Os dados são insuspeitos, porque fornecidos pela Ouvidoria Agrária Nacional, instituição sem motivo algum para desprestigiar o governo do qual faz parte, e chocantes, porque dizem respeito a perdas estúpidas de vidas humanas: nos primeiros três anos do governo Lula, em comparação com os últimos três anos do governo Fernando Henrique, aumentou em 55% o número de invasões de terras e de propriedades no campo, e o número de assassinados em conflitos no meio rural teve um brutal acréscimo de 63%. Como se não bastasse um malogro da reforma agrária em múltiplos aspectos - do abandono ou alienação ilegal de lotes recebidos por assentados à sua baixíssima produtividade, da estagnação ou plena decadência dos que eram arregimentados (nas periferias das cidades para preencher vagas nos assentamentos do MST e congêneres) aos desvios de verbas por parte de entidades de representação informal dos sem-terra, do despreparo no cultivo da terra à falta de preocupação em saná-lo, já que o grande objetivo político desses "movimentos sociais" sequer lhes dava tempo para qualquer aperfeiçoamento profissional, no meio rural -, o aumento substancial da violência desses movimentos já expõe aos olhos da sociedade o retumbante fracasso da política do governo Lula em benefício das pessoas que um dia sonharam desenvolver-se, com base em seu trabalho na terra. De janeiro de 2003 a dezembro de 2005 houve 770 invasões de fazendas - contra 497 nos três últimos anos de FHC -, cometimento de esbulhos possessórios no mais das vezes com a prática de violência, como cárcere privado imposto a empregados rurais, matança de gado, derrubada e queima de plantações, depredação e todo o tipo de vandalismo. A média era de 21 invasões e no mínimo 2 assassinatos por mês, em decorrência de conflitos fundiários. É verdade que o crescimento porcentual da violência no primeiro triênio do governo Lula decorreu, em parte, do fato de em 2002 o MST e congêneres terem feito uma espécie A ameaça do MST de um ´2006 vermelho´ é para ser levada a sério de trégua, para não prejudicar a campanha de seu aliado histórico, o PT (que na ocasião ainda tinha sua imagem muito mais associada à revolução ideológica do que à corrupção fisiológica). Com certeza, porém, foi a queda sistemática de uma restrição legal que propiciou o aumento do desrespeito geral à propriedade, no governo Lula. É que antes, por força de Medida Provisória vigente durante o governo FHC, as propriedades rurais invadidas saíam da lista de cadastramento do Incra, para efeito de reforma agrária, por um prazo mínimo de dois anos. Isso fazia com que os grupos ligados aos movimentos de reivindicação da terra, se estavam interessados efetivamente em desenvolver em determinada área projetos de assentamento e produção, não a invadissem, por saber que dessa maneira impediriam sua desapropriação para fins de reforma agrária. Só que essa proibição legal caiu por "desuso" e as invasões (de preferência em terras já produtivas, pois ninguém é de ferro) se multiplicaram. Certamente os porcentuais de aumento da violência no campo vão ainda crescer, pois agora, quando o MST abre o "2006 vermelho", de início já festejado por 15 invasões só neste fim de semana, em Pernambuco, o líder regional do movimento, Jaime Amorim, anunciou solenemente em São Lourenço da Mata - onde mais de 300 famílias reocuparam o Engenho São João, do Grupo Votorantim - que "não haverá trégua". E não é provável que obtenha algum tipo de pacificação, junto a seus companheiros emessetistas, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, primeiro porque não o conseguiu durante toda sua gestão, segundo porque terá menos condição agora de o conseguir, por estar se desligando do ministério para assumir sua candidatura ao Senado. Por sinal, no momento em que participa da Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural, patrocinada pela FAO, Rossetto tem que passar pela "saiajusta" de ouvir o relatório que o MST divulgará no encontro, mostrando que houve mais retrocessos do que avanços na reforma agrária do governo Lula. |