Leio na capa da Folha de ontem que, para o Exército, foi "muito bom" o resultado da ação no Rio, segundo o chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, general Hélio Chagas de Macedo Júnior. Imaginei que as armas roubadas tivessem sido recuperadas, bem como presos os autores do roubo. Leio mais e vejo que não, não recuperaram arma nenhuma, a não ser ontem, bem depois do "muito bom". E depois que 13 pessoas morreram, "após resistir a ação policial" (no tempo do regime militar, muita gente também "resistiu" e foi morta. Detalhes mais verazes estão nos livros de Elio Gaspari). O general diz também que "tanto a aceitabilidade quanto [a queda] dos índices de criminalidade, de roubo de carros mostram" que o resultado foi "muito bom". Quer dizer, então, que fazer o papel da polícia, o que está fora da alçada do Exército, é "muito bom"? Que tenha havido "aceitabilidade", entende-se: a população anda tão farta da falta de segurança pública, sai governo, entra governo, que qualquer coisa que diminua a insegurança ganha aplausos. Daí a um general (ou qualquer funcionário, civil ou militar) elogiar resultados de algo que está fora das regras do jogo está longe de ser "muito bom". Enquanto isso, a CPI dos Correios verificava que, no fim de semana, sumiram os dados que permitiriam supostamente conhecer o nome de novos parlamentares do esquema do "mensalão". Resultado "muito bom", deve ter pensado a grande maioria da Câmara. Assim, ficam os deputados dispensados de preparar mais pizzas, porque o trambique é feito previamente. Sumiram também dois livros com informações financeiras da Lightpar, subsidiária da Eletrobrás e acusada de ser um "cabide de empregos", curiosamente dias depois de Fernando Canzian, nesta Folha, ter publicado as acusações. "Muito bom", devem ter pensado os suspeitos. E você? |