Primeira Leitura
17h45 — O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem
Terra (MST), João Pedro Stedile, afirmou nesta sexta-feira que o
governo federal está certo em repassar recursos para entidades
ligadas a organizações que defendem a reforma agrária no país. Em
visita a Belo Horizonte (MG), Stedile ficou irritado com as perguntas
dos jornalistas, que lhe cobraram uma avaliação da questão, diante da
informação que Associação Nacional de Apoio à Reforma Agrária
(Anara), fundada e comandada por líderes do Movimento de Libertação
dos Sem Terra (MLST), responsável pelo quebra-quebra na Câmara dos
Deputados, recebeu, de 1999 a 2006, R$ 5,7 milhões do governo
federal, sendo R$ 5,6 milhões só durante o governo Lula. Para
Stedile, as organizações não-governamentais (ONGs) recebem recursos
federais para realizar serviços sociais e de infra-estrutura nos
assentamentos. Segundo ele, tais entidades “estão fazendo um serviço
público necessário”, assumindo uma “obrigação do Estado”. O líder do
MST provocou os repórteres e disse que o que deveria ser questionado
era o destino dos “R$ 120 bilhões de juros que o governo Lula paga”
aos bancos. Ele próprio respondeu: “Vai para as contas dessa
burguesia nojenta do Brasil gastar em viagem a Miami para comprar
apartamento novo”. Para Stedile, enquanto um novo modelo de
desenvolvimento, “que recupere o verdadeiro papel do Estado”, não for
implementado no Brasil, os convênios entre as entidades e o governo
precisam ser mantidos. Stedile disse que não falaria sobre a relação
do MLST com a Anara, mas confirmou que várias ONGs apóiam o MST e
firmam convênios com o governo federal para viabilizar “serviços
públicos” em acampamentos e assentamentos do movimento. “Tanto é que
o MST nem tem conta bancária, não tem caixa.” Ele ainda procurou
apresentar diferenças entre os atos de vandalismo na Câmara dos atos
de vandalismo promovidos pela Via Campesina a um laboratório e
viveiro de mudas da Aracruz Celulose, no Rio Grande do Sul, em março.
“Lá na Aracruz, o que as mulheres fizeram, e fizeram bem feito, foi
acabar com as mudas que iam gerar imensas áreas de monocultivo, que
afetam o meio ambiente e que afetam a sociedade brasileira”, tentou
justificar.