sexta-feira, julho 31, 2009

Dora Kramer Tigre de papel


Tigre de papel

Dora Kramer - Dora Kramer
O Estado de S. Paulo - 31/07/2009

Muito provavelmente quando o recesso acabar o presidente do Senado, José Sarney, já terá conseguido convencer seus aliados a desistir da molecagem de usar as representações partidárias junto ao Conselho de Ética para retaliar quem identifica como inimigo.

A ideia não é denunciar infrações, mas tentar pôr de joelhos o adversário. Tanto é que, informa a tropa de choque, o DEM e o PT não serão alvos de representações, porque não assinaram os pedidos de abertura de processos contra Sarney, apresentados pelo PSDB e pelo PSOL.

Decisão que contraria a ameaça do suplente Wellington Salgado: "Já que pedir emprego é falta de decoro, vamos ver nos últimos seis anos todo mundo que fez isso aqui no Senado." É a prova da bravata, pois "todo mundo" incluiria o DEM, o PT, o PTB, o PDT e até o PMDB.

O senador José Sarney deveria ser a última pessoa interessada nessa guerra que seus aliados ameaçam. Primeiro, foram mexer com o senador Artur Virgílio, cujo senso de medida é inversamente proporcional ao tamanho dos desafios que recebe.

Em segundo lugar, o líder do PSDB tem duas explicações a dar ao Conselho de Ética, ambas já feitas ao plenário da Casa diariamente ao longo de duas semanas.

Seus pecados ele assumiu. Contratou um funcionário fantasma para atender às demandas de uma amizade e teve a conta de hotel em Paris paga pelo então diretor-geral, Agaciel Maia.

Se os processos prosperarem e o conselho onde os governistas são maioria achar por bem condená-lo, pode fazê-lo. Mas ficará apertado para arquivar as representações contra Sarney, que carrega nas costas um caminhão de contas em aberto. A saber: mentira ao Parlamento, nepotismo, uso de ato secreto para beneficiar parente, tráfico de influência no caso do neto intermediário de operações de crédito consignado para funcionários, sonegação de impostos, desvio de dinheiro de empresas públicas (Petrobrás e Eletrobrás) para as contas das empresas da família Sarney.

Se quem deve teme, quem deve mais teme muito mais.

No cotejo, Sarney e o PMDB levam enorme desvantagem. Por essa e mais algumas outras é que não é verossímil essa história de retaliação. A menos que o partido tenha enveredado pelo perigoso terreno do perdido por um, perdido por mil.

Mas não parece. Há muito cálculo ali. Indicativo firme de que estamos diante de uma fanfarronice é o fato de o grupo de Michel Temer ter "aceitado" entrar numa briga de rua com o PSDB.

Esse pessoal, na maioria deputados, manda no PMDB, está longe da confusão e assim pretende ficar. Temer e companhia disseram sim porque, nesta altura, dizer não só elevaria a pressão. O PMDB, que já briga com o PSDB e o PT, voltaria a brigar entre si em público.

A cúpula aprendeu a conhecer a fundo a teimosia e os métodos do líder do partido no Senado, Renan Calheiros. Manteve a fleuma quando o plano de eleger Sarney quase põe em risco a eleição de Temer para a presidência da Câmara, olhou do camarote o desenrolar da crise nestes cinco meses no Senado e agora fez o gesto de aceitação no limite do indispensável.

A ala do Senado não tem mais nada a perder, mas o grupo da Câmara tem muito a ganhar.

Quer a vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff, quer transitar livremente também pelos palanques da oposição por meio de alianças nas eleições estaduais e, sobretudo, não quer atrito com os dois partidos que potencialmente representam a porta da esperança de acesso à máquina pública.

Convenhamos, dá para acreditar que essa turma vai pôr o pescoço a prêmio para ajudar o grupo adversário que recentemente não teve com os colegas deputados nenhuma consideração? Só vendo.

O finado Antônio Carlos Magalhães costumava dizer que faltava "coragem física" a Sarney. É um traço de personalidade a ser levado em conta na análise de possibilidades sobre o caminho a seguir: o recuo estratégico ou o avanço insano na companhia de Renan Calheiros e sua intrépida trupe de suplentes.

?Por maior?

Se tiver mesmo a chance de concorrer em 2010 como vice de Dilma Rousseff, o deputado Michel Temer precisa se entender muito bem com Orestes Quércia.

