Entrevista:O Estado inteligente
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quinta-feira, julho 02, 2009
HONDURAS DERROTA O CHAVISMO APESAR DE BARACK HUSSEIN, NÃO POR CAUSA DELE
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BLOG REINALDO AZEVEDOquarta-feira, julho 01, 2009
AUGUSTO NUNES Collor é o mesmo do século passado. O Brasil é que mudou para pior
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Quase 20 anos depois de instalar no Palácio do Planalto um Fernando Collor de mentira, quase 17 depois de livrar-se do Fernando Collor de verdade, o país vai engolindo sem engasgos o único chefe de governo expelido por um impeachment. Os brasileiros que votaram em 1989 no candidato a presidente fantasiado de caçador de marajás podem alegar que não sabiam o que estavam fazendo. Os alagoanos que votaram no candidato a senador em 2008 e pretendem recolocá-lo no governo do Estado em 2010 sabem perfeitamente o que fazem. Quem gosta da ideia de reprisar o pesadelo é um caso clínico. Quem assiste passivamente ao seu recomeço merece experimentá-lo de novo.
No restante do mundo, a História se repete como farsa. Num Brasil que se sente mais feliz de cócoras e aprecia o avesso das coisas, a farsa se repete como farsa e a História faz de conta que é outra história. O modelo Senador é o modelo Presidente com o teto pintado de preto. Um Collor é um Collor, informaram o tom arrogante e o conteúdo afrontoso do discurso de estréia no Senado. Nunca muda em sua essência, reafirmaram neste junho anotações mais recentes no livro de ocorrências da Casa da Dinda.
Ali foram localizadas, no século passado, provas materiais de algumas das incontáveis delinquências promovidas por Paulo César Farias com o aval do chefe. Por exemplo, o Fiat Elba que PC incorporou à frota presidencial depois de adquiri-lo com um cheque de uma conta-fantasma ─ expediente reprisado pelo tesoureiro do reino para bancar a repaginação dos jardins de babilônia sertaneja. E ali foram encontradas, agora, evidências de que um Collor só muda de idade.
O senador financiou a montagem do esquema de segurança da Casa da Dinda com a a verba indenizatória de R$ 15 mil, destinada exclusivamente a atividades parlamentares. E é esse dinheiro que vem garantindo a comida dos empregados da propriedade particular que o patrão só frequenta nos fins de semana. E daí?, deu de ombros o sessentão reincidente. Se depois do muito que fez na Presidência foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, não há por que se preocupar com o que anda fazendo. É o que todo mundo no Senado faz.
No discurso em que posou de vítima inocente de uma trama política, o pecador sem remorsos disse que as coisas tomariam outro rumo se tivesse sido mais generoso com aliados e inimigos. Em 1992, sacos de bondade talvez fossem insuficientes para evitar o impeachment. Ainda existia oposição, o PT atirava antes e perguntava depois, valores permanentes não haviam sido revogados. Hoje, Collor certamente escaparia do castigo se soubesse trocar favores. Não é difícil fazer negócio com a turma da base alugada. Nem com as messalinas com himen complacente que se disfarçaram de vestais até o escândalo do mensalão.
Derrubado em 1945, Getúlio Vargas foi eleito, meses depois, senador por dois Estados e deputado federal por sete. Apareceu quatro ou cinco vezes no Congresso, constatou que seria alvejado por ataques diários e, sem ter subido à tribuna, retirou-se para São Borja. Collor reapareceu no Senado com cara de coroinha injuriado e acusou o Congresso de golpista. Ganhou de presente a presidência da comissão incumbida de monitorar o PAC, virou destaque do cortejo governista e hoje é sócio remido do clube dos amigos do cara. Convidado pelo inimigo que qualificava de "analfabeto", visitou no Palácio do Planalto o presidente que o qualificava de "safado" quando líder do PT. Trocaram apertos de mão, sorrisos, afagos e elogios.
Os políticos brasileiros já não enxergam diferenças entre o convívio dos contrários e a promiscuidade malandra. Não distinguem a crítica áspera do insulto imperdoável, ou o ataque que fere da infâmia que exige a ruptura. Só quem perdeu a vergonha consegue achar na meia idade amigos de infância que nunca viu. Só quem demitiu o sentimento da honra celebra alianças tão indecorosas quanto acasalamentos em clubes de swing.
Collor continua o mesmo. O que mudou para pior foi a paisagem política. O Brasil, cada vez mais, lembra uma grande Casa da Dinda
Neney, me espera que eu to chegando, cumpanhêro
Blog Prosa & Politica Lula pediu a Sarney que não tome nenhuma decisão de se afastar ou não da presidência do senado, sem antes conversar com ele. O interlocutor foi o senador Luiz Octávio (PMDB). Não sei o que me surpreendeu mais, se a mensagem ou o mensageiro. Mas... Lula está em uma viagem de intercâmbio cultural na Líbia. Depois de conversar com Kadafi, Omar Al Bashir e Ahmadinejad, Lula deve voltar cheio de idéias para dar ao amigo Sarney. | |
Editado por Adriana Vandoni | |
DORA KRAMER Pior é impossível
O ESTADO DE S PAULO
Se o senador José Sarney não resistir à gradativa perda de apoio no Senado, será o quarto presidente da Casa a sair de cena por conduta imprópria no período de oito anos. Se resistir, ainda assim continua integrando a estatística na condição de quarto presidente do Senado a ter sua conduta questionada publicamente em oito anos. Na média, o Senado produz um escândalo a cada dois anos com o presidente no papel de protagonista.
