| Silvia Amorim |
| O Estado de S. Paulo |
| 3/1/2007 |
Governador elogia Bolsa-Família, mas diz que o País precisa é de empregos Alheio às reações contra seu discurso de posse, o governador José Serra (PSDB) retomou ontem a artilharia contra o governo Lula. Mantendo o foco na política econômica, o tucano disse que falta ao Brasil um ambiente propício para o crescimento. "Tem se falado que o País está crescendo muito pouco porque não tem poupança, recursos para investir. Isso não é fato. Está faltando ambiente para investimentos. É isso que precisa ser criado", afirmou Serra. Anteontem, ao tomar posse, o governador disse que a política econômica de Lula era "hostil à produção". Também explorou a crise ética e política pela qual passa o País. Em sua primeira entrevista ontem como governador, Serra cobrou do governo federal mudanças na condução da economia. "Precisa mudar a política de juros, de taxa de câmbio e criar um clima mais favorável para o investimento, porque isso significa emprego", disse ao jornal SPTV, da Rede Globo. O tucano fez elogios a uma das vitrines do governo Lula, o Bolsa-Família, mas ponderou que a solução mesmo para o Brasil está na geração de empregos. "Muitas coisas feitas na área de assistência social, como o Bolsa-Família, são boas e devem permanecer, mas a gente sabe que elas não vão resolver. O que as famílias precisam é da renda que vem do trabalho; precisam do emprego. O Brasil precisa de mais empregos." FANTASMAS Serra explicou que os decretos que assinou na sua posse não levarão à suspensão de pagamentos de obras e fornecedores. "Não vamos suspender pagamentos, mas os contratos vão merecer uma renegociação, especialmente aqueles de maior vulto, para economizar e poder gastar melhor. Dinheiro não está sobrando e necessidades sobram, são muitas." Uma das medidas do governador é a revisão geral dos contratos em vigor no Estado. Funcionários fantasmas ou gratificações indevidas também estão na mira. Serra determinou anteontem que seja feito um recadastramento dos servidores ativos, aposentados e pensionistas. "Desconfia-se que haja pagamentos de gratificações indevidas e até mesmo funcionários que não existem. Nós não temos idéia do volume disso, por isso o recadastramento", justificou. Serra passou o dia ontem no Palácio dos Bandeirantes. Conhecido por seus hábitos notívagos, o tucano surpreendeu e chegou ao gabinete às 8h30. Apesar de ter à sua disposição a residência oficial do governador no palácio, Serra preferiu dormir na sua casa. A idéia é trazer seus pertences aos poucos para as novas instalações. Serra dedicou parte do tempo para entrevistas a emissoras de televisão e não teve compromissos externos. Ao longo do dia recebeu individualmente alguns secretários. Um encontro com todo o secretariado ainda não foi marcado. À noite, estava prevista uma audiência para discutir a situação de uma das áreas mais críticas do Estado. O governador receberia os secretários Ronaldo Marzagão (Segurança Pública) e Antônio Ferreira Pinto (Administração Penitenciária). |