Sua aliança com o governo federal o elegeu presidente da Câmara. Mas quem o elege deputado é a máquina do PMDB de São Paulo, controlada por Quércia e prometida a José Serra.

Dois coelhos

Caso o nome de Ciro Gomes entre na próxima pesquisa de intenções de voto para 2010 na lista de candidatos ao governo de São Paulo, o Planalto conta criar um fato político.

Ao mesmo tempo favorável a Dilma e desfavorável ao PSDB no Estado. Saindo do rol dos pretendentes a presidente e entrando na pesquisa estadual, Ciro aumentaria os índices da ministra e reduziria o favoritismo numérico dos tucanos paulistas.



Celso Ming-Parar pra ver


O Estado de S. Paulo - 31/07/2009
 

 

 
Desta vez ficou claro que os responsáveis pela política monetária (Copom) preferem esperar para ver. Em princípio, não pretendem intensificar o movimento de afrouxamento dos juros básicos (Selic) enquanto não se esgotarem os efeitos da derrubada acumulada de 5 pontos porcentuais ao ano desde janeiro. É o que está na Ata do Copom.

(A ata, que desta vez tem oito páginas, é mais do que um documento burocrático. É um dos instrumentos pelos quais o Banco Central - BC - conduz as expectativas dos "fazedores de preços", para que não forcem a mão nas remarcações e depois se sujeitem a encalhes de mercadoria.)

A maioria dos analistas do mercado financeiro que se manifestaram após a divulgação da ata entendeu que a pausa será longa. O Copom relembra que o efeito dos juros sobre a atividade econômica leva de seis a nove meses para acontecer. Como os cortes começaram em janeiro, alguns resultados já estão à mostra e o conjunto deles provavelmente não se esgotará antes do primeiro trimestre de 2010.

Assim, parece mais provável que o BC considere encerrado o atual ciclo de distensão e mantenha inalterado ao longo deste ano o nível da Selic, de 8,25%. 

A ata enfatizou que "alguns membros do Comitê entenderam que haveria respaldo para a possibilidade de manter inalterada a taxa básica de juros (de 9,25% ao ano) já nesta reunião (realizada em 22 de junho)". Mas eles acabaram votando com a maioria pelo corte de 0,5 ponto. E esse pormenor foi entendido como indicação de parada à vista. Mas não foi explicado por que, diante das ponderações dos mais cautelosos, não prevaleceu a hipótese de um corte de 0,25 ponto porcentual.

Embora a manifestação da autoridade monetária seja de parar por aí, não se pode afirmar com certeza que a porta para mais um corte nos juros esteja definitivamente fechada neste ano. Se, por exemplo, a inflação apontasse para algum ponto muito abaixo do centro da meta, o Banco Central poderia rever essa disposição. O IGP-M, por exemplo, está negativo em 12 meses (-0,67%).

No entanto, talvez o Banco Central já esteja preocupado com que ocorra o contrário, ou seja, que haja nova estocada da inflação. Como de hábito, o Copom não se pronunciou sobre o eventual impacto que poderia ser exercido pela forte expansão dos gastos públicos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não convence quando garante que o governo conseguirá observar o compromisso de um superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) de 2,5% do PIB neste ano. Se esse estouro fiscal acontecer, sobrará uma rebarba e tanto para ser aparada pela política de juros.

Há mais um ponto a conferir. Em nenhum momento o Copom mencionou preocupações de que as tensões eleitorais começam a se misturar com as de natureza econômico-financeira. Tampouco acolheu reiteradas observações públicas do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de que a curva futura dos juros já sofre desvios (para cima) por causa das incertezas sobre o que será a política econômica do governo que sucederá ao atual.

Se o Copom não julgou relevante esse fator, ficam para serem explicadas as razões de Meirelles, ele que também se insinua como candidato ao governo de Goiás, por um partido a que ainda terá de se filiar. 



Confira

Por que a pressa? - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, quer que o novo marco regulatório do petróleo seja aprovado pelo Congresso Nacional em regime de urgência constitucional.


A Comissão de ministros vem trabalhando no projeto das novas regras do pré-sal há mais de um ano. Pelo que apontam seus balões de ensaio, mudou seus pontos de vista mais de uma vez e não parece segura do que pretende.

E, no entanto, deseja que o Congresso engula o bolo preparado sabe-se lá com que pressupostos e tome decisões dessa envergadura em 90 dias.

