Confirmado: fontes da Polícia Federal vazaram para jornalistas o sigilo bancário de Francenildo Santos Costa.
O show do caseiro para vergonha do governo
Frase de Francenildo dos Santos Costa no fim da entrevista coletiva que deu há pouco num hotel em Brasília.
- Sacanagem o que fizeram comigo. Mexeram nas minhas contas. O que posso esperar mais?
O caseiro contou a seguinte história:
23 de dezembro de 2005
Parte de Brasília para Teresina num pacote de R$ 420,00 da TAM ida e volta. De lá, segue para Nazário, a cerca de 25 quilômetros de Teresina.
4 de janeiro
Volta para Teresina de ônibus e procura o pai, Euripedes Soares, empresário. Pede que o registre como filho. Francenildo apresentou durante a entrevista o comprovante da passagem de ônibus da viagem.
O suposto pai nega o registro. Pede que, por enquanto, Francenildo aceite R$ 30 mil pagos em parcelas. O caseiro aceita.
6 de janeiro
Eurípedes vai com Francenildo à agência 1606 da Caixa Econômica Federal em Teresina e faz um depósito de R$ 10 mil na conta dele. Na entrevista, Francenildo exibiu o comprovante do depósito.
8 de janeiro
Francenildo volta a Brasília.
9 de janeiro
Saca R$ 2.500,00 e deposita na conta de Maria Nazaré Soares, a quem comprara um lote em Nazário. Francenildo mostrou o depósito que fez na conta dela.
6 de fevereiro
Eurípedes Soares deposita mais R$ 10 mi na conta de Francenildo. O comprovante ficou com ele em Teresina.
7 de fevereiro
Francenildo saca R$ 15 mil para comprar uma pequena casa em Brasília.
16 de fevereiro
Ele desiste da compra. Deposita R$ 10 mil em sua conta e fica com R$ 5 mil para despesas diversas.
3 de março
Dos R$ 5 mil, ele devolve para sua conta R$ 3.870,00.
6 de março
Eurípedes deposita mais R$ 5 mil na conta de Francenildo. E fica devendo R$ 5 mil do acordo feito em dezembro.
Essa foi a explicação dada pelo caseiro sobre o dinheiro.
Perguntaram a ele como poderia provar que o depósito foi feito por seu suposto pai.
- Ele confirma que depositou - respondeu.
Durante toda a entrevista, ele se mostrou indignado com a quebra de seu sigilo. Mas disse que não voltará atrás das declarações que deu à CPI dos Bingos sobre as idas de Palocci à mansão alegre da "República de Ribeirão Preto".
- Não volto atrás. Eu estava ali trabalhando. Tenho orgulho do meu trabalho apesar do dinheiro sujo que me pagavam. Mas não volto atrás.
Pai do caseiro reconhece o filho
O empresário Eurípedes Soares da Silva acaba de admitir em entrevista a uma televisão comunitária do Piaui que o caseiro Francenildo da Costa é filho dele "com uma rapariga".
Confirmou que mandou dinheiro para que Francenildo comprasse um carro.
À TV Globo, o empresário não negou com clareza que seja pai do caseiro. "Não foi conclusivo", contou-me uma fonte da Globo.
Quem mandou quebrar o sigilo bancário do caseiro que acusou Palocci de frequentar a alegre mansão alugada em Brasília pela chamada "República de Ribeirão Preto?"
A Polícia Federal pediu e o caseiro lhe deu o número de sua conta bancária. Em seu site, a revista ÉPOCA publicou no início desta noite a movimentação bancária do caseiro, depósitos e saques.
O amadorismo e a desfaçatez dos que tramaram uma história que ruiu em poucas horas são espantosos.
Mas resta o crime cometido - o da quebra do sigilo bancário. E isso é muito grave. Não pode ficar impune.
Pai deu dinheiro a Nildo após acordo
De Expedito Filho em O Estado de S. Paulo, hoje:
Benta Maria dos Santos Costa, 42 anos, mãe do caseiro Francenildo Costa, confirmou que o empresário Eurípedes Silva é o pai de seu filho e que em dezembro do ano passado fez um acordo financeiro para evitar que o caso parasse na Justiça. Segundo Benta, o próprio Eurípedes avisou do envio do dinheiro para a conta de Francenildo.
Ela afirmou ainda que não acredita na versão de que Francenildo foi pago para fazer as denúncias contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. 'Eu não acredito de jeito nenhum. O Eurípedes começou a enviar o dinheiro porque ficou com medo de Nildo entrar na Justiça para obter o registro com o nome do pai.'
A senhora conhece o empresário Eurípedes Soares da Silva?
Conheço.
Quando?
Quando ele começou a trabalhar ainda com uma empresa pequena de dois ônibus. Nesse tempo, ele não tinha empregado e trabalhava sozinho. Ele sempre me via, eu menininha nova. Fui trabalhar em Teresina porque meus pais não tinham condições de me dar o que eu queria.
Qual foi o emprego da senhora?
Como babá na casa de uma senhora. Eu tinha 15 anos. Ele era bem mais velho. Ele andou atrás de mim mais ou menos dois meses. Por conselho de uma colega acabei saindo com ele. O relacionamento de saída foi só de um mês. E aí eu engravidei. Eu não tomava medicamento nenhum.
A sra. avisou que estava grávida?
Avisei e ele disse que não era dele. Disse que me daria o dinheiro para comprar o remédio para abortar a criança. Não tomei o remédio e briguei com ele. Eu pedi dinheiro para ir ao médico. Ele disse que não dava.
Quando Nildo conheceu o pai?
Com 14 anos. Foi durante uma reunião com os moradores. Nesse dia eu chamei ele e falei: Olha, o seu filho quer te conhecer. Aí ele disse que esse menino não era dele, na vista dele. Nildo ficou traumatizado. Ele, que era calmo, ficou rebelde e eu levei ele para aí para ver se passava.
Quando foi que ele começou com a idéia de querer o registro?
Agora, depois que ele passou a de maior. Depois que ele começou a estudar no colégio, ele disse que os amigos apresentavam o nome do pai e aí ficavam falando: ´Teu pai e tua mãe é tua avó, como é que isso?´. Ele disse: ´Não, mãe, esse negócio não está certo. Vou querer meu registro direito´.
Quando Nildo teve a primeira conversa sobre o registro?
Foi em dezembro.
O acordo era tirar o registro com o nome do pai?
Era. Meu filho disse que era para Eurípedes consultar os advogados que ele, Francenildo, ia caçar os deles para saber dos direitos.
Quando surgiu esse acordo financeiro? Em dezembro?
Foi. Eurípedes começou a enviar o dinheiro porque ficou com medo do Francenildo colocar ele na Justiça.