O resultado imediato da pesquisa Datafolha para o governo de São Paulo publicada hoje será o deslanchar de uma grande pressão para que José Serra renuncie à prefeitura da capital a fim de concorrer, pelo PSDB, ao Palácio dos Bandeirantes em outubro. Em todos os cenários, se a eleição ocorresse hoje, o ex-ministro da Saúde obteria votação mais que suficiente para vencer o pleito no primeiro turno.
Caso Serra aceite ser o candidato tucano à sucessão paulista, terá rompido um compromisso firmado com a população da cidade de São Paulo. Há menos de 15 meses, o tucano foi eleito prefeito da capital do Estado sob a promessa -subscrita em evento promovido por esta Folha- de que cumpriria na íntegra o seu mandato.
Passa da hora de os partidos levarem a sério suas responsabilidades administrativas. Na hipótese de Serra deixar a prefeitura, a gestão pública na cidade estará entregue à incerteza. Preocupam a inexperiência do vice-prefeito e as interrogações que pairam sobre seu notável acúmulo patrimonial nos anos recentes.
Do ponto de vista dos princípios, Serra deve ficar no cargo. Mas a política é um terreno movediço em que as conveniências quase sempre prevalecem sobre princípios.
O PSDB se confronta com um dilema: pelos dados de hoje, a manter-se a promessa do prefeito de seguir no posto até 2008, a sigla perderia o governo paulista, segundo orçamento da República, após mais de uma década de hegemonia no Estado.
José Serra tem 11 dias para definir-se -precisa renunciar até 31 de março a fim de estar apto a pleitear o Bandeirantes. O risco é o eleitorado, em outubro, punir a quebra de compromisso com os paulistanos de modo mais severo do que as pesquisas hoje permitem captar. Esse será o tema mais explorado pelos adversários caso Serra concorra ao governo.