BRASÍLIA - Brasília não consegue viver de pequenos tremores, só de terremotos, furacões, vulcões. Muita emoção. É o caso da lista que virou notícia pela boca de Roberto Jefferson em depoimento à PF, circula há tempos pela internet e agora paralisa a guerra política entre PT e PSDB. A tal lista contém 156 nomes de políticos de diferentes partidos, mas especialmente do PSDB, como Serra e Alckmin, que teriam recebido dinheiro de caixa dois de Furnas em 2002. A assinatura é atribuída ao presidente da empresa na época, Dimas Toledo, que foi mantido no governo Lula e caiu em 2005 justamente porque Jefferson o acusava de organizar o caixa dois eleitoral. Ele nega o fato e a assinatura, ameaçando processar o ex-deputado, agora cassado. A lista causou furor, mas é apenas uma cópia. Ninguém sabe, ninguém viu o original. E nenhum perito, nem da PF, confirma nada. Fica o dito pelo não dito, e a lista pela não-lista. Pode ser verdadeira, pode ser falsa, pode ser verdadeira só em parte. A conferir. Até lá, ela mais confunde do que esclarece ou condena. Independentemente das respostas e de conclusões, a tal lista já se tornou um fato político considerável. Deixou os tucanos zonzos e acirrou os ânimos de petistas que manipulam a internet, reacendendo o grande lema (se que isso lá pode ser chamado de lema...) de que o PT fazia, "mas todos os outros também não faziam?". Essas reações, porém, foram nas bases, na torcida. Nas cúpulas e no Congresso, houve o inverso: tudo congelou, como uma pausa para pensar. A CPI dos Correios, por exemplo, desistiu de convocar igualmente Duda Mendonça (caixa-preta do PT) e Dimas Toledo (que pode ser a do PSDB), indicando uma espécie de acordão, ou uma rede de proteção geral: nem eu chamo o seu, nem você chama o meu e vamos aguardar. Enquanto isso, nós ficamos cheios de dúvidas. E eles todos, do governo e da oposição, nos devendo mil e uma explicações. Se é que elas existem. @ - elianec@uol.com.br |