A repentina entrada em cena dos eleitores de Marcola restringiu ao
vinho os efeitos das reuniões de Nova York
A IDÉIA DE que a onda de violência em São Paulo prejudicou Geraldo
Alckmin não faz justiça ao papel eleitoral desempenhado por Marcola -
como de hábito, sem precisar mover-se do seu quartel-general. Papel
tão importante para Alckmin quanto o dos grandes estrategistas
tucanos que o indicaram em lugar do colega com cotação muito melhor
no eleitorado.
O estouro da onda de 12 de maio não surpreendeu só São Paulo, nem só
o Brasil. Pegou gente de surpresa também em Nova York, justamente de
onde, segundo certos planos, por aqueles dias deveria sair uma
surpresa para São Paulo e o Brasil.
Reunidos, como de hábito, em restaurantes onde Fernando Henrique
Cardoso pede o vinho e Tasso Jereissati pede a conta, os dois e Aécio
Neves discutiam em Nova York -para a qual José Serra viajara em
surdina dias antes- a intervenção contra o pressentido desastre
eleitoral do PSDB. Pelos cardeais presentes, já se vê qual era a
intervenção considerada, estando em questão a maneira de fazer.
A repentina entrada em cena dos eleitores de Marcola restringiu aos
vinhos os efeitos das reuniões de Nova York. Tornou-se impossível
tocar na pré-candidatura de Alckmin sem permitir, com isso, a dedu-
ção de que o próprio PSDB o responsabilizava pelo ocorrido em São
Paulo. Caso em que não só Alckmin, mas o partido e o novo pré-
candidato também seriam muito atingidos, talvez a ponto de invalidar
toda a operação feita.
Os cardeais do PSDB deram a candidatura a Alckmin. Marcola e seu
pessoal a mantiveram. O que pode se revelar uma forma de vingança.
Insalubre
A inclusão do Bolsa-Família entre os investimentos do governo Lula em
saúde, para fazê-los atingir o mínimo anual exigido pela legislação,
é mais do que uma prática discutível, como a considera o Tribunal de
Contas da União. Se o pingadinho do Bolsa-Família pode contribuir
para a saúde, com a compra de alimento ou remédio, os vencimentos do
funcionalismo fazem o mesmo e em maior volume. As aposentadorias
pagas pelo INSS, idem.
Por que o governo não os inclui nos investimentos obrigatórios com
saúde? A ilegalidade e a má-fé do truque ficariam grosseiramente
expostas à condenação, mas não seriam diferentes da má-fé e da
ilegalidade que adulteram os gastos com o programa Bolsa-Família e
com saúde. A tolerância do TCU, portanto, não se justifica. Até por
se tratar de verba muito alta.
Com ou sem truque, a evidência é de que o governo, muito ao contrário
do que Lula afirma sem cerimônia, não tem destinado à saúde nem o
mínimo a que está obrigado. E aí não foi descontada a fortuna
desviada pela corrupção na Saúde.