segunda-feira, agosto 15, 2005

ROGÉRIO GENTILE Do Romanée-Conti ao vinagre

FOLHA DE S PAULO

SÃO PAULO - Luiz Inácio Lula da Silva agoniza em praça pública. Deixou claro em seu pronunciamento à nação que não dispõe de forças nem de argumentos para reagir à crise. Desmoralizado por seus próprios atos e omissões, não tem mais autoridade para governar. É um morto-vivo.
Lula faria um bem ao país se renunciasse. Não obstante José Alencar, pouparia-nos de um longo processo por crime de responsabilidade. Motivos para tanto não faltam. Se restar algo de racional neste Brasil, é apenas uma questão de tempo.
Já está demonstrado que Lula bancou ou deixou que bancassem sua campanha presidencial com dinheiro clandestino, quiçá sujo.
Já está claro também que ele montou ou deixou que montassem um esquema de compra de parlamentares e partidos, tanto faz se para conseguir votos no Congresso Nacional ou apoio nas eleições.
Já está evidente ainda que a produtora de seu filho foi beneficiada por um aporte de R$ 5 milhões de uma empresa de telefonia em um negócio raro não apenas no Brasil mas no mercado mundial do setor.
O resto é enrolação presidencial. Lula se diz traído e indignado, sentimentos que curiosamente surgiram somente agora, tanto tempo depois de o governador Marconi Perillo e de o próprio Roberto Jefferson terem contado ao presidente sobre o esquema do "mensalão" no Parlamento.
Pior, apesar de traído e indignado, Lula ainda tem o despudor de dizer que não está ao seu alcance "identificar" os responsáveis por toda essa situação. Como assim? É preciso mais o que para convencê-lo da culpabilidade da companheirada? Ou será que ele, como afirmou Luiz Gushiken, também acredita que Delúbio e afins são vítimas da "ingenuidade"?
Lula perdeu-se no Planalto e na história. Será lembrado como o operário que foi eleito presidente, esbaldou-se no tentador mundo de Romanée-Conti e acabou no vinagre.

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