BRASÍLIA - A disputa entre EUA, Venezuela e mais recentemente Brasil para manter os países da América do Sul sob controle está rendendo dividendos positivos -para os pequenos. Os EUA têm um domínio sobre a região do tipo "manda quem pode, obedece quem tem juízo". A entrada em cena de Hugo Chávez, em 1999, abriu uma concorrência ostensiva, à custa dos petrodólares. E, no final do primeiro mandato de Lula, o Brasil abriu os olhos e viu que estava perdendo terreno. Em novembro passado, a Folha já informava que o governo fazia mea-culpa por ter descuidado dos vizinhos e tinha decidido ter "uma presença mais ativa" nos países mais pobres da região no segundo mandato, sobretudo nos dois do Mercosul, Paraguai e Uruguai. Bush vem aí hoje com um saco de bondades para a região e um discurso pró-combate à miséria, à la Lula. Chávez compra dívidas de Argentina e Paraguai e é um Papai Noel para Bolívia e Equador. E o Brasil, alerta, também embrulha o seu pacote para os mais pobres. Como exemplos rápidos, o governo brasileiro doou US$ 20 milhões para o Paraguai recuperar a ponte da Amizade e R$ 20 milhões para agricultores da Bolívia, além de abrir uma linha de crédito de US$ 8 milhões para projetos de desenvolvimento no Uruguai. Isso não é nada perto do que os EUA jogam na matança do Iraque e é apenas uma pílula diante do que eles investem na boa vontade dos latino-americanos. Mas é mais um movimento de Lula para não ver evaporar sua liderança, e ele tem vantagens: nem o Brasil tem a marca imperialista dos EUA nem o ímpeto beligerante da Venezuela. Enquanto os grandes disputam hegemonia, os pequenos se dão bem. Não há o que reclamar, certo? PS - Serra, Cabral e Dias (PI) se aliaram ao ministro Haddad contra a DRE, mais um jeitinho de morder verbas da Educação e da Saúde. |