta saber até que ponto as mudanças acabarão com o cartão armadilha, aquele que cobra juros tão altos que leva o consumidor a se endividar cada vez mais apenas para pagar a conta dos meses anteriores.

Você vê aí que os cartões de crédito são os campeões em juros.

Raposa no galinheiro. Para o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é a raposa tomando conta do galinheiro. Todo o mundo entendeu que, para Aubert Neto, Meirelles é um ex-banqueiro que manipulou a política de juros em favor dos banqueiros.

Duas opções. Ou essa é uma acusação grave, que deve ser provada. Ou é uma afirmação leviana de quem não gosta do sistema de metas. Nesse caso, seria melhor apresentar uma opção.

Merval Pereira - Capitão Nascimento

O Globo - 26/11/2010


Ontem foi dia de a realidade imitar a arte. Foi dia de torcer pelo Capitão Nascimento de Tropa de Elite, que todos nós vimos em ação, ao vivo e a cores, nas reportagens das emissoras de televisão. Que o personagem de Wagner Moura tenha se tornado o novo herói nacional é um sinal dos tempos, não necessariamente um bom sinal.


Ontem entraram em ação centenas de capitães Nascimento encarnados em cada um dos soldados do BOPE, que o personagem do filme de José Padilha se orgulha de ter transformado em "uma máquina de guerra".



E quando essa máquina de guerra conseguiu colocar em disparada várias dezenas de bandidos em fuga pela mata, em direção ao Morro do Alemão, houve comemoração do cidadão comum que assistia à TV Globo como se acompanhasse um filme de aventura em que os mocinhos eram os policiais.



Ou como se aquelas imagens em tempo real fizessem parte de um game em que o telespectador poderia interferir manejando os comandos.



Mas foi também dia de a população como um todo tomar consciência da gravidade da situação, que muitas vezes só é sentida na carne pelas comunidades mais carentes.



A ação de terrorismo distribuída por toda a cidade, que já vinha sendo revelada com os arrastões na Zona Sul nos últimos dias, evidenciou que essas facções criminosas continuam ativas e bem armadas, com capacidade de levar o pânico a qualquer ponto.



O ponto positivo foi ver a reação policial, que deu a sensação de ter sido bem coordenada e comandada com extrema cautela para não colocar em risco a população. E mesmo assim eficiente.



É claro que a realidade lá fora mostrava uma cidade apavorada, quase deserta, com as pessoas escondidas dentro de casa.



Nas localidades envolvidas diretamente na guerra, era possível ver vez por outra lençóis brancos sendo acenados em pedidos desesperados de paz, enquanto as ações de guerrilha continuavam na Vila Cruzeiro, que acabou sendo dominada pelas forças públicas.



Essa verdadeira operação de guerra que se desenvolveu durante todo o dia na região da Penha mostrou uma grande ofensiva policial feita por 150 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e 30 fuzileiros navais com rostos pintados, colocando várias dezenas de bandidos em fuga, permitindo que a polícia ocupasse o alto da Vila Cruzeiro, aonde não conseguiam chegar há anos.



E tudo mostrado ao vivo pelos helicópteros das televisões, que deixaram os telespectadores espantados com o poder de fogo dos bandidos, e a quantidade de pessoas envolvidas nessa guerra.



Foi um reality show em tempo real que, ao mesmo tempo em que colocou em cada um de nós um sentimento de horror com a constatação da dimensão do problema que a cidade enfrenta, deu-nos também a certeza de que é preciso apoiar a ação do governo, que não há mais volta nesse combate contra o tráfico de drogas.



O fato de que pela primeira vez no combate aos traficantes foram usados Urutus da Marinha de Guerra. É "histórico", como definiu o secretário de segurança José Mariano Beltrame, ao mesmo tempo em que todos ficamos espantados com a insinuação do secretário de que o Exército não parece disposto a colaborar.



A participação dos Urutus da Marinha e de Fuzileiros Navais na operação foi mais um elemento emocional positivo para a ação da polícia.



A cada barreira que um Urutu ultrapassava parecia uma vitória da sociedade sobre a bandidagem.



Mesmo que a Secretaria de Segurança não planejasse a ocupação da Vila Cruzeiro, ela se tornou inevitável depois que a TV Globo mostrou aquelas imagens, na quarta-feira, de bandidos chegando aos magotes de tudo quanto é lado, para se esconderem na favela que se transformou no bunker da direção da maior facção criminosa do Rio, que comanda as ações terroristas dos últimos dias.



A sensação dos especialistas é de que os policiais montaram uma operação dentro da lógica antiga de responder com uma ação direta no núcleo da bandidagem, para mostrar força, mas para entrar e sair da favela.



E a reação política da sociedade está mostrando que o avanço da polícia foi sentido de maneira tão positiva pela população que vale mais pelo lado intangível do sentimento de vitória do que propriamente pela ação em si.



As forças públicas não poderão sair tão cedo da Vila Cruzeiro, mesmo que não venha a ser instalada lá pelo momento uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), como chegou a ser anunciado.



