BLOG CASAGRANDE
Começa a rarear a elegância a cada pesquisa eleitoral para presidente. Agora tem mais gente chamando o Lula de apedeuta, como o faz há muito tempo o Reinaldo Azevedo. Outros o chamam de iletrado, de inculto, de ignorante. Como se o fato do Lula não ser ligado às letras fosse algo não conhecido já nos anos 80.
O que acabamos descobrindo – e não gostando muito de ter descoberto – é que para ser presidente de um país como o Brasil, é preciso ter uma alta concentração de malandragem, o que, para nossa tristeza, independe se o sujeito é doutor em sociologia ou aprendiz de torneiro mecânico. E malandragem, para funcionar, requer sorte, o que Lula demonstra que tem aos montes, além de inteligência que, para a “lida”, o que ele tem já dá para o gasto.
Outros estão chamando Lula de mafioso, de líder de bando, de chefão de quadrilha. Taí outro conjunto de adjetivações que não são novidade há quase dois anos. Tenho dito que dois fenômenos são suficientes para comprovar as “qualidades” citadas: a confissão de Duda Mendonça e a derradeira conclusão de quem seria o maior beneficiado em todas as irregularidades ao redor do escândalo do mensalão, ou seja, o presidente da república.
Vou até desconsiderar questões como omissão, alegações de “não sabia” e outras evidências de envolvimento direto de Lula no trauma nacional que ainda há de se tornar o seu governo. Fenômenos como esses estão na pasta “sorte” que mencionei logo acima. Apenas para registro, é muito mais provável do que improvável que o presidente tenha realmente cometido crimes. Só que estamos no Brasil, não nos esqueçamos.
Com o fim da elegância e o início de um provável novo governo Lula, os próximos anos são assustadores principalmente por conta de uma outra terrível descoberta: de que o dinheiro, neste país, realmente compra tudo. Compra informação, compra silêncio, compra almas, compra histórias, compra votos, compra reputações, compra amigos, compra inimigos, compra partidos, compra congressistas, compra revistas, compra jornais, compra rádios e televisões, compra sigilos, compra escândalos. Enfim, o dinheiro compra o Brasil.
Agora que a elegância está acabando, que o aplomb lulista é cada vez mais insuportável e que Alckmin realmente mostrou a que veio (ou seja, a nada), resta-nos realizar antecipadamente a catarse da derrota e nos aprumarmos para o segundo tempo. Mas, uma vez lá, fazer o que?
Bom, isso eu ainda não sei. Só sei que vou tentar manter a elegância, fazer a minha parte como opositor político a Lula e ao PT mas, acima de tudo, vou tentar ser um pouco mais malandro, como eles. Este será o meu maior desafio.
Mas se o Marcos Valério me convidar para um passeio de carro, o Delúbio quiser me levar para jantar, se uma concessionária de telecom quiser comprar a empresa do meu filho, se for para minha ONG ganhar milhões para fazer nada, se for assim, não vou conseguir. Não possuo talento e malandragem suficiente.