sábado, agosto 25, 2007

CLÓVIS ROSSI

Sarkozy, Lula e Brad Pitt
SÃO PAULO - Demorou, mas acabei me rendendo à inevitabilidade do marketing político como força eventualmente (ou geralmente) central na decisão de eleições.
Preferiria mais conteúdo, claro, mas também preferiria que o Palmeiras fosse campeão todos os anos. Como não dá, relaxo e gozo, status que agora goza de bênção ministerial.
A foto do presidente Nicolas Sarkozy de "pneuzinho" e sem ele, após o Photoshop, me faz temer que, mais cedo que tarde, terei que relaxar e gozar também ante a rendição da política ao slogan de um refrigerante ("Sede não é nada, imagem é tudo"). Na política, será "cérebro não é nada, pneuzinho (ou ausência dele) é tudo".
O mais triste nessa história é que Sarkozy tem cérebro. Pode-se gostar do que tem dentro ou não, o que é discussão para metro e meio. A maioria (relativa) dos franceses gostou -e continua gostando, segundo as pesquisas de opinião.
Não precisaria, portanto, do retoque na linha da cintura para fazer sumir a leve protuberância. Até porque não consta que trabalhe sem camisa no Eliseu. É verdade que houve um presidente que, em outro gabinete importantíssimo, nem sempre tinha as calças devidamente compostas, mas também é verdade que a maneira como levava ou deixava de levar as calças não o impediu de presidir um "boom" econômico como nunca antes nest... ops, naquele país.
Duvido até que Sarkozy tenha pedido o Photoshop. É mais provável que tenha sido excesso de zelo do jornalismo chapa branca, que é capaz de coisas inacreditáveis, como se tem visto por aqui. Esse tipo de jornalismo prefere passar Photoshop nos fatos para "mensaleiro" virar vítima de conspiração e para não mostrar as claras protuberâncias (ou pecados bem mais graves) dos governantes.
Nesse ritmo, Lula ainda vai ficar parecido com Brad Pitt.