terça-feira, abril 12, 2005
Lucia Hippolito:Corte e costura
"Semana passada comentei aqui a sem-cerimônia com que o presidente Lula sai por aí oferecendo a legenda do PMDB a deputados e senadores, como se o partido lhe pertencesse.
Com a mesma liberdade, Lula vai oferecendo candidaturas a governos de estado, ao Senado, sem perguntar o que pensam os diretórios regionais dos vários partidos que Sua Excelência usa e abusa.
Agora mesmo, pediu ao senador Renan Calheiros que convença o embaixador Itamar Franco a se candidatar a governador de Minas pelo PMDB.
Lula parece que se esqueceu que seu vice-presidente, José Alencar, também deseja ser governador de Minas Gerais. É, no mínimo, descortesia com seu companheiro de chapa, que tem sido tão leal.
Aliás, a vice-presidência também tem andado congestionada nos últimos tempos.
A Constituição brasileira determina que o Poder Executivo é exercido pelo presidente da República e, em suas ausências, pelo vice-presidente.
Mas parece que, além de tentar governar com 35 ministros, também aí o PT quer inovar. Só assim se explica a quantidade de candidatos a vice-presidente na chapa de Lula em 2006.
Até agora, salvo algum esquecimento, já se falou nos nomes de Ciro Gomes, Roseana Sarney, Renan Calheiros e até José Dirceu.
O último a chegar é o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, que já foi deputado federal pelo PMDB e poderia voltar ao seu partido de origem.
De um lado, Lula oferece candidaturas como quem distribui bombons. De outro, vários nomes se apresentam para compor a chapa como vice-presidente.
A composição de uma chapa para presidente da República é coisa de fina costura política. Como também é influir na composição do quadro eleitoral nos estados.
Qualquer erro nessa hora pode ser fatal e custar a reeleição.
Para quem se atrapalha todo na hora de fazer uma simples substituição de ministro, Lula está um belo problema nas mãos."
BliG Ricardo Noblat
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