Essas unidades pacificadoras estão se revelando um ativo político importantíssimo, com ampla aceitação pela população, mesmo que falte a essa política uma imprescindível ação de planejamento para combater as consequências da retirada dos bandidos dos territórios que dominavam.



Está se produzindo um fenômeno político que é a reação da sociedade de unidade em torno da ação do governo.



Se as forças públicas saírem da Vila Cruzeiro, ficará a sensação de que foram derrotados.



A reação dos bandidos de tocar o terror na cidade foi extremamente negativa para eles, por que conseguiram provocar uma grande unidade na sociedade, e não entenderam que em certas circunstâncias o Estado não pode recuar.



O sinal de que estão descontrolados foi o ataque até a uma ambulância, com doente dentro, que conseguiu sair antes que o veículo pegasse fogo.

Dora Kramer Agora é guerra

O Estado de S. Paulo - 26/11/2010


A situação por que passa a cidade do Rio de Janeiro, alvo de ataques terroristas do tráfico de drogas, já aconteceu outras vezes e aconteceu também em São Paulo há poucos anos.


Mas, desta vez, no Rio há algo de diferente no ambiente: nunca se viu tanta mobilização de recursos, tanta motivação por parte do aparelho de Estado, tanta confiança num desfecho positivo, tanta torcida no restante do País e tanto apoio da população e da imprensa ao trabalho da polícia.

Agora é a guerra instalada mesmo. Até então o que havia eram ações episódicas, com o Estado sendo derrotado permanentemente e, com isso, a crescente ameaça à segurança e à soberania nacionais.

O que mudou? Há o esgotamento geral com essa questão, mas há um dado novo: a maneira como as pessoas enxergam o poder público. Ou melhor, a forma como o poder público se mostrou à população nos últimos dois anos no que concerne ao trato da segurança pública na cidade brasileira onde o problema é mais agudo e mais difícil de ser enfrentado.

Pela primeira vez em 40 anos de um processo de ocupação gradativa de territórios pelo tráfico de drogas e de compadrio as autoridades e do sistema político, o governo do Estado resolveu agir com firmeza, começando pelo que estava ao seu alcance: a retomada paulatina desses territórios com o plano das Unidades de Polícia Pacificadora e o combate às milícias.

Para isso foi essencial a escolha de um profissional sério e que se fez respeitado junto à sociedade, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e, claro, uma relação de cooperação e confiança entre os governos estadual e federal.

Isso resolve? Não, mas contribui sobremaneira o fato de não se ter um comando comprometido com o crime (o ex-chefe da Polícia Civil Álvaro Lins está preso); de governos estadual e federal não perderem tempo com aquelas brigas que a todos enoja; a união (na prática) das Polícias Civil e Militar. Junto a isso, a existência de política de segurança, de ações de inteligência e de estratégia para reação.

Contribui também a concentração de traficantes em regiões ainda não ocupadas pelas UPPs, justamente porque foram expulsos daquelas áreas que já somam duas dezenas nas zonas sul, norte e oeste do Rio.

As unidades não foram concebidas para eliminar o tráfico de drogas. A ideia foi estabelecer como prioridade libertar as pessoas residentes dos territórios controlados do domínio do tráfico. Hoje são 150 mil os moradores beneficiados, mas o plano até 2014 é instalar 40 UPPs para alcançar 500 mil pessoas.

"Meu objetivo é tirar a arma pesada da mão do bandido que escraviza comunidades. Enquanto houver doentes haverá drogas. O que não é admissível é um sujeito com arma na mão determinar aonde uma pessoa vai ou deixa de ir", disse ele em entrevista há seis meses.


Nessa conversa, Beltrame explicou que o Rio é o lugar mais complexo em termos de criminalidade. "Aqui a polícia trabalha contra o crime na rua, contra três facções criminosas e ainda trabalha contra as milícias. Nos outros Estados não há essa diversidade".


O plano dele é ir tirando as condições de o tráfico trabalhar por causa da perda dos territórios. Na época, falava em "uma segunda etapa" que seria o cerco aos marginais abrigados em outros locais não ocupados pela polícia.


"Ou vamos prendê-los, ou vão fugir ou podem perder a vida num confronto", dizia.


Sobre tentativas de contra-ataques assegurava ter homens suficientes para pôr os bandidos "para correr". E por "correr" aí entenda-se até o extremo. "A polícia não quer matar, mas o Estado precisa se colocar porque para o bandido não existe Constituição, vale a lei deles e é contra isso que o País precisa se posicionar, entendendo que o Estado tem o monopólio da força".


Como se resolve o problema? "Com o envolvimento efetivo da União, dos Estados e municípios, de todos. Sem discussões sobre episódios, mas com uma ideologia de segurança, de muito investimento em estrutura, tecnologia, treinamento e principalmente capacidade de decisão".


Quer dizer, algo se moveu no Rio, mas a solução está longe de ser alcançada.

NELSON MOTTA A lógica dos raios

O Globo
Incrível, fantástico ou extraordinário? Apenas coisas da vida: no ano passado, 131 brasileiros morreram fulminados por raios em diversas regiões do país. É mais gente do que as vitimas de desastres aéreos no período, que têm muito mais chances de acontecer, por dependerem de fatores humanos e mecânicos, além dos meteorológicos. Os raios, não: desabam dos céus aleatoriamente para fulminar um ser humano inocente, de qualquer sexo, idade ou classe social, que estava no lugar errado, na hora errada.

