sábado, abril 26, 2008

A prisão do advogado Ricardo Tosto

Tosto foi tostado

Advogado famoso é preso sob a acusação de usar seu cargo
no BNDES para liberar empréstimos em troca de propinas


Heloisa Joly

Mario Rodrigues

Ricardo Tosto, sócio de um dos escritórios mais caros de São Paulo: bon vivant assumido


O advogado paulista Ricardo Tosto é um dos mais requisitados e caros do país. Seu escritório, aberto em 1991, fatura 50 milhões de reais por ano. Por causa de seu portfólio de clientes, ele foi apontado pela revista Veja São Paulo como umas da estrelas da advocacia nacional. Na semana passada, Tosto foi preso pela Polícia Federal juntamente com outras nove pessoas, sob a acusação de participar de uma quadrilha que cobrava propina para liberar financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O advogado integra o conselho administrativo do banco desde agosto do ano passado por indicação da Força Sindical. De acordo com o inquérito, Tosto e seus supostos comparsas exigiriam de 2% a 4% do valor total dos empréstimos para liberar os recursos da instituição. O esquema teria funcionado em três operações. Duas envolveram a cadeia varejista Marisa e outra a prefeitura de Praia Grande, em São Paulo. O grupo teria abocanhado 21 milhões de reais nessas transações. Além de Tosto, outros dois presos têm ligação com a Força Sindical. Por isso, a Polícia Federal suspeita de que o deputado Paulinho da Força (PDT-SP), presidente da central, esteja envolvido no esquema de corrupção.

A suspeita sobre a cúpula da organização foi reforçada por escutas telefônicas feitas pelos policiais durante as investigações. Em uma delas, dois dos presos comentam a influência de Tosto. "Dentro do PDT e com Paulinho, ele pode muito", diz um deles. Outras gravações mostram reuniões sendo marcadas no escritório do advogado. Como é deputado, Paulinho tem foro privilegiado. Por isso, os policiais precisariam de autorização do Supremo Tribunal Federal para grampeá-lo. Mas preferiram não fazer isso.

Paulinho da Força: ele está no rol dos suspeitos
da PF

A Polícia Federal descobriu o esquema de corrupção quando investigava uma quadrilha que explorava prostitutas e tráfico de mulheres. Bon vivant assumido, colecionador de vinhos caros e charutos cubanos, Tosto é apontado como um dos clientes dos acusados de lenocínio. Seus amigos suspeitos também estão nessa. Todos se reuniriam em um flat em São Paulo, para fazer programas com garotas. Os encontros chegavam a custar 2 000 reais. A polícia investiga se depois de passar algum tempo no flat, as moças, boa parte delas gaúchas, eram levadas para outros países. Os sócios do advogado afirmam que as acusações feitas pela polícia não têm fundamento. Segundo eles, como Tosto não tinha poder decisório no BNDES, os empréstimos não passavam por seu crivo. O banco confirma essa versão.