| A CPI dos Bingos convocou anteontem o presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Paulo Okamotto, para acareação com o economista Paulo de Tarso Venceslau. O objetivo é esclarecer as suspeitas sobre um esquema de caixa dois em prefeituras do PT no interior paulista supostamente orquestrado por Okamotto no início dos anos 1990. A decisão é acertada e contrasta com a inexplicável série de esforços para impedir que Okamotto seja submetido a escrutínio mais severo. Por margem estreita de votos, o governo barrou uma nova convocação de Okamotto para depor na CPI. No mês passado, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, concedeu liminar suspendendo a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do chefe do Sebrae. Amigo íntimo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Okamotto é figura-chave para as apurações da CPI. Há sérias dúvidas sobre suas atitudes que necessitam de esclarecimento. Com recursos próprios, diz ter quitado dívida de R$ 29,4 mil do presidente com o PT -sem ter informado o amigo do ato generoso ou apresentado comprovantes. Em 2004, doou R$ 24,8 mil para a campanha de Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, à Prefeitura de São Bernardo do Campo. O valor representa quase a totalidade de seus vencimentos mensais declarados, cerca de R$ 30 mil. Há suspeita de que outro gesto solidário tenha ocorrido dois anos antes. Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do presidente da República, teve dívida de R$ 34,7 mil em aluguéis atrasados quitada por Okamotto, segundo a fiadora do imóvel. À época, o amigo de Lula recebia apenas uma aposentadoria de ex-metalúrgico. Responsável pelo caixa petista na campanha presidencial de 1989, Okamotto é tido como um tesoureiro informal do partido. Conhecedor das práticas contábeis do PT e membro do conselho do fundo BrasilPrev, o presidente do Sebrae opera em nichos da atividade estatal que estão sob investigação. Não há por que manter à sombra as suas atividades. |