Ai, ai. Tenho aqui imaginada uma seqüência de imagens, fatos,
realidades, que eu poria no ar se interferisse na campanha de Alckmin
à Presidência. Nada além de um ou dois minutos do tempo enorme de que
ele disporá. A primeira, claro, é aquela em que Bruno Maranhão, tal
qual a liberdade guiando o povo no quadro de Delacroix, toma o
Congresso e sai quebrando tudo. Com dinheiro público. Outra, seguindo
sugestão do presidente Lula, seria um dos muitos depoimentos da CPI.
A terceira mostraria os soldados do protoditador Evo Morales tomando
a Petrobras no braço, com o apoio escancarado de Hugo Chavez. Na
prática, os dois deram um truque no “companheiro” Lula. Não obstante,
nesta quarta, na Venezuela, o Babalorixá de Banânia chamou o ditador
venezuelano de “meu querido companheiro” e Evo Morales, que roubou a
Petrobras, de “meu amigo”. Foi mais longe: apoiou explicitamente o
pleito da Venezuela para a cadeira rotativa no Conselho de Segurança
da ONU. Chávez, como todo mundo sabe, anda estreitando relações com o
Irã, hoje um quase paria internacional porque suspeito, e nem o
governo do país nega, de estar desenvolvendo um programa nuclear
secreto. Lula afaga aqueles que traíram o Brasil de forma vergonhosa.
Ele estava na fazendola de Chávez para oficializar a entrada da
Venezuela no Mercosul, o que, segundo a maioria dos analistas —
exceção feita aos que comungam dos ideais “bolivarianos” —, vai
trazer mais prejuízos do que benefícios. De todo modo, o bloco, como
tal, é mesmo uma ficção. Chávez tem usado o dinheiro farto oriundo do
petróleo venezuelano para tentar comprar a simpatia dos vizinhos.
Ontem, por exemplo, o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, acusou
a Argentina e o Brasil de “hipócritas” e de “práticas
protecionistas”. Ameaçou cair fora do Mercosul. O que fez Chávez, o
mais novo sócio do clube? Anunciou que seu país vai comprar US$ 100
milhões em bônus do Paraguai. Entenderam? Nem uísque falsificado
obedece mais à liderança de Lula. Vamos lá: na metade esquerda da
tela, soldados ocupando a Petrobrás no muque e brasileiros sendo
perseguidos; na metade direita, “meu querido companheiro Evo
Morales”; na metade esquerda, Bruno Maranhão guiando o povo; na
metade direita, ele reunido com Lula na direção nacional do PT. Na
metade esquerda da tela, a desordem e a invasão de propriedades
privadas; na direita, a ordem e o progresso. É fácil e rápido