BRASIL ECONÔMICO - 02/12
A
revista britânica "The Economist" acompanha com lupa aguçada tudo o que
acontece na economia brasileira. Nas semanas de bom humor, tece elogios
rasgados e aponta como uma das principais opções de investimento no
mundo. Mas quando está de má vontade, seus editoriais baixam o sarrafo
na equipe econômica de Dilma Rousseff e na própria presidente. Há menos
de um mês, em reportagem de capa, acusou o Planalto de ter perdido a
janela de oportunidade para realizar reformas essenciais quando o Brasil
navegava ao largo da crise internacional. Chegou a pedir a cabeça de
Guido Mantega.
Na edição desta semana, "The Economist" anima-se
com os resultados dos recentes leilões de concessões e afirma que o
setor de infraestrutura começa a decolar. A revista ressalta, porém, que
quem vive de altos e baixos é o Brasil, e não os redatores de Sua
Majestade.Os jornalistas de Fleet Street não deixam de ter razão. Na
primeira rodada de licitação de rodovias, ficou encalhada a BR que liga o
Espírito Santo ao parque siderúrgico de Minas Gerais. Os possíveis
interessados torceram o nariz para as condições do edital. Reagiram
principalmente à parceria com o DNIT, a quem caberia as obras de
duplicação. Também era ponto negativo, nas discussões preliminares, a
taxa de retorno, considerada muito baixa. Em outra frente, no leilão da
área de pré-sal de Libra, houve um muxoxo quando as grande irmãs do
petróleo norte-americanas não se candidataram à disputa. Comentou-se que
não estavam dispostas a aceitar o regime de partilha da produção com a
Petrobras. E muita gente temeu pelo pior.
Mas veio o leilão de
Libra e tudo deu certo, graças à participação dos franceses da Total e
das petroleiras chinesas. A primeira outorga do pré-sal custou aos
interessados R$ 15 bilhões. Em seguida, foi realizado o certame pela
concessão do aeroporto Galeão-Tom Jo-bim, com vitória da Odebrecht e da
operadora do aeroporto de Cingapura, por surpreendentes R$ 19 bilhões e
ágio de 294%. Nessa fase de maré montante, pouco dias depois a Odebrecht
arrematou a gestão dos 855 kms da BR-163 no Mato Grosso,
comprometendo-se com valor de pedágio 50% inferior ao preço-base. Com
sua oferta, a empreiteira baiana derrotou seis rivais de porte. No
próximo dia 27 de dezembro, será realizado o leilão dos quase 900 kms da
BR-040, que liga o Distrito Federal a Juiz de Fora, passando pelo arco
metropolitano de Belo Horizonte. Trata-se do filé mignon das concessões
rodoviárias. E grandes grupos como Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e
Invepar já dão a entender que farão de tudo para impedir nova vitória da
Odebrecht.
O programa de concessões, de fato, deslanchou. Isso
aconteceu, na opinião da revista inglesa, porque Dilma Rousseff admitiu
que "o Estado sozinho não pode consertar a longamente negligenciada
infraestrutura do Brasil". A presidente pensa diferente e garante que
seu governo oferece projetos jamais vistos no passado. Já o presidente
da petroleira BG para a América do Sul, Nelson Silva, em entrevista ao
Brasil Econômico, tem explicação mais simples: nosso país atrai
investimentos porque oferece respeita os contratos. Enquanto o Brasil
amplia o leque de ofertas para o setor privado, a Venezuela tabela
lucros das empresas e a Bolívia torna obrigatório o pagamento do 14º
salário. Os grandes investidores, portanto, não têm que pensar duas
vezes.
SOBE E DESCE
Sobe
Ações da Petrobras
dispararam com alta de 6% na sexta-feira. A valorização foi atribuída à
reunião do conselho, sobre o aumento dos combustíveis, e à entrada de
investidores estrangeiros. Graça Foster é presidente da Petrobras.
Desce
O
líder do Solidariedade na Câmara Federal, Fernando Francischini, enviou
ao comando da legenda pedido de afastamento do deputado estadual
Gustavo Perrella. Helicóptero do político transportava 445 kg de
cocaína.