Não houvesse outro motivo, só os números já indicariam a necessidade de uma revisão urgente de procedimentos no Parlamento, mas também no Poder Executivo. Se a promíscua lógica de compra e venda que preside a relação do Congresso com os governantes não mudar, não adiantam cassações, renúncias, sindicâncias, demissões, reformas administrativas, porque a dinâmica do funcionamento será a mesma: o Legislativo ajoelhado diante do Executivo e ambos de costas para a sociedade.
Enquanto não se restabelecer a relação correta de hierarquia no sistema representativo, as maiorias parlamentares continuarão a considerar mais importante obedecer ao governo que lhes assegura benesses que se submeter aos ditames dos eleitores que lhes proporcionam o mandato.
Quem se lixa para a opinião pública é também quem não vê mal em ignorar as leis do país, normas éticas óbvias, regras de convivência adotadas em qualquer ambiente, para adotar um código próprio de comportamento, cujo principal parâmetro é o conforto de seus signatários.
Os desmandos, sejam eles os da Câmara ou do Senado, só acontecem porque todos, com raríssimas exceções, se consideram pessoas incomuns – naquele sentido consagrado recentemente pelo presidente Luiz Inácio da Silva – com direito a assento em classe especial. Não incorporam o conceito dos deveres impostos pela representação.
Isso fica claríssimo nas repetidas invocações ao passado do senador José Sarney e aos serviços já prestados por ele à nação. Manifestações que invertem a escala dos valores. É justamente o conjunto da obra extensa o que obriga Sarney a saber que não pode praticar nepotismo, que o neto com negócios no Senado significa tráfico de influência sim, que não pode usar funcionários do Senado para tomar conta de suas propriedades no Maranhão, enfim, quem pode o mais, pode o menos.
Quem não adota princípios básicos de correção, muito menos respeita regras mais elaboradas. Isso vale para José Sarney ou qualquer outro integrante dos Poderes da República. Deputado, senador, magistrado, ministro, presidente da República.
A compreensão e a mudança dessa realidade, no entanto, é processo que leva tempo. As crises de conduta se repetem, ora mordem os calcanhares do Legislativo, ora do Executivo, mais raramente do Judiciário.
A anterior não tem o efeito didático necessário para evitar a crise seguinte. Simplesmente porque ninguém se mexe de verdade para dar combate às causas, o que leva à suspeita de que a situação de alguma forma seja cômoda, causando desconforto apenas quando estouram as denúncias.
Nessa hora, a preocupação é com a administração dos efeitos do escândalo. Quando os ânimos de acalmam, tudo passa e fica esquecido até que a nova onda volte fortalecida pelo peso do entulho acumulado.
O exemplo mais evidente é a eleição de José Sarney para presidente do Senado sob a inspiração de um ex-presidente que havia sido há dois anos a causa de outra crise. Só uma instituição completamente alheia às consequências de seus atos pode encarar com a naturalidade que o Senado encarou o fato de Renan Calheiros patrocinar a eleição de Sarney com o explícito objetivo de retomar o poder perdido.
Quando aceitou essa regra do jogo o Senado – inclusive os opositores de Sarney na disputa, porque não expuseram o principal motivo da inadequação da candidatura – assumiu um risco alto. Expôs à opinião pública sua completa indiferença à imagem que se faria de uma Casa que aceitava a influência de alguém que fora obrigado a deixar a presidência porque o Senado se envergonhava de sua figura. Mas não se importava, viu-se logo depois, em conviver com seu poder desde que exercido às escondidas.
Nas crises anteriores envolvendo presidentes, o Senado optou por resolver a conjuntura e manter intacta a estrutura. Desta vez, como as denúncias alcançaram exatamente a estrutura construída a poder dos mais variados vícios, apresenta-se a chance de se fazer a travessia.
Fica incompleta, se limitada ao Senado. Mas é preciso começar o serviço. O senador Arthur Virgílio deu o primeiro passo queimando suas caravelas da tribuna, mas não obteve respaldo. Seu partido, o PSDB, o DEM e os outros que pedem o afastamento de Sarney, adotaram a moderação típica de quem vê na saída conveniente lenitivo.
O PMDB se fecha na trincheira da defesa de um poder nessa altura inexistente, escorado no presidente da República, e o PT, tarefeiro do Planalto, discursa em prol da faxina e bate continência à sujeira.
Celso Ming Bondades no atacado
| O Estado de S. Paulo - 01/07/2009 |
O governo Lula está vendendo o novo pacote de bondades anunciado segunda-feira como mais uma rodada de sua política anticíclica destinada a compensar ou a reduzir os estragos produzidos pela crise. Mas ele é apenas marginalmente isso.
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