sábado, julho 25, 2009

VEJA Recomenda


DVDs

Manuel Vidal/Latinstock


Claudio Abbado: regência com gestos econômicos e precisos

 

JOHANN SEBASTIAN BACH: BRANDENBURG CONCERTOS 1-6, Claudio Abbado e Orquestra Mozart (Music Brokers)

• Em 2002, o regente italiano Claudio Abbado deixou a direção artística da Filarmônica de Berlim, uma das mais prestigiosas orquestras do mundo – e se entregou a projetos ainda mais ambiciosos, como a Orquestra Mozart, criada em 2004 com músicos de câmara do primeiro time: a flautista Michala Petri, o cravista Ottavio Dantone e o violinista Giuliano Carmignola, entre outros. Há dois anos, esse grupo de virtuoses excursionou pela Itália com um repertório calcado nos seis Concertos de Brandemburgo, de Johann Sebastian Bach. A performance é curiosa pelo posicionamento dos instrumentistas – quase todos tocam de pé – e pelos gestos econômicos e precisos de Abbado. A música é sublime.

 

Divulgação
Delírios: o encontro do querubim com o paparazzo

 

DELÍRIOS (Delirious, Estados Unidos, 2006. Califórnia)

• Steve Buscemi, com aquele jeito de quem está à beira do desespero, é Les, um paparazzo de terceira linha que mora num apartamento horrível e mal consegue sobreviver. Ainda assim, ele parece ter mais sorte do que o jovem sem-teto Toby, a quem resolve dar abrigo. Interpretado por Michael Pitt (de Os Sonhadores), um ator superlativo e que tira aqui proveito sutil de sua cara de querubim que caiu do teto da igreja, Toby é uma figura tão doce que não há como se defender dele – mas essa fraqueza é sua força. Muito cômico, e também profundamente triste, o filme do diretor Tom DiCillo (que no início dos anos 90 foi um nome festejado) é uma pequena obra-prima que passou quase despercebida nos cinemas.

 

Divulgação
A ficção científica Cáprica: antecedentes da aniquilação
da humanidade

 

CÁPRICA (Caprica, Estados Unidos, 2009. Universal)

• Depois de quatro temporadas sensacionais, a série de ficção científica Battlestar Galactica acabou – mas não vai deixar órfãos seus admiradores. Neste longa, que servirá de ponto de partida para um novo seriado, o mesmo time de criadores volta 58 anos no tempo em relação à narrativa original para mostrar como os terríveis eventos descritos nela – a aniquilação quase total da humanidade em razão de um ataque de máquinas inimigas e o périplo dos sobreviventes pelo espaço – começaram de maneira fortuita. Não é preciso conhecer Battlestar para acompanhar o enredo; mas quem o conhece há de se maravilhar com a explicação. Pela amostra, é seguro apostar que vêm por aí mais temporadas excelentes.  

 

LIVROS

Andreu Daumau/Corbis/Latinstock


Haruki Murakami:
delírios noturnos
em Tóquio

 

APÓS O ANOITECER, de Haruki Murakami (tradução de Lica Hashimoto; Objetiva/Alfaguara; 208 páginas; 39,90 reais)

• A jovem Mari Asai perde o último trem para casa e decide passar a noite lendo em um café – mas acaba se envolvendo com figuras bizarras da madrugada de Tóquio: um músico de jazz que já tentou namorar sua irmã (Eri, uma modelo que há meses vive em um estranho coma), uma gerente de hotel, uma prostituta chinesa brutalmente espancada. Mais badalado escritor japonês contemporâneo, Haruki Murakami, 60 anos, é mestre na composição de atmosferas de delírio – muito apropriadas à ação noturna deste romance. Após o Anoitecer também traz uma visão sombria da tecnologia: há um celular descartado que insulta os passantes e uma televisão que abre portais para mundos sinistros. Leia trecho.

 

SELEÇÃO NATURAL, de Otavio Frias Filho (Publifolha; 224 páginas; 34 reais)

• Diretor de redação do jornal Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho reúne nesta coletânea 25 artigos e ensaios de cultura e política, publicados entre 1986 e 2008. É rara a versatilidade que o autor demonstra não só na escolha dos temas, mas sobretudo na maneira de abordá-los. Otavio toma os filmes da série de ficção científica Alien como mote para uma análise de fôlego sobre o "conflito entre a natureza e os produtos da cultura técnica" – e termina seu artigo sobre a Ilíada, um clássico fundador da literatura ocidental, com uma receita de churrasco que Homero inseriu em seu poema épico. Os artigos políticos incluem"Introdução à história sentimental do tucanato", um balanço do primeiro governo Fernando Henrique, publicado em 1998 – e uma desassombrada carta aberta, de 1991, ao então presidente Fernando Collor, que tentava intimidar a Folha de S.Paulo com processos. É uma pena que Otavio tenha deixado de escrever com regularidade em seu jornal.

 

Cinemateca VEJA

Um executivo de um dos grandes fabricantes americanos de cigarros não suporta mais conviver com os segredos sujos de sua indústria e quer divulgá-los – mas teme que a destruição venha a ser mútua. Um produtor de um programa jornalístico convence-o a revelar o que sabe e garante que vai protegê-lo – mas pessoas acima dele não estão dispostas a cumprir a promessa. O Informante, que a Cinemateca VEJA lança neste sábado no país (exceto nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro), é uma raridade: um suspense que parte não de um crime, mas de um dilema ético, e que tira sua força da execução brilhante do diretor Michael Mann e das interpretações vívidas de Russell Crowe e Al Pacino.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, nesta semana: Clint Eastwood estrela e dirige o sinistro O Estranho sem Nome.



Como comprar a Cinemateca VEJA

Em bancas, livrarias e redes de supermercados, a 13,90 reais o exemplar avulso. Para assinar, ligue 3347-2180 (Grande São Paulo) ou 0800-775-3180 (outras localidades), de segunda a sexta-feira, das 8 às 22 horas. Pela internet, acesse www.assineabril.com