Pelo número de mortos no Brasil, imagina-se quanta gente do mundo inteiro voltou ao pó por uma descarga de milhões de volts disparada dos céus. A vida é mesmo assim, está sempre por um fio, absolutamente fora de qualquer controle humano. E pode acabar num raio, ou num infarto, a qualquer momento. Até para o mais poderoso dos mortais.

Desde Zeus e Iansã, os raios são a simbologia ancestral do poder da divindade e representam a força do acaso, da fatalidade e do destino. Eles fulminam a onipotência humana e revelam a nossa fragilidade e desimportância. Além dos acidentes, das tragédias, das doenças terminais e aleatórias, das balas perdidas e das dores crônicas que, como raios, fulminam a existência de alguém, não existem dinheiro ou poder no mundo que resistam a um simples cálculo renal, um apêndice supurado ou a um dente com o nervo exposto.

É duro admitir, mas não há justiça na natureza, nem no cosmos, nem nos deuses. É melhor aceitar que o conceito de justiça é uma invenção humana, com suas imprecisões e precariedades, para possibilitar uma vida civilizada em comunidade.

Dizem que os raios não caem duas vezes no mesmo lugar, mas há controvérsias: pelo menos metaforicamente, a história vem desmentindo esta crença. Senão Sarney não teria sido tantas vezes presidente do Senado. Brizola não teria governado o Rio de Janeiro duas vezes. Rosinha não teria sucedido a Garotinho.

Poucos ainda usam a velha expressão de origem portuguesa "vá para o raio que o parta". Mas, se for usar, diante das estatísticas brasileiras, cuidado com os seus desejos, porque eles podem se realizar.

Cesar Maia EM ABRIL DE 2008 O BOPE ENTROU NA VILA CRUZEIRO E ATÉ HASTEOU BANDEIRA!

Ex-Blog do Cesar Maia

Cesar Maia

linha

EM ABRIL DE 2008 O BOPE ENTROU NA VILA CRUZEIRO E ATÉ HASTEOU BANDEIRA!
        
A Secretaria de Segurança do Estado do Rio só mostra insegurança ao tentar, com uma ação acompanhada pela TV na Vila Cruzeiro, mostrar que conseguiu entrar lá. Não é nem novidade. Em 21 de abril de 2008 toda a imprensa divulgou que o Bope entrou na Vila Cruzeiro, foi lá em cima, hasteou bandeira e disse que a Vila Cruzeiro agora era controlada pela polícia. Dois anos e meio depois, faz a mesma operação com cobertura de TV e tudo. Mostra apenas que precisa de fatos com forte exposição para mostrar que a situação está sob controle. Os bandidos -antes e agora- fugiram. Aliás, como fazem as guerrilhas quando o exército se aproxima. Nenhuma novidade.
        
Lembre-se dos fatos de abril de 2008.

                                                * * *

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O Dia e Veja multiplicam em muito a divulgação.
 
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                                                * * *

A ECONOMIA DO TRÁFICO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO!
            
Trechos do estudo de Sergio Guimarães Ferreira e Luciana Velloso, da subsecretaria estadual de fazenda - abril de 2009.
    
1. Estimativa de consumo anual.  Maconha 90 toneladas. Cocaína 8,8 toneladas. Crack 4,3 toneladas.
    
2. Faturamento anual do Tráfico (ajustando a subestimativa das pesquisas diretas): Maconha 108,1 milhões de reais \ Cocaína 423,2 milhões de reais. Crack 102,1 milhões de reais. Total: 633,4 milhões de reais.
    
3. Custo Anual Estimado: Pessoal 158,7 milhões de reais. Custo de compra das drogas 193,9 milhões de reais. Armas 24,8 milhões de reais. Perdas por apreensões 19,4 milhões de reais. Total 396,8 milhões de reais. Lucro operacional: 236,6 milhões de reais.
    
4. Quantidade de delinquentes envolvidos no tráfico: 16.387 pessoas (estimativa da Polícia Civil).
    
5. Conheça o trabalho completo.

Obs.: Ex-Blog apenas como referência, pois as situações variam muito. Supondo 1000 bocas de fumo em toda a cidade, o lucro seria de 236 mil por boca de fumo/ano ou quase 20 mil reais por mês. Se uma comunidade tiver várias bocas de fumo e o tráfico ali fosse centralizado, como Alemão, Rocinha, Jacarezinho..., a facção controladora ali teria um lucro de 20 mil reais x Y bocas de fumo por mês, em média.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Brazil in the Shadow of Lula

Do blog do NY Review of Books
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Clovis Heitor Tigre

show details Nov 22 (2 days ago)

Brazil in the Shadow of Lula

Lilia M. Schwarcz

Ricardo Stuckert/PR

Brazil's President Luiz Inacio Lula da Silva, left, kisses newly elected leader Dilma Rousseff at the Alvorada palace, Brasília, November 1, 2010

