segunda-feira, setembro 11, 2006

Segunda-feira SERGIO COSTA

folha
RIO DE JANEIRO - O que você fazia na manhã do 11 de setembro? Da véspera, provavelmente, pouca gente se lembra, mas o dia em que as Torres Gêmeas foram abaixo é daqueles tipo o do assassinato de Kennedy, do homem na Lua, da primeira vez que se vê o time campeão ou do beijo inicial na comédia da vida privada de cada um.
O dia 10 de setembro de 2001 deve ter sido absolutamente banal para a maioria. Para começar, era uma segunda-feira. E poucas segundas merecem crédito. Costumam ser mais lembradas nas noites de domingo, quando aquela musiquinha do "Fantástico" avisa a grande parte dos brasileiros que amanhã é dia de acordar cedo e trabalhar duro.
A primeira página da Folha em 11/9 sobre aquela segunda falava em moratória na Argentina, contava que FHC prorrogaria o controle de preços dos remédios até o ano eleitoral seguinte e que o prefeito de Campinas, do PT, havia sido assassinado ao sair de um shopping. Uma bomba havia explodido em carro da polícia em SP. O quarto atentado contra a polícia paulista em menos de um mês. Não se falava em PCC.
Neste pé de página, o titular Carlos Heitor Cony proseava sobre os bocejos da primeira-dama nos desfiles do Sete de Setembro. Um dólar valia R$ 2,60, o Corinthians vivia crise com o patrocinador e Guga completava 25 anos com a bolinha cheia no topo do tênis. Nos cinemas, passava o lacrimogêneo "Inteligência Artificial", de Spielberg, e a novela das oito era "Porto dos Milagres", alguém se lembra dela?
Folheava, no café, os jornais sobre os acontecimentos da véspera quando o telefone tocou avisando do plantão na TV. Com as Torres Gêmeas, ruíram imediatamente aquelas informações e a vaga lembrança da véspera. O século 21 acabara de começar -ou pelo menos o rumo que se daria a ele a partir dali.