A Eletrobrás é um exemplo eloqüente do esgarçamento da máquina pública no país. Estatal responsável pelo controle do setor elétrico brasileiro, mantém há anos uma estrutura ineficiente e acostumada a onerar os cofres do governo. Uma das subsidiárias da empresa, a Lightpar, revela com clareza a inoperância que toma conta do setor. Criada para controlar a Eletronet, empresa de transmissão de dados que foi à falência em 2003, a Lightpar perdeu a função há três anos. Mas continuou a operar. Acumulou prejuízo de R$ 742 mil entre janeiro e julho de 2005. Em seu quadro de diretores, mantém funcionários ligados ao PT e ao PMDB com rendimentos mensais superiores a R$ 14 mil. Não há razão para continuar a existir. Ociosa sob todos os aspectos, a diretoria da Lightpar representa um modo de apropriação da máquina do governo que deve ser banido da vida pública no país. Valer-se de postos que deveriam ser ocupados por quadros técnicos para acomodação de conveniências políticas é uma praxe da administração petista. Mas, neste caso, a omissão é ainda mais grave, pois está em jogo a própria incapacidade do governo em gerir a estrutura de que necessita. Segundo a associação de empregados da Eletrobrás, há cerca de 40 assessores alojados nas diversas diretorias, departamentos e subsidiárias, muitos dos quais não pertencem aos quadros da estatal. Eles provocam gastos mensais de R$ 600 mil. Descalabros administrativos dessa ordem, que não se restringem ao setor elétrico, reforçam a necessidade de uma reforma administrativa capaz de coordenar a atuação do Estado e definir com clareza as atribuições das estatais. Sob pena de os cabides de emprego continuarem a se multiplicar. |