Merval Pereira -A nova classe


O Globo - 31/07/2009
 

A tomada de poder no Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) — que administra os R$ 158 bilhões de patrimônio do Fundo do Amparo ao Trabalhador (FAT) —, promovida pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, é apenas mais um dos muitos movimentos que vêm sendo feitos para ampliar o poder dos sindicalistas no governo.

Para evitar que representantes dos empresários assumissem o controle do Conselho no próximo período, que abarca anos eleitorais, o ministro Lupi, oriundo do Sindicato dos Jornaleiros, ajudou a criar uma confederação empresarial, a Confederação Nacional de Serviços, entidade reconhecida oficialmente apenas em dezembro passado, e que tem sua representatividade contestada pelas federações da área.

O novo presidente, Luigi Nese, foi eleito com o voto dos representantes do governo e dos trabalhadores, mas não teve o apoio das confederações que teoricamente representa, as dos empresários, que abandonaram a entidade em protesto.

Não se tratava apenas de tomar conta desse que é um dos maiores caixas oficiais, mas também de impedir que um representante da Confederação Nacional da Agricultura, presidida pela senadora do DEM Kátia Abreu, estivesse à frente do Codefat em 2010.

O governo Lula vem ampliando sistematicamente o poder dos sindicatos, como mostram pesquisas como as do Centro de Pesquisas e Documentação (CPDoc) da Fundação Getulio Vargas do Rio, realizadas pela cientista política Maria Celina d'Araujo.

Uma, sobre a composição dos ministérios durante a Nova República, mostra que, até o governo Lula, apenas 11,5% dos ministros tinham algum vínculo com sindicatos de trabalhadores, e só 5,8% participaram de centrais sindicais.

No governo Lula, já houve momento em que 27% de seus ministros eram vinculados a sindicatos de trabalhadores.

Outra pesquisa, sobre os ocupantes dos cargos de Direção e Assessoramento (DAS 5 e 6) e de Natureza Especial (NES) no governo federal, na administração pública direta, revela que 45% dos indicados são ligados à vida sindical.

A "legalização" das centrais sindicais no ano passado ficou conhecida como "pelegalização", pois a lei sancionada pelo presidente Lula excluiu uma emenda do deputado do PPS Augusto Carvalho, que tornava opcional a contribuição sindical compulsória equivalente a um dia de trabalho, e vetou a fiscalização do Tr i b u n a l d e C o n t a s d a União "em nome da autonomia sindical".

Uma desculpa esfarrapada que não resiste a uma análise, pois a liberdade sindical não existe enquanto o governo não acabar com a exigência da unicidade sindical, e a fiscalização precisa ser feita porque, oriundo do imposto compulsório, o dinheiro é público, porque recolhido com base em um poder que só o Estado tem. Essa "autonomia" vale cerca de R$ 100 milhões anuais para as centrais sindicais.

A legalização das centrais sindicais, aliás, foi o que deu motivos para o início do plano de assumir o controle do Codefat. Alegando que as centrais tinham que ter representação no Conselho, Lupi aumentou duas vagas em cada grupo de representação.

Só que as novas vagas dos empresários foram preenchidas por confederações criadas com o incentivo do Ministério do Trabalho.

Essa verdadeira "república sindicalista" foi sendo moldada à medida que decisões ampliaram o espaço de atuação e revitalizaram as finanças do sistema sindical brasileiro.

No governo Lula, uma medida em especial reforçou o poder de fogo das centrais sindicais: a autorização para que empréstimos fossem dados com desconto na folha de pagamento, com a intermediação dos sindicatos, o famoso crédito consignado.

O exemplo mais gritante do sindicalista da "nova classe", na definição do sociólogo Francisco de Oliveira, fundador e hoje dissidente do PT, é aquele que atua no controle dos fundos de pensão.

Entre os maiores, se destaca o Previ do Banco do Brasil, que tem participação em 70 empresas e direito a indicar nada menos que 285 conselheiros, com patrimônio de mais de R$ 100 bilhões.

Quem o preside desde o início do governo Lula é o ex-trotskista Sérgio Rosa, oriundo da Confederação Nacional dos Bancários, cujo perfil de gestor implacável de resultados e poucos sorrisos a revista "Piauí" destrincha na próxima edição.

A reportagem de Consuelo Diegues revela detalhes das relações de amizade de Rosa com membros do governo Lula oriundos do sindicalismo bancário e do movimento trotskista, como os ex-ministros Luiz Gushiken e Ricardo Berzoini (hoje presidente do PT), que o indicaram para dirigir a Previ.

