Na quinta-feira, um ouvido apurado ouviu uma alta patente militar dizer a conhecidos, durante almoço num restaurante de Brasília, que os controladores de vôo estavam mobilizados e vinha por aí um novo apagão aéreo. No dia seguinte, o governo da Argentina desmilitarizou o sistema de controle aéreo do país com uma canetada, fazendo com que o Comando da Aeronáutica em Brasília já discutisse quando viria o novo apagão brasileiro. O que ninguém supunha era que seria tão rápido: no domingo, três dias depois do alerta da autoridade militar e dois após a desmilitarização na Argentina. Como não se supôs também o motivo: a pane no software que registra os planos de vôo dos aviões para os controladores do Cindacta-1, da capital. Tudo isso agravado por outros fatores, como a forte chuva que caiu em São Paulo e fechou Congonhas pela manhã ou a forte chuva que também caiu em Brasília à tarde, provocando uma queda de energia no aeroporto. Os fingers, as esteiras de bagagem, os banheiros e os mostradores de chegadas e partidas, nada funcionava. E o "no break"? E o gerador? Não existem? A queda do Boeing da Gol foi em 29 de setembro. Depois, houve a operação-padrão dos controladores e duas panes: o sistema de rádio do Cindacta-1 parou e, seis dias depois, o Cindacta-2, de Curitiba, teve um chilique. Agora, nova pane, novo caos pelo país afora. Para dar um toque ainda mais estranho a essa sucessão de coincidências, ontem foi a vez de um cachorro interromper a pista de Congonhas. Jabuti não sobe em árvore, mas cachorro entra no aeroporto, invade a pista sem cerimônia e causa um transtorno desse tamanho. O governo acha que tem jabuti nessa história, e os controladores dizem que a árvore é que está bichada. O fato é que as bruxas, como os cachorros, estão soltas. E a gente não crê em bruxa, mas...
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