Transferem-se também os demais prazos, para emendas de projetos e medidas provisórias, e suspendem-se os trabalhos no Executivo, Judiciário e no Congresso, cujo fechamento nunca é uma boa idéia, seja ela originada em que motivo for.
Nada justifica a decisão, muito menos a anômala alegação de que os chefes de Estado e representantes dos países árabes e sul-americanos precisam se deslocar pela cidade, por questões de segurança isso implica a interdição do trânsito e, portanto, para evitar transtornos aos moradores (funcionários públicos, bem entendido) decreta-se ponto facultativo.
A decisão sobre o feriado foi tomada ontem, quando se viu que as interdições de vias causaram imensos congestionamentos em vários pontos da cidade. Aí registra-se o improviso, pois tratava-se de um dado previsível se houvesse um mínimo de planejamento.
E ainda muita gente houve na cidade que viu perfeito sentido na decretação do ponto facultativo como fator de conforto urbano.
Ora, em situações excepcionais, uma das tarefas do poder público é justamente organizar o espaço coletivo de forma a que a excepcionalidade provoque o mínimo de transtorno possível.
Se um Governo não consegue garantir o funcionamento das instituições do país porque não é capaz de organizar o trânsito de uma cidade, francamente, não está apto a recepcionar encontros internacionais ou qualquer evento que envolva esquemas especiais de segurança com a presença de hóspedes importantes, sejam eles alvos do terrorismo ou estrelas do rock.
Não será outro o sinal transmitido pela bisonha decisão de fechar o Congresso e as repartições federais porque o Governo não consegue compatibilizar o traslado de comitivas governamentais pela cidade com as idas e as vindas dos funcionários públicos, dos ministros, dos deputados, dos senadores, dos desembargadores e dos procuradores pelas vias expressas de Brasília.
Se a lógica pega, em 2007 as autoridades locais deverão também suspender os trabalhos no Rio de Janeiro durante as duas semanas de realização dos Jogos Pan-Americanos, a fim de afastar os problemas no lugar de resolvê-los.
Cheque em branco
Se não é precipitação, é ingenuidade o que move o Palácio do Planalto a orientar o PT a mudar sua posição em relação às normas de alianças eleitorais para 2006, só para agradar ao PMDB.
Depois de o presidente do PT, José Genoino, defender veementemente a manutenção de regra que obriga os partidos a reproduzir nos estados as coligações feitas no plano nacional, dizendo que o fim dela seria “o pior dos mundos para o sistema eleitoral que é uma bagunça e vive uma anarquia legalizada”, o partido agora vai lutar exatamente em favor do “pior dos mundos”.
Tudo porque o PMDB, interessado nesse “mundo” bem pior, convenceu o presidente e seus auxiliares políticos de que ou o PT mudava de posição ou os pemedebistas não poderiam apoiar a reeleição do presidente Lula.
Falta um bom amigo – ou um assessor mais atento – que explique ao presidente da República: nada neste, ou naquele piorado mundo, fará o PMDB apoiar a reeleição se Lula estiver mal nas pesquisas.
Da mesma forma, se ele estiver excepcionalmente bem, não haverá candidatura própria que possa impedir os pemedebistas (não só eles, diga-se) de se declararem em estado de total defesa de um segundo mandato.
O GLOBO
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