| O Estado de S. Paulo |
| 8/6/2006 |
Se antes muitos duvidavam de Ben Bernanke (presidente do Federal Reserve, o banco central americano), agora não duvidam mais. Nos dois últimos dias quase todos os presidentes dos bancos centrais regionais, a maioria com voto no comitê de mercado aberto, vieram espontaneamente - e em combinação - a público para reafirmar que a inflação nos Estados Unidos já preocupa muito e o Fed vai ter de agir. Preferem um crescimento menor a uma inflação maior. Não acreditam que só a desaceleração atual da economia seja suficiente para conter as pressões inflacionárias puxadas pela alta do petróleo. Reconhecem que a economia americana está desacelerando, mas só isso não será suficiente para conter a inflação. Poderão ter de usar a arma dos juros. Bernanke foi claro: se a economia americana se acomodar, como parece estar ocorrendo, caberá aos outros parceiros comerciais - Ásia, Europa, etc. - crescer internamente e substituir os Estados Unidos como suporte da economia mundial. Se esses países não reagirem, a economia global poderá acompanhar a desaceleração americana. BRASIL COM ROUPA LEVE Este cenário parece que vai agravar-se, diante da unanimidade e dos pronunciamentos dos presidentes do Fed, que desfizeram as dúvidas do mercado e reafirmaram a posição de Bernanke. Inflação e crescimento menor. Foi mais ou menos isso o que disse Susan Bies, que vota no comitê que decidirá sobre os juros, para quem estamos num período de transição e não sabemos ainda até onde vamos. O juro vai agora para 5,25%? "Não está ainda claro quando o Fed vai parar de elevar a taxa." Ela prefere um ponto de equilíbrio em que os juros não segurem o crescimento. E se a economia desacelerar ainda mais? "Estamos num período de transição. A atual taxa de crescimento (anualizada) de 5% é insustentável." Ou seja, a prioridade é a inflação. MERCADO ACEITA NERVOSO Coroando essas declarações, veio o alerta do ex-presidente do Fed Alan Greenspan. "Agora a alta dos preços do petróleo pode estar dando um novo impacto nos preços". Antes, havia mais flexibilidade, compras a custos menores aproveitando a globalização e outros fatores que não mais existem SÓ UM CONTRA Mas é verdade que esse resultado está sendo comparado com o ano passado, extremamente aquecido. A associação espera que o juro hipotecário para 30 anos fique em 6,9%. Não conta com mais uma alta do Fed. Sua voz, porém, não está sendo levada muito em conta porque o setor imobiliário vem crescendo não graças a uma demanda sadia, mas à especulação. O imóvel virou um "ativo financeiro". DE OLHO NO PETRÓLEO "Estamos na terra de ninguém. Não sabemos se o mercado está entrando numa correção ou se é o começo de um movimento de vendas (como ocorreu há dias)", afirma David Briggs, da área de Bolsas do Federal Investors. Assim, pode-se esperar mais algumas semanas de nervosismo. Nada de trágico. Por enquanto, só reajustes de preços exagerados. Mas o clima continua tenso. FMI AJUDA Resumindo, os EUA dão sinais que vão jogar a toalha e não apareceu ainda ninguém para continuar lutando. * E-mail: at@attglobal.net |