sábado, agosto 29, 2009

VEJA Carta ao Leitor



Marina é uma boa notícia

Alberto César Araujo
Devastação 
Madeira cortada ilegalmente em Santarém, no Pará: o tipo de assunto 
que deve sair das franjas da política para o centro do debate nacional

Em meio a tantas reprises de má qualidade no universo político brasileiro, surgiu uma novidade positiva: a mais do que provável candidatura da senadora Marina Silva à Presidência da República, pelo Partido Verde. É uma boa-nova não pelo simbolismo da mulher negra e de origem humilde, mas por um aspecto fundamental de sua agenda. Como afirma na entrevista das páginas amarelas desta edição, ela quer ver a questão ambiental alçada ao centro do debate nacional. Marina foi ministra do Meio Ambiente do governo Lula e, como tal, sofreu críticas pesadas, dentro e fora do Planalto, por ser excessivamente rigorosa na concessão de licença a projetos de hidrelétricas e estradas em áreas de preservação. Acusada de retardar e inviabilizar obras essenciais para o desenvolvimento do país, ela entrou na alça de mira da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tombou como uma árvore amazônica e saiu do Partido dos Trabalhadores. Marina talvez tenha mesmo uma visão simplista, messiânica até. Ela, contudo, está coberta de razão quando diz que o problema ambiental deve ocupar um lugar de destaque na política. O primeiro efeito de sua candidatura deverá ser benéfico nesse sentido: por meio de sua campanha, ou motivados por ela, milhões de brasileiros poderão informar-se melhor sobre assuntos como a destruição das florestas, a poluição dos oceanos e, consequência disso tudo, o aquecimento global, ameaça maior à sobrevivência da espécie humana.

Os outros potenciais candidatos à Presidência dedicam-se, agora, a verificar quantos votos Marina poderá tirar de cada um. É compreensível que esta seja a sua primeira preocupação. Mas, num segundo momento, para enfrentar uma candidata verde cheia de possibilidades, eles serão obrigados a reforçar em sua própria campanha a atenção à ecologia e ao desenvolvimento sustentável. E, para que garantam Marina como aliada num hipotético segundo turno, os dois candidatos que saírem vencedores do primeiro escrutínio terão de alinhavar com ela um programa de preservação ambiental que não se limite às boas intenções. Nesse processo, não é improvável que a própria Marina amadureça e se torne mais maleável. Ah, sim, e ela é imaculadamente honesta. Sua candidatura, de fato, é uma boa notícia.

Lailson Santos
Marina Silva 
Ela está longe de ser uma reprise de má qualidade no universo partidário. É até honesta, imagine só...