sexta-feira, abril 15, 2005
CLÓVIS ROSSI:O bebê de Tina. E Terry
ROMA - Os 115 cardeais que escolherão o novo papa trancam-se a partir de domingo na casa Santa Marta, uma espécie de hotel, do qual já foram retirados os instrumentos de comunicação com o exterior.
É um "trailer" para o isolamento total a partir de segunda-feira, quando se reúnem na capela Sistina. Nada contra respeitar antigas tradições. Mas tudo contra não ouvir, antes, os ruídos do mundo.
Ruídos como a história que o jornal "Corriere della Sera" puxou ontem para a capa: Tina, 36, e Terry, 42, tiveram um filho, Michele, por inseminação artificial. Qual é a novidade? Apesar do nome, Terry também é mulher, como Tina.
Vivem juntas, como "uma família normal, que se levanta às 6h, toma conta de Michele, trabalha por turnos para que sempre haja alguém com ele", como contaram.
Para a igreja, é um pecado. Para os "severinos", um escândalo, já que casamento só pode ser de "homem com mulher". Desconfio, no entanto, que Michele estará tão bem ou até melhor com suas mães/pais do que com as famílias que os "severinos", ao contrário de Tina e Terry, chamam de normal.
Pelas características da vida moderna, é mais comum ambos os pais trabalharem, o que os obriga a confiar o filho a terceiros, do que o cuidado extremo de Tina e de Terry de se revezarem no trabalho de forma que Michele tenha sempre uma delas por perto.
Faz falta a figura paterna, no sentido de um homem? É bem provável que sim, mas não sempre. Abunda o noticiário sobre abusos, inclusive sexuais, de pais sobre filhos/filhas (até na igreja, aliás, do que dá prova os escândalos de pedofilia na igreja norte-americana).
Não tão comuns, ao contrário, são as notícias de abusos praticados pelas mães. Por duas mães juntas, nem se fala. Demonizá-las não é, pois, um ato anticristão?
Folha de S.Paulo
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