| editorial |
| O Estado de S. Paulo |
| 2/6/2006 |
O "caso sanguessugas" se distingue dos demais escândalos que têm surgido nesta República, nos últimos tempos, porque não deriva de denúncia pública gerada por interesses políticos contrariados, ou por vingança de ex-sócios, ex-cúmplices ou ex-parentes, ou por depoimentos de testemunhas inesperadas. Também não adquiriu consistência pelo estardalhaço de matérias surgidas nos veículos de comunicação ou pela indiscrição deliberada de autoridades incumbidas de procedimentos investigatórios. O caso já nasceu com um cabedal robusto de indícios e provas, acumulados em trabalho minucioso da Polícia Federal, sendo que também o distingue o grande número de parlamentares federais nele envolvidos. Bastaria este último aspecto, aliás, para torná-lo objeto de enérgica cobrança, por parte da opinião pública, pois chega a estarrecer que tantos representantes do povo, detentores de legítimos mandatos parlamentares, tenham se permitido a tão vergonhosas fraudes, como as das ambulâncias superfaturadas, fornecidas às prefeituras com recursos do orçamento federal. |