FOLHA
SÃO PAULO - No bojo do projeto que, supostamente, visa reduzir o custo de campanhas eleitorais, passou item que limita a potência do equipamento de som utilizado em comícios. É ridículo, grotesco e caricato, como diria o cronista esportivo Geraldo Bretas se ainda fosse vivo.
Se deputados pensassem, um deles pelo menos teria dito: quem é que vai fiscalizar a potência do som? Haverá um fiscal para cada ato público de cada candidato a deputado estadual, deputado federal, governador, senador e presidente da República?
É óbvio que não, escandalosamente óbvio, menos para os pais da pátria, que votam qualquer porcaria que lhes pareça suficiente para calar a boca do público, que, aliás, nem precisa disso, molóide que sempre foi.
Houve tempo em que as regras vetavam boca-de-urna a menos de 500 metros (salvo erro de memória) do colégio eleitoral. É outro desses ridículos tupiniquins. Alguém acha que alguém iria levar uma trena para medir se a boca-de-urna estava sendo feita a 499 ou a 501 metros do colégio eleitoral?
Parecem detalhes irrelevantes. De fato, são. Mas exatamente por serem irrelevantes, o fato de os parlamentares dedicarem seu tempo à irrelevâncias desse porte indica a completa deturpação e degradação da atividade política. Como 99% dos deputados e senadores não têm rigorosamente nada de mais útil e relevante a propor, ficam discutindo pêlo em ovo, com o que dão a impressão de que seus salários estão justificados.
Fica nítida, igualmente, a invencível tendência brasileira de achar que basta um regulamento, qualquer que seja, para resolver todo e qualquer problema.
Há corrupção na política? Há, claro, como no mundo todo. Então basta proibir showmícios e limitar a potência do som para fazer de conta que se proibiu a corrupção.
E ninguém diz que o problema não é o custo do comício, mas o custo dos políticos que estão à venda, alguns até a baixo preço.