Os bastidores das negociações nebulosas envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, que culminaram com a fusão das telefônicas Brasil Telecom e Telemar na nova Oi, controlada pelos empresários Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, revelam as disputas internas de poder no governo Lula.

De um lado, o então todopoderoso chefe do Gabinete Civil José Dirceu garantindo ao banqueiro Daniel Dantas que o governo não se envolveria na disputa dos fundos de pensão com o Opportunity na gestão da Brasil Telecom.

De outro, Luiz Gushiken, também poderoso na época, usando a Previ para tirar o banqueiro Daniel Dantas do controle da telefônica.

E, entre uma negociação e outra, operações da Polícia Federal completamente descontroladas e indícios de que o governo pressionou os fundos de pensão para que não tentassem comprar a nova supertelefônica Oi, deixando o controle acionário com os empresários.

Segunda onda Fernando Gabeira

 FOLHA DE S. PAULO

A democracia vem em ondas, acha um candidato chileno. Se isso é verdade, a primeira onda já se esgotou no Brasil. Eleições diretas, uma política econômica realista, uma generosa política social são suas conquistas. Mesmo se Sarney cair, o que é inevitável, e a sociedade impuser sobriedade ao Senado, as coisas não estarão resolvidas.

Uma segunda onda de democracia fatalmente virá. Um dos seus componentes essenciais é a responsabilidade diante da transparência. Responder às questões, admitir erros, corrigir rumos, é a base do comportamento na nova etapa.

Há um risco desse tema escapar às eleições presidenciais. O PT empacou na primeira onda.

As forças restantes parecem tímidas ou exauridas para conduzi-la. Será preciso vencer muitos medos. O primeiro deles é de que o tema interessa apenas à classe média ou apenas às metrópoles. No caso da esquerda, há o argumento de que a demanda é apenas uma manifestação udenista, referindo-se ao passado. Para quem dizia que a história não se repete, achar repetição em cada esquina é muito estranho.

Existem mitos: não se ganham eleições sem os fisiologistas. Duas eleições presidenciais foram ganhas contra eles, a de Collor e Lula. Não se governa sem eles, dizem. Mas o que é governabilidade? No meu entender, significa realizar elementos básicos do programa. Não é vencer sempre.

Se a questão não for central na próxima campanha, corre-se o risco de um debate conformista. De certa forma, Collor abordou o tema, que era importante no discurso do PT, em 2002. De lá para cá, as demandas sociais cresceram e os políticos brasileiros dependem hoje, para serem respeitados, de uma nova condição. Os americanos têm uma palavra enorme para isto: accountability. Sem ela, não dá mais.

Luiz Carlos Mendonça de Barros A mensagem do Copom

 FOLHA DE S. PAULO

Recuperação da economia será lenta e país não deve voltar à excitação dos primeiros trimestres de 2008

NORMALMENTE não leio integralmente a ata do Copom. Ela é sempre longa e, de certa forma, pretensiosa no seu conteúdo. A Marina Santos, do quadro de economistas da Quest, sempre faz um resumo eficiente da ata, ressaltando o que nela há de relevante. Com isso fico sabendo das posições de nossa autoridade monetária.

Mas ontem rompi com essa rotina e li com atenção quase tudo o que foi escrito. Minha intuição dizia que deveria agir assim porque estamos diante de um momento quase histórico na condução da política monetária e queria entender a posição do Banco Central. Afinal o juro real no mercado monetário atingiu o nível mais baixo em muitas décadas. Muitos analistas mostram-se céticos quanto à estabilidade desse juro real mais baixo e apostam em uma volta à situação anterior. Para eles, nada mudou no Brasil que justifique essa euforia. Sempre me posicionei contra isso. Inúmeras vezes defendi junto ao leitor da Folha uma tese oposta.

A economia brasileira mudou muito nestes últimos anos, e uma taxa de juros mais baixa seria um resultado natural dessas mudanças. A questão mais importante seria saber qual o novo nível compatível com esse quadro mais estável da economia. Ninguém "a priori" pode responder a essa questão e somente uma política cautelosa de tentativa e erro nos levará ao menor nível de juros compatível com a estabilidade da inflação.

O nível atual da taxa Selic parece ser um bom início nessa busca. Por isso a decisão, tomada pelo Copom em sua última reunião, de estabilizar a Selic em 8,75% ao ano é correta. Com as expectativas de inflação, para este ano e 2010, estabilizadas em 4,5%, o juro real nela embutida é de 4%.