On October 31, a former bureaucrat named Dilma Rousseff became the first female president of Brazil after easily winning a runoff election with 56 percent of the vote. Yet this outcome—in which she defeated Jose Serra, the candidate of the Social Democratic Party—had very little to do with Rousseff’s appeal among the Brazilian public or any distinct political platform of her own. Instead, it reflected the overwhelming popularity of outgoing president Luís Inácio Lula da Silva, Rousseff’s “godfather” and mentor in the Worker’s Party (PT); no one disputes the fact that this was above all his victory. Thanks to his seductive rhetoric, his command of populist language and his personal charisma, Lula—who continues to have an 83 percent approval rating—is sometimes compared to saints and miracle-workers, who are becoming increasingly rare in Brazil. His ubiquitous presence was the one constant throughout Dilma’s campaign: smiling on TV, embracing her in billboard campaign ads, talking with her and sometimes for her in public events. What will this mean for the woman who must now attempt to govern in his shadow? What is the meaning of having a woman president in a country known for its patriarchal structure and system of power?

The Brazil that Dilma has inherited from Lula is, in some ways, remarkably successful. During the eight years of Lula’s presidency (and even before, during his predecessor Fernando Henrique’s administration), the country pursued moderate economic policies, while benefiting from large inflows of foreign investment and a boom in commodities. At the same time, policies aimed at relieving poverty, reducing inequality, and promoting social inclusion have been widely popular among the electorate. Yet, in other respects, it faces looming challenges, including rising inflation, lagging education reform, pervasive corruption, and a lack of infrastructure.

All of which raises the urgent question of just how the little-known Dilma will establish herself in power, and what direction she might take. Lula, through his long involvement in the political life of Brazil and his appeal among workers, was able to achieve an unusual following not just among poor people but also within a number of the country’s social movements such as Sem Terra (Landless Workers Movement), a strong social and political group that used to invade farms in the Brazilian countryside. His character, his story, and his charisma have been his greatest assets. But this very personal power was always a problem as well as an advantage. And the question in everyone’s mind during this transitional moment is: Can Dilma just inherit such power—can she became the “mother of the poor,” as Lula used to be called together with another very popular president and leader, Getúlio Vargas (1951–54)? This is, in fact, a very old story. As historian Sérgio Buarque de Holanda wrote in his classic book Raizes do Brasil (The Roots of Brazil), in a country that lacks strong institutions, people put their trust in their leaders. That is why Lula could stay very strong, even after some of his close political associates lost their positions in an embarrassing corruption scandal.

No one really knows who Dilma is and what her own political views are. An economist who grew up in the southeast of Brazil, Dilma Rousseff has spent much of her career in government, but only in various unelected positions culminating in her becoming Lula’s chief of staff in 2005. The popular vote in her favor plainly rewarded the Worker’s Party’s policies under Lula; it was no accident that Dilma’s advantage was greater among voters with only basic education levels, people who earn only twice the minimum wage, and who come from the poorer regions of Northeast Brazil, where a good part of the “Bolsa Família” (Family Allowance) welfare program, introduced by the Lula government in 2003, is distributed. It gives poor families a stipend on the condition they keep their kids in school and have them vaccinated, and has had enormous impact on poorer areas.

In contrast, her opponent, José Serra, was dominant in big cities and was backed by the affluent, the urban population, and most of the educated classes. But the situation is not entirely black and white. Lula and Dilma, for example, were able to get the backing of people in the financial sector who seek a continuation of Lula’s moderate economic policies. On the other hand, these same bankers are very much against what they regard as “populist” measures such as the Bolsa Família.

In a country widely known for its dramatic social inequities, however, fighting poverty and creating education programs for poor children remain very worthy—and popular —goals. Its no coincidence that since the election, Dilma has emphasized that her main priorities include extending Lula’s welfare programs and securing a minimum wage hike. In fact, Dilma’s views and policies seem nearly indistinguishable from Lula’s, and the effort to give her a political identity of her own—transforming her into a woman who is supposed to have strong family values and solid leadership experience—has not been entirely successful.

For example, Dilma tried to change her image among women voters, who had not swung behind her. In the midst of the campaign she stopped for a photography session with her grandson on the day he was born. But inviting additional attention to her personal life and biography also backfired: she would come to regret her claim to have a (non-existent) masters degree or a doctorate from the University of Campinas and her involvement in militant socialist groups and subversive activities during the years of the military dictatorship. As a result of those activities she spent three years in jail (1970–72), an experience her handlers tried to keep in the shadows by denying access to the documents, kept in public archives, relating to those years.

Dilma, who is quite secular, also made awkward attempts to court the Catholic and Evangelical votes—in a country that after the United States has the world’s largest population of Christians. Although her campaign had begun with a declaration in support of legalizing abortion (a way of presenting herself as a modern person engaged in important social issues), by the end it had become a carnival of deplorable demonstrations of religious fervor. At one point, she was even photographed during Mass making a clumsy and belated sign of the cross. (Worse still, three days before the election, Pope Benedict XVI informed the Brazilian clergy that they had “a duty to give a moral judgment, even in politics, when the fundamental rights of the person or the salvation of souls is at stake.” Ratzinger was referring to the abortion question and was implicitly endorsing the rival candidate, Serra, who declared—for political reasons—he was against the legalization of abortion despite being quite secular himself.) As a result, we Brazilians lost an opportunity to debate democracy rather than religion.

