segunda-feira, setembro 25, 2006

Dossiê deve derrubar mais um

Dossiê deve derrubar mais um

Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo
25/9/2006

Indicado por Valdebran tem cargo na Funasa ameaçado

O dossiê Vedoin, que originalmente se destinava a atingir candidatos tucanos, pode derrubar mais um nas fileiras petistas. Evandro Vitório, coordenador regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em Mato Grosso, está com o cargo ameaçado porque teria sido indicado pelo empreiteiro Valdebran Padilha, um dos petistas que foram presos em São Paulo com R$ 1,75 milhão em dinheiro destinados a pagar Luiz Antônio Vedoin. A direção da Funasa ainda não confirmou a mudança, mas em Cuiabá correm informações de que Vitório deverá ser substituído por Edson Pertili, funcionário concursado da fundação. Pertili já coordenou a Funasa/MT no governo Fernando Henrique Cardoso.

A Polícia Federal constatou que há vários anos Valdebran exerce grande influência na Funasa do Estado. O empreiteiro, que era responsável pela coleta de doações a campanhas do PTmato-grossense, foi suspenso pela direção do partido depois que foi preso em São Paulo.

As suspeitas sobre as ligações de Valdebran na fundação foram reforçadas a partir de denúncias feitas à PF por um ex-coordenador do órgão vinculado ao PT. Ele revelou que o empreiteiro teria sido favorecido em negócios da Funasa/MT. O economista Evandro Vitório foi procurado pelo Estado ontem, não retornou as ligações.

A operação que desbaratou a negociação do dossiê Vedoin foi deflagrada em Cuiabá, em 14 de setembro, quando a Polícia Federal prendeu Paulo Roberto Trevisan, tio de Luiz Antônio Vedoin, o chefe da máfia dos sanguessugas - esquema de venda superfaturada de ambulâncias, usando verba do orçamento federal. Paulo Roberto ficara encarregado de entregar o material a Valdebran e Gedimar Passos - o outro petista preso em São Paulo, na ocasião em que foi apreendido o R$ 1,75 milhão. Vedoin foi preso no dia 15, em Cuiabá, a partir de indícios colhidos em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. Em depoimento, Gedimar declarou que Freud Godoy, então assessor direto do presidente Lula, era o elo da negociação do dossiê. A revelação derrubou Freud e envolveu o governo no caso.

Outros petistas acabaram suspeitos no caso, alguns com participação no comitê da reeleição: Jorge Lorenzetti, então coordenador da campanha de Lula em Santa Catarina; Oswaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho, que dirigia o setor de informações da campanha; Hamilton Lacerda, coordenador de Aloizio Mercadante em SP; e Expedito Veloso, então diretor do Banco do Brasil. Todos saíram de suas funções e cargos. Também o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, foi afastado da coordenação da campanha.