Muitos argumentam que os juros no Brasil ainda são muito elevados quando comparados aos de outros países. Não concordo, também, com essa posição, embora entenda que ainda há espaço para uma redução maior nos próximos meses.

A taxa de juros reflete as condições internas de uma economia de mercado e essa comparação com terceiros não é um argumento sólido, além de ser perigosa. Por isso entendo que precisaremos de algum tempo para testar esse novo nível de juros reais e, mais à frente, dependendo da reação da economia a ele, fazer um novo ajuste na taxa Selic. Mas minha intuição é que o BC vai manter a Selic estável por um longo período.

A ata da última reunião do Copom passa uma mensagem correta para o mercado financeiro. Seus membros entendem que a redução do juro real realizada nos últimos meses deve ser estável, e não apenas conjuntural. Dizem também que será preciso algum tempo para ter certeza dessa estabilidade.

Por isso o Copom estará nos próximos meses monitorando o comportamento da inflação nesse contexto de juros mais baixos. Palavras sábias, na minha leitura. Alguns outros pontos -esses de natureza conjuntural- me chamaram também a atenção. O mais importante é que o Copom trabalha com uma ocupação gradual da capacidade ociosa de parte da economia ao longo dos próximos meses.

Essa posição se contrapõe à parte do mercado que já vê no ano próximo pressões inflacionárias por conta de um nível menor do chamado hiato do produto. Os mais afobados já preveem inclusive uma rodada de elevação da Selic ao longo de 2010. Não concordo com isso. A recuperação da economia será lenta e não devemos voltar à situação de excitação vivida nos primeiros trimestres de 2008.

Míriam Leitão Ordem do futuro

 O GLOBO

Brasil, China e Índia serão compelidos a adotar metas de redução das emissões. A China já sabe que não escapará e está fazendo investimentos pesados em conversão energética. A Índia está irredutível: acha que tem o direito de poluir para crescer. No Brasil, a posição diplomática é velha, mas a sociedade está mudando. Um sinal animador é o de as empresas pedirem que o Brasil adote metas.

O "Valor Econômico" publicou reportagem nesta quinta-feira, de Samantha Maia, contando que algumas grandes empresas e associações empresariais estão preparando um documento pedindo que o Brasil adote metas de redução das emissões dos gases de efeito estufa. Eles acham possível a redução das emissões do setor industrial.

Atenção governo: não vale dizer que o Brasil já tem metas. As anunciadas no Plano Nacional de Mudanças Climáticas não são compulsórias, não são auditáveis, não são comparáveis e não estão sendo cumpridas.

A diplomacia brasileira precisa ouvir os empresários e os segmentos da sociedade que estão dizendo que é urgente o Brasil assumir suas responsabilidades ambientais e se comprometer em reduzir as emissões tanto do setor industrial quanto do desmatamento.

O governo ficou parado nos anos 90, na ideia de que os países emergentes precisam emitir para crescer.

Ela dá aos grandes países emergentes, mesmo que sejam altamente poluentes, o direito de não assumir metas.

Os países de industrialização antiga são os principais responsáveis pelos gases que foram emitidos no passado e nos causam danos agora, mas isso não torna as novas emissões menos nocivas. O animador agora é que a sociedade está se movendo.

Os avanços não são feitos sem conflito e pressão sobre o setor produtivo.

Há três anos, militantes do Greenpeace vestidos de frango na porta do McDonald's, em Londres, gritaram contra o desmatamento da Amazônia. A Conservação Internacional e a WWF também pressionaram.

Os importadores exigiram explicações aos produtores brasileiros. Foi este o começo do mais bem sucedido acordo entre o setor produtivo brasileiro para a redução do desmatamento da Amazônia. Por causa dele, os grandes esmagadores de soja no Brasil, Cargill, Amaggi, ADM, Bunge, e rede de produtores Amigos da Terra, assumiram compromissos de não comprar de área recentemente desmatada.

Assim nasceu a moratória da soja.

O que aqueles enormes frangos berravam na porta da lanchonete é que eles comiam ração feita com soja plantada em área de desmatamento.

Quem entrava lá e comia um sanduíche de frango era cúmplice do desmatamento.

O primeiro a pedir satisfação foi o próprio McDonald's à Cargill.

Vieram outros. A negociação acabou sendo referendada pelo governo. Os grandes exportadores de soja puseram o compromisso por escrito e assinaram. Exigência dos consumidores.

Normalmente, os grandes produtores de soja compram de pequenos e médios que invadiram a floresta para produzir. