Ao assumir o governo do Rio, no mesmo dia de Lula e de 26 outros governadores, Sérgio Cabral roubou a cena anunciando que pedira ao presidente o "envio imediato" da Força Nacional para o Estado. Ele fez a sua parte ao pedir. O problema é que o outro lado parece não ter o que oferecer. Força Nacional é uma boa idéia com capacetes e coletes novinhos em folha, mas nenhuma prática. Uma "força virtual". Não é com um estalar de dedos que se reúnem 7.000 homens de elite de vários Estados para jogá-los contra um "inimigo" e um Estado ou cidade que eles não conhecem. Além de capacetes e coletes, eles precisam de transporte, alimentação, hospedagem, munição, equipamento -ou seja, de muito dinheiro. E do principal: inteligência e estratégia. Esqueça-se o "envio imediato" enquanto se discute uma outra sugestão feita por Cabral, primeiro discretamente, no Planalto, depois claramente, no Rio: que soldados do Exército, da Marinha e da Aeronáutica sediados no Estado saiam dos quartéis para as ruas ao redor, ostensivamente, liberando a polícia daquelas áreas. Há anos se discute o uso ou não das Forças Armadas na guerra que se alastra pelo país fazendo vítimas civis, mas o tema tem sido tratado com um misto de "marketagem" (por quem é a favor) e de passionalidade ideológica (por quem é contra). No meio termo, há a realidade. A crise de segurança é grave, os cidadãos ficam à mercê do crime organizado e de um Estado desorganizado. As Forças Armadas assistem de camarote. Não importa se a violência urbana está ou não na categoria "terrorismo", como disse o presidente da República. O fato é que se tornou um problema de segurança nacional. Se as Forças Armadas "não estão preparadas para isso", elas estão preparadas para quê, afinal? Para guerrear contra a Argentina é que não é. Pelo menos não mais. |