In addition to his constant involvement in her campaign, Lula also stepped in forcefully to protect Dilma when several of her advisors were implicated in corruption scandals. The most important involved Erenice Guerra, a close friend of Dilma’s, who succeeded her as Lula’s Chief of Staff when Dilma began her campaign earlier this year: Guerra was forced to resign after a magazine alleged her involvement in a kickback scheme for public works contracts that was run by her son. Lula was there, like a warrior, dealing with the opposition and acting the same way: this is not “our problem” it is “their” problem. Some commentators argue that Dilma’s ability to stay unscathed was even more important than the religious debate, accounting for her comfortable margin of victory in the second round election.

Lula aside, in the end, neither of the two finalists managed to excite the electorate. Indeed, for a country where voting is compulsory, the number of invalid or blank votes, as well as the high number of abstentions (a voter is permitted an abstention if he or she was travelling or out of the country) totalled 28 percent of the electorate. This, in many ways, seems to have been a protest against the kind of campaign Brazilians experienced in 2010. The larger question, though, is whether Dilma will have any more success in defining herself independent of Lula once she is in office.

Opinions are divided over this. Many analysts believe Dilma will continue to act in Lula’s shadow and will be under his tutelage. If this is the case, the ex-president will remain in the headlines and can return for the 2012 elections—because in Brazil, one can run for a third term, if non-consecutive—which would allow him to preside over the 2016 Olympic Games on Brazilian soil. Others, though, expect that the contradictions of this power-sharing arrangement will soon emerge. After a necessary quarantine period that could help establish her own control of the situation, Dilma may well wield power more fully. If she succeeds in doing so, there are concerns about her capacity to deal with international markets, keep down inflation, and retain moderate economic policies. It is also possible that, without Lula, social movements, such as the Landless Workers Movement, might become stronger and turn against the government. Even the opposition could become more organized and forceful if Dilma fails to show the same caliber of leadership that Lula had.

This is a remote possibility however, at least for the immediate future. Dilma is known as a technocrat, very efficient in her areas of expertise such as energy policy and public finance. But until now, she has yet to demonstrate she can achieve the popularity and the control Lula exercises both within and outside the Worker’s Party: she doesn’t even have her own base of supporters, having never run for office until now. It is more logical for her to find herself sharing power and continuing to submit to the demands of the former president, who has showed no qualms about making requests, issuing directives, or speaking in her name (and place).

According to a Brazilian proverb, “the future belongs only to God”; but in this case it might be better to use the maxim followed by Counsellor Ayres, a character in the novels of the great writer Machado de Assis (1839–1908). He always said that, “things are only foreseeable once they have happened.”

November 19, 2010 2:25 p.m.

terça-feira, novembro 23, 2010

Se não entender o recado de milhões de eleitores nem ouvir a advertência de FHC, a oposição oficial vai morrer de medo

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/se-nao-entender-o-recado-de-milhoes-de-eleitores-nem-ouvir-a-advertencia-de-fhc-a-oposicao-oficial-vai-morrer-de-medo/

A iminente troca de gerente não afetou a produtividade da usina de escândalos, safadezas e espantos em geral instalada há oito anos no coração do poder.

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POR QUE OS ARRASTÕES CRESCERAM TANTO NO RIO!

Ex Blog Cesar Maia

Repetição da nota deste Ex-Blog do dia 17/11/2010 a pedidos.

1. Em dezembro de 2006, o governador eleito pediu que a Prefeitura do Rio assumisse o trânsito com a Guarda Municipal e substituísse a PM, de forma a liberar PMs. O prefeito lembrou duas coisas: a) que a GM não tinha efetivo para isso. b) Que grandes cidades como Nova York tinham feito caminho inverso, ou seja, o trânsito foi transferido para a polícia.

2. A GM assumiu o trânsito do Centro e, depois de muita insistência, da alta zona sul. Mas desde o ano passado a PM foi saindo do trânsito e hoje é uma raridade encontrar um PM no trânsito da capital. A prefeitura terceirizou parte do serviço com um pessoal com a marca da CET-RIO que sequer tem poder para multar por não serem servidores nem da administração direta nem indireta.

3. Anos atrás, quando o anterior prefeito visitava o sistema de segurança de Nova York, perguntou a razão do trânsito ter sido assumido pela polícia. A resposta foi pronta: a polícia no trânsito é polícia na rua. Um assalto em loja, residência ou mesmo na rua, ou a captura de um delinquente, a polícia no trânsito recebe ordem por rádio e bloqueia a área que se fizer necessária. E sempre que desconfia de movimentação, informa por rádio ao policiamento ostensivo da área.

