FOLHA DE S PAULO
BRASÍLIA - Os piores inimigos do PT são os próprios petistas, que passaram a vida inteira se digladiando em sindicatos, movimentos, grupos e assembléias e continuam se matando agora, com Lula no governo.
Dois ministros petistas foram afastados (Dirceu e Gushiken). O comando do partido caiu (Genoino, Delúbio, Sílvio Pereira). A cúpula da bancada na Câmara (João Paulo, Professor Luizinho, Paulo Rocha) está sob suspeição. E as denúncias não param de brotar de CPIs e depoimentos.
A situação, convenhamos, é dramática. Mas o PT de tantas lutas e glórias continua tratando tudo isso como disputa interna. O grupo tal quer explodir o Campo Majoritário, que quer trucidar a nova direção com Tarso Genro, que logo logo vai tentar dinamitar a politica econômica do petista Palocci.
De prático, mesmo, o partido da ética e da moralidade continua se recusando a punir quem tem de punir. Anteontem, por exemplo, a Executiva Nacional rejeitou a proposta de abertura de processo disciplinar no Conselho de Ética do próprio partido contra os sete deputados federais citados na tal lista do Marcos Valério. Processo disciplinar, frise-se, não significa punir sem direito a defesa. Significa simplesmente processar...
Viva-se com um barulho desses! E sobreviva-se a um tranco como esse!
Em 2002, Lula quase ganha a eleição presidencial no primeiro turno e ficou sempre disparado na frente no segundo. Mas, dos 26 Estados e mais o DF, o PT só ganhou em três: Acre, Mato Grosso do Sul e Piauí. Como já tinha os dois primeiros, vale dizer que trocou o Rio Grande do Sul (que tinha e perdeu) pelo Piauí.
É por essas e outras que começa a coceira para trocar de partido, e o temor é o ex-governador e ex-ministro Cristovam Buarque abrir a porteira.
Mas sair para onde? Para o PSTU, o PSOL, o PSDB, o PFL? Senadores com oito anos de mandato, como Buarque, até podem. Mas deputados, que vão às urnas no ano que vem, correm o risco de enterrar a carreira política.
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