sábado, junho 27, 2009

O transplante de Steve Jobs, da Apple

da Veja

O transplante de Jobs

O fundador da Apple recebeu um novo fígado há dois 
meses. As dúvidas sobre seu estado de saúde permanecem


Carlos Rydlewski

Monica M. Davey/Corbis/Latinstock
O BOM PUPILO Na ausência de Jobs, e sob 
a direção do discreto Tim Cook (à esq.), as ações da Apple se valorizaram 60%


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Seis meses atrás, um Steve Jobs macilento – e como sempre obcecado pelo sigilo, quer na vida pessoal, quer na profissional – licenciou-se da presidência da Apple para tratar da saúde. A extensão de seus problemas não foi revelada naquele momento (falou-se apenas num "desequilíbrio hormonal") e continua a ser segredo. Mas um fato veio a público na semana passada: Jobs recebeu um transplante de fígado. A operação aconteceu em abril, no Methodist University Hospital, em Memphis, no Tennessee. Segundo seus médicos, ele passa bem. "Podemos dizer que o senhor Jobs tem excelente prognóstico", disse James Eason, chefe do setor de transplantes do hospital, depois que a operação foi revelada por uma reportagem do Wall Street Journal. Jobs foi visto circulando no início da semana passada na sede da Apple, em Cupertino, na Califórnia. Sua licença médica expira no fim de junho e é possível que ele volte ao escritório nos próximos dias – ainda que para um trabalho de meio expediente.

A notícia da cirurgia abriu um debate nos Estados Unidos. Como as filas para transplantes são longas, especulou-se se Steve Jobs teria sido privilegiado. Não há sinal de que isso tenha acontecido. O Methodist Hospital tem as filas mais rápidas para esse tipo de intervenção cirúrgica nos Estados Unidos. Suas listas de espera são ordenadas conforme a gravidade de cada caso. Os pacientes em estado mais crítico são puxados para o topo. Segundo os médicos, essa era a situação de Jobs. Ele apresentava o quadro mais grave no grupo de pessoas com o mesmo tipo sanguíneo. O que não foi explicado é se o colapso de seu fígado tem alguma relação com o tipo raro de tumor no pâncreas tratado em 2004. Em outras palavras, se foi um caso de metástase.

As dúvidas que ainda restam sobre a doença de Jobs compõem outra frente de polêmica. Especialistas afirmam que um maior grau de transparência no trato do assunto é devido ao mercado e aos investidores. A ligação entre Jobs e a Apple é umbilical. Inovações como o iPod e o iPhone – aparelhos que redefiniram setores inteiros da economia – são, essencialmente, produtos de sua cabeça. Daí o temor (fundamentado) de que sua morte ponha em risco o futuro da empresa. Nos últimos seis meses, a Apple foi comandada pelo discreto Timothy Cook, o segundo na hierarquia administrativa. Nesse período, suas ações tiveram valorização de 60%. Há duas semanas, Cook capitaneou o lançamento do iPhone 3GS, o novo modelo do celular (que deve chegar ao Brasil em agosto). No primeiro fim de semana, foi comercializado pouco mais de 1 milhão de aparelhos – um enorme sucesso. Eficiência, contudo, não basta para fazer um sucessor de Jobs – o homem que, mais do que qualquer outro, vem dando rosto à cultura digital neste começo de século.