4. A polícia no trânsito reduz a mobilidade dos bandidos, amplia o risco deles em "street crimes" e afunila seus pontos de fuga, por qualquer razão. O que fez o governador e seu secretário de segurança, ao retirar a polícia do trânsito, foi dar flexibilidade e mobilidade ao crime nas ruas, e especialmente aquele que usa carros para assaltar e para fugir, ou seja, os arrastões, que já têm frequência de um por dia nas últimas semanas.

5. Se a polícia não retornar ao trânsito, os arrastões, crimes na rua, e agora carros queimados, só vão aumentar. O que ocorre, portanto, é de responsabilidade –digamos, técnica- total do governador e seu secretário de segurança, que na ânsia de ter mais PMs disponíveis, perderam o controle das ruas.

sexta-feira, novembro 19, 2010

Nelson Motta - Ilusões democráticas

O Estado de S.Paulo
Quando ouço falar em reforma política, financiamento público de campanhas, voto em lista e fortalecimento dos partidos, me lembro de 1983, nos estertores da ditadura brasileira, quando fui morar na Itália. E me maravilhei com o que me pareceu um quadro partidário ideal em uma democracia plena, que para nós ainda era um sonho distante.

Os partidos pareciam representar fielmente todo o espectro político da sociedade, com a conservadora Democracia Cristã, o Partido Socialista, de centro-esquerda, o respeitado Partido Comunista, de Enrico Berlinguer, e nos extremos, a direita nacionalista do Movimento Social Italiano, e o Partido Radical, de Marco Panella, pelo "liberou geral".

Funcionava tão bem, com alternância no poder, eleições democráticas e respeito às minorias, que o país havia se tornado uma "partitocracia", reclamava um amigo romano. O mastodôntico Estado italiano, com sua vasta burocracia e inúmeras estatais, era totalmente aparelhado pelos partidos, de acordo com sua representação no governo. O melhor, ou pior exemplo, eram as três redes da TV estatal: a RAI 1, a mais rica e importante, era entregue de porteira fechada ao partido no poder. A RAI 2 se tornava um feudo dos aliados, e a RAI 3, com orçamento menor, era dada à oposição. Cada uma tinha seus telejornais, com as suas versões e opiniões, e sua programação privilegiando companheiros, afilhados e aliados. Todos ficavam felizes, menos os italianos, que pagavam a conta.

Anos depois, a Operação Mãos Limpas tirava da cena política e botava nas páginas de policia muita gente de todos os partidos. E o quadro partidário se decompôs e foi se deteriorando até chegar a Berlusconi, que tem o seu próprio partido, sua própria rede de televisão e seu próprio time de futebol. E pior: não há alternativas à vista para ele.

É o que me diz, desalentado, um amigo italiano, confessando a sua inveja da nossa democracia, de nossa estabilidade política e crescimento econômico.

Se ele soubesse quantos são e o que são os nossos partidos, de quem são e que interesses representam, teria saudades da "partitocracia" italiana dos anos 80.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Vendemos comida. E daí?: Carlos Alberto Sardenberg

O Globo - 18/11/2010


Cruzamento de melancia com abóbora, dá o quê? Dá melancia, mas de um
tipo mais resistente. Mas se você estiver interessado em plantar essas
melancias, não precisa se preocupar com isso. A variedade já está
disponível no mercado, mais exatamente em Nehalim, Israel, no centro
de produção da companhia Hishtil.

Agricultura contemporânea é isso. Pura pesquisa e tecnologia. Deixa-se
quase nada por conta da natureza. Aquela companhia israelense, por
exemplo, não produz sementes, nem grandes plantações. Compra as
sementes e as cultiva em áreas que são quase um laboratório, com tudo
controlado (a terra, quantidade de água, nutrientes, tempo de
exposição ao sol e, claro, os enxertos). Ao cabo de algumas semanas -
prazos fixos, conforme a variedade - a produção está "pronta".

São mudas em, digamos, montinhos de terra, uma a uma. O cliente leva
aquilo e planta em suas terras.

Nada fica ao acaso. É produção padronizada, planejada e controlada
pelos computadores, sobencomenda e com data certa de entrega. Como se
fosse uma produção industrial.

E eis por que estamos falando disso. Muita gente no Brasil está
incomodada com a grande expansão do agronegócio nacional, também um
prodígio da pesquisa e da inovação tecnológica. A exportação de
alimentos, em extraordinária expansão, mudou a estrutura das contas
externas brasileiras, ao trazer bilhões de dólares que foram parar, em
grande parte, nas reservas do Banco Central. De eterno devedor, o
setor público brasileiro passou a credor em dólares - circunstância
que permitiu passar pela crise financeira global.

O crescimento do agronegócio foi de tal ordem que reduziu o peso
relativo da indústria tradicional no comércio externo brasileiro.
Mesmo com o real valorizado, mesmo com o elevado custo Brasil, os
produtos agrícolas brasileiros foram competitivos e ganharam mercados
globais.

Mas é isso que a gente vai ser, vendedor de alimentos? - tal é o
incômodo. Essa bronca vem deideologia do passado. A velha teoria dizia
que os países subdesenvolvidos só ficariam ricos com a
industrialização, pois produtos agrícolas e minérios, as commodities,
ficariam cada vez mais baratos, por serem, digamos, banais, fáceis de
fazer e de extrair. Em compensação, os preços de manufaturas, com toda
sua tecnologia e valor agregado, ficariam cada vez mais altos.

