sexta-feira, setembro 30, 2005

CLÓVIS ROSSI O país do baixo clero

FOLHA DE S PAULO
 SÃO PAULO - Vistas as coisas com mais vagar, nota-se que o baixo clero espraiou-se muito além daqueles 300 que elegeram Severino Cavalcanti presidente da Câmara.
Aldo Rebelo, o novo presidente, não é baixo clero? Afinal, o perfil dele traçado pela Folha ontem menciona um "colecionador de fracassos". Qual é a opinião relevante que se ouviu de Rebelo em sua longa militância política? Você aí tem a mais remota idéia de que país ele construiria se assumisse a Presidência algum dia?
Seu partido, nas propagandas televisivas que casualmente estão ou estiveram no ar, diz-se "o partido do socialismo". Mas, na hora do vamos ver, a única coisa socializada pelo governo de que faz parte o PC do B é o caixa dois. Nada contra o socialismo, é bom ressalvar, mas tudo contra a incoerência total, a mentira.
A difusão maciça do baixo clero foi até fotografada: os deputados pilhados comemorando a vitória de Rebelo são, quase todos, do baixo clero, inclusive aqueles que a mídia, piedosamente, poupa do rótulo. Exemplo: João Paulo Cunha, antecessor de Rebelo e agora na lista de cassáveis, quando presidente da Câmara contratou uma penca de funcionários para as lideranças, sem concurso, e se orgulhava disso.
Mesmo quando admitia que, se todos os contratados comparecessem no mesmo dia ao local de trabalho, nem caberiam. Não é o típico comportamento de baixo clero?
O governo, de modo geral, é baixo clero, se por essa expressão se entender políticos cuja opinião é inexistente. Afinal, o presidente Lula elegeu-se à base do que ele próprio designaria depois como "bravatas". Eliminadas as "bravatas", sobra o quê? Uma catarata de frases feitas, um festival do lugar-comum e algumas graves escorregadelas, tipo "minha mãe nasceu analfabeta", como se todas as mães (e pais e filhos e filhas) também não nascessem assim.
E assim navegará o país na sua crônica mediocridade e na sua eterna lama.