A CPI TEM DE AVANÇAR Embora muito já se saiba sobre os inúmeros desvios cometidos por setores do PT e pelo publicitário Marcos Valério, as investigações em curso continuam devendo à sociedade brasileira uma visão mais clara e conclusiva sobre o funcionamento do esquema de corrupção.
Não há dúvida de que ele é amplo, com ramificações nas esferas pública e privada. É certo também que envolvia levantamento de dinheiro para campanhas e pagamento de políticos petistas e aliados. Ao que tudo indica, Valério, com ajuda de petistas graduados, montou um empreendimento voltado para a intermediação de recursos fornecidos por empresas, tráfico de influência e captura de fundos públicos. Os empréstimos que tomava, segundo se avalia, seriam simulações destinadas apenas a encobrir outras operações que ainda precisam ser mais bem explicadas.
É fundamental, além disso, estabelecer de uma vez por todas quem participou da trama, seja como fornecedor de recursos, seja como receptor, seja como intermediador. Por fim, é indispensável identificar as conexões políticas, considerando que um processo dessa magnitude dificilmente poderia existir sem o conhecimento e o apoio de escalões mais altos.
Há, pois, todo um trabalho investigativo e de interpretação de documentos a ser realizado. Não bastam os depoimentos, que vão, aliás, se tornando cada vez menos produtivos. Depoentes bem orientados por seus advogados falam o que desejam em meio a longas e muitas vezes inúteis perorações de parlamentares.
O próprio interesse que inicialmente os interrogatórios despertavam já parece começar a declinar. O tempo vai passando, as sessões vão se tornando aborrecidas e a mensagem básica, afinal, já se sabe: sim, há algo de podre no reino petista -e não é apenas uma maçã.
É indispensável, portanto, que a CPI seja mais eficiente e menos morosa na análise da documentação. É de esperar que os temores quanto a um inquérito chapa-branca não se confirmem e que as dificuldades em avançar no desvendamento dos fatos correspondam antes a deficiências técnicas corrigíveis do que a expedientes protelatórios ou tentativas de acobertar a verdade.
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