Aconteceu o contrário. As manufaturas - as básicas, geladeira, fogão,
televisores, carros - ficaram cada vez mais baratas, em grande parte
por causa da inundação de produtos chineses. Além disso, ficou fácil
fazer: qualquer um monta um computador. O valor se deslocou para a
ideia, a criação, o design, o marketing.

Olhem na parte de trás de um iPhone. Está escrito: Desenhado pela
Apple na Califórnia - montado na China. Desagregue-se o preço do
celular e se verificará que a maior parte do dinheiro fica na
Califórnia.

No outro lado de nossa história, os alimentos ficaram cada vez mais
caros, por causa da demanda crescente dos emergentes, em especial de
China e Índia. Reparem: nos países já ricos, ganhos derenda adicionais
não levam a um aumento no consumo de alimentos. Simples: as pessoas já
comem o suficiente, até demais.

Considerem a China: a renda per capita vai de mil dólares para oito
mil - e aumenta o consumo decarne, leite, chocolate, biscoito, arroz.

Preços de alimentos em alta estimularam o plantio e, especialmente, os
investimentos em tecnologia para que se pudesse retirar mais produto
das mesmas terras ou de terras até então improdutivas. Como foi o caso
de cerrado brasileiro, onde não crescia nada e de onde hoje sai a soja
que domina mercados mundiais. Pode-se dizer que a soja de lá e o
próprio terreno foram "inventados" pelaEmbrapa.

Todos os cenários indicam que o mundo emergente continuará em
expansão, de modo que a demanda por alimentos será crescente.
Considerando os limites de espaço e as restrições ambientais, só
haverá uma saída para alimentar o mundo: tecnologias, inovação,
ciência e pesquisa.

Ora, como Israel, o Brasil já dispõe de tecnologia e tem conhecimento
e capacidade para continuar inovando, se o pessoal do ramo não for
bloqueado por ideologias velhas. E, ao contrário de Israel, o Brasil
tem abundância de recursos naturais. Ou seja, podemos inventar a
melancia (ou a soja) eplantar milhões, para o mundo.

Resumo da ópera: o país precisa entender que produzir alimentos será
simplesmente lucrativo eestratégico. Não podemos atrapalhar o
agronegócio.

(OK, fazemos o hedge: claro que todas as ressalvas ambientais precisam
ser respeitadas, mas é preciso buscar soluções que combinem a
preservação e a restauração com uma sólida produção dealimentos).

Isso não quer dizer que dispensamos a indústria, a manufatura. Há um
argumento essencial: o país,em algumas décadas, terá 150 milhões de
trabalhadores. Será preciso arranjar emprego para todaessa gente, o
que será impossível sem uma indústria desenvolvida.

Mas também aqui precisamos entender qual a indústria do século 21 (uma
delas será certamenteaquela ligada a alimentos, no que o Brasil pode
ter boa posição). Se a escolha for, por exemplo, por montar iPhones,
estaremos de novo no lado fraco, sem valor. É por isso que a China
coloca muito dinheiro em compra de terras e pesquisa de alimentos,
energia renovável (no que o Brasil também pode ser campeão) e novos
produtos industriais.

sábado, novembro 13, 2010

Merval Pereira - Democracia virtual

O Globo

As iniciativas do poder público na construção de espaços virtuais ainda são reduzidas no Brasil e deixam o país na 55ª. posição no ranking mundial dos governo eletrônicos, junto com Índia e China, atrás de Argentina (44), México (39), Chile (18), Colômbia (9).

Os países no topo do ranking são: Coréia do Sul, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Países Baixos.

A Macroplan, empresa de consultoria especializada em análises prospectivas, fez um levantamento inédito em parceria com pesquisadores do Instituto Universitário Europeu (Florença, Itália), sobre democracia eletrônica publicado pelo Centro Global de Tecnologia da Informação e Comunicação em Parlamentos, das Nações Unidas. O economista Gustavo Morelli e o cientista político Tobias Albuquerque, da Macroplan foram os representantes da empresa brasileira.

O estudo avaliou 92 sites de casas legislativas em países de sistema federativo (Brasil, Espanha e Estados Unidos), assim como 30 espaços virtuais de informação e deliberação que têm o potencial de tornar o processo político mais participativo, transparente e legítimo.

A pesquisa, que teve o objetivo de servir de referencial para políticas de inovação em matéria de democracia eletrônica aqui no Brasil, encomendada à Macroplan pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais, revelou que – quando bem empregadas - as tecnologias da informação e comunicação estão contribuindo, e muito, para aumentar a transparência do processo político, abrindo espaços novos de informação e deliberação e, principalmente, consolidando a democracia.

A nova e grande oferta de possibilidades tecnológicas está revolucionando as antigas práticas de comunicação não apenas nas empresas, que tem utilizado as novas configurações para melhorar os seus negócios, mas também na esfera do governo, com impactos diretos na forma de se fazer política, principalmente nos parlamentos.

