segunda-feira, março 14, 2011

GUSTAVO CERBASI O melhor pode sair caro

FOLHA DE SÃO PAULO - 14/03/11

Na hora de investir, a comparação sobre a rentabilidade não deve ser
seu único critério de decisão

VOCÊ TEM pesquisado as melhores alternativas de investimento para
multiplicar suas reservas financeiras? Já ouviu dizer que qualquer
pessoa pode investir em ações ou ficar rica com imóveis, e que títulos
de capitalização, previdência e caderneta de poupança são armadilhas
oferecidas por seu gerente?
Cuidado: acreditar na opinião do primeiro especialista que você
encontra pode lhe custar caro.
Quando um especialista faz comparações de custo e desempenho de
diferentes produtos de investimento e sugere os mais eficientes, ele
está sendo parcialmente correto em sua orientação. Realmente, os
produtos mais complexos do mercado são melhores, desde que você saiba
usá-los de forma adequada. Por exemplo, para aqueles que têm o valor
de alguns meses de salário poupados, concordo que abrir conta em uma
corretora e comprar ações sai mais barato do que investir através de
fundos de ações ou planos de previdência compostos.
Porém, a comparação de resultados raramente vem acompanhada de
explicações sobre como diversificar a carteira, como lidar com crises
agudas e como organizar as informações para apurar corretamente o
Imposto de Renda devido.
Se um incauto parte ingenuamente para as ações e não se informa
adequadamente, corre o risco de perder muito dinheiro com a quebra de
uma empresa, de vender desesperadamente com prejuízo em um momento não
recomendável ou de não cumprir uma obrigação fiscal e ser multado por
isso.
Também devemos levar em consideração o tempo perdido para estruturar
uma boa carteira de investimentos, assim como o tempo perdido para
avaliar, para negociar, para oficializar a compra de um imóvel -o
mesmo vale para a venda.
A comparação de rentabilidade de investimentos não deve ser seu único
critério de decisão. Avalie seu conhecimento sobre o assunto e seu
tempo para administrar o investimento.
Se fizer isso, pode ser que você conclua que, por exemplo, pagar taxas
de administração nos fundos é relativamente barato pelo serviço
contratado, que inclui a diversificação de ativos, a condução de uma
estratégia consistente, a gestão ativa que substitui ativos ruins por
melhores e o recolhimento de tributos sobre lucros.
Muitos ainda perceberão que, mesmo tendo um bom serviço de gestão nos
fundos oferecidos pelos bancos, não é fácil decidir quanto investir
por mês, durante quanto tempo e como lidar com a inflação e com os
benefícios tributários que podemos ter.
Para essas pessoas, não sairá caro perder um pouco da eficiência dos
investimentos e pagar a taxa de carregamento de um plano de
previdência privada. Essa é a taxa que remunera o serviço de
orientação do corretor de seguros e previdência, que estuda nossas
necessidades e modela o plano mais adequado para atendê-las.
Não quero convencê-lo, leitor, de que produtos mais caros são mais
eficientes, nem desestimulá-lo a investir bem. Porém, aumente a
complexidade de seus investimentos aos poucos. Se, com um produto
simples e bem orientado você se sente mais seguro, ele será mais
eficaz na busca de seu objetivo financeiro, mesmo que esse objetivo
seja menor em comparação com o que seria possível alcançar com um
produto que o deixe apavorado diante de qualquer alteração de humor do
mercado.
Pouco importa se você quer investir em ações, em renda fixa ou em
imóveis, caso ainda não tenha escolhido o tipo de serviço financeiro
que quer contratar. Minha opinião é que os brasileiros enriquecerão
nos próximos anos investindo em renda variável -principalmente em
ações e em imóveis. Se você não se sente seguro em comprá-los
diretamente, vá atrás dos fundos. Se quem o orienta não lhe apresenta
uma estratégia convincente, prefira planos de previdência.
No atual estágio da educação financeira dos brasileiros, um caro plano
de previdência privada ainda é a melhor solução para a maioria da
população, desde que se faça uma boa pesquisa entre as diferentes
ofertas desse tipo de produto.