As melhores práticas na categoria transparência da ação parlamentar foram desenvolvidas nos Estados Unidos - Open Congress, Capitol Words for you e Open legislation e, no Reino Unido, They work for us e BBC Democracy Live .

Na categoria interatividade e participação, o site da Câmara dos Deputados do Brasil (e-democracia) é citado como um dos destaques, ao lado do inglês No. 10 e-petitions e TID +,da Estônia.

O estudo, contudo, aponta que o Brasil ainda tem um longo caminho pela frente na construção da democracia eletrônica e não traz as melhores noticias para o país.

Por aqui, ainda há poucos exemplos do melhor aproveitamento das novas tecnologias no ambiente público.

No Brasil, ressalta o estudo, as iniciativas no âmbito do Executivo ainda se restringem à publicação de dados para fins de controle e acompanhamento dos gastos públicos.

Segundo o estudo da Macroplan, o problema no Brasil é mais acentuado nas casas legislativas, justamente onde deveria haver mais transparência e interação.

Os níveis de confiança do cidadão e sua disposição em participar de iniciativas levadas a cabo pelo Legislativo ainda são bastante baixos.

Além de expor o reduzido número de iniciativas no poder Legislativo que servem como exemplo de participação e transparência, o estudo sublinha um fato que se pode observar na maioria dos parlamentos estaduais e municipais brasileiros: o fornecimento de informações de utilidade questionável em seus sites.

Chamou a atenção na pesquisa voltada aos parlamentos brasileiros a ausência de informação sobre como a contribuição do cidadão é processada, quais são os destinatários finais das proposições e de informações relativas à situação orçamentária estadual e ao processo de elaboração orçamentária em si.

Há casos extremos de total ausência de informações sobre a atividade legislativa.

Outro problema recorrente é a falta de reatividade dos políticos. O estudo constatou que um grande número de contatos on-line realizados por cidadãos com deputados e seus respectivos gabinetes permanecem sem resposta ou são respondidos de maneira genérica.

Existe uma tendência global de universalização das tecnologias de informação e comunicação. No Brasil, por exemplo, o número de usuários de Internet passou de pouco mais de 5 milhões, em 2000, para 75 milhões, em 2010.

A população mundial, em breve, passará a ter 20% de penetração de banda larga. Com as novas tecnologias, os princípios da transparência, participação e abertura estão cada vez mais próximos da realidade social e política.

Os governos terão que lidar com a interferência direta de redes organizadas, redes que, por sua vez, irão facilitar a ação coletiva em busca de soluções para problemas comuns.

As redes de comunicação atuais fazem com que a participação esteja ao alcance de cada cidadão e não apenas da chamada sociedade organizada, que muitas vezes se forma em torno de grupos de interesse na defesa corporativa de posições de segmentos, em detrimento do coletivo.

Estamos diante de uma possibilidade concreta de aumentar o papel da sociedade na formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas, ressalta o estudo.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Perdas e danos NELSON MOTTA

O Globo

Há alguns anos, um personagem secundário da Jovem Guarda me processou por ter sido citado em meu livro "Noites tropicais" como envolvido, junto com outros artistas, em um escândalo com fãs di menor em 1965.

Sem me ouvir nem ler o livro, o juiz lhe deu ganho de causa e arbitrou uma indenização que levaria à falência a Editora Objetiva, uma das maiores do país. Foi marcado novo julgamento para que o acusado fosse ouvido.

Com os advogados da editora, apresentamos como provas inúmeHá alguns anos, um personagem secundário da Jovem Guarda me processou por ter sido citado em meu livro "Noites tropicais" como envolvido, junto com outros artistas, em um escândalo com fãs di menor em 1965.

Sem me ouvir nem ler o livro, o juiz lhe deu ganho de causa e arbitrou uma indenização que levaria à falência a Editora Objetiva, uma das maiores do país. Foi marcado novo julgamento para que o acusado fosse ouvido.

Com os advogados da editora, apresentamos como provas inúme-Surpresa: o meritíssimo manteve sua sentença, argumentando que, mesmo sendo verdadeiro e provado o fato, a história de cada um pertence a cada um, exclusivamente, e, mesmo sendo verdade pública o que ele fez ou não fez, só ele tem direito de contá-lo em um livro. Ponto final.

Seria o fim da história. Todas as biografias deveriam ser escritas ou autorizadas pelos biografados, os crimes de Fernandinho Beira-Mar só poderiam ser contados por ele, ou com sua concordância. Seria só obtusidade judicial ? Ou pior: seria uma aplicação do tal "direito achado na rua", em que as leis — supostamente feitas pelas classes dominantes — podem ser ignoradas pelo magistrado em favor dos "oprimidos"? Recorremos ao tribunal superior, ganhamos por 3 a 0 e a sentença absurda foi anulada. Mas é inquietante que em todo o país estejam ocorrendo descalabros semelhantes, provocados por visões voluntaristas e esquerdoides da Justiça. O pior é que eles pensam que estão sendo corretos.

Poucas forças podem causar tantos danos como a burrice bem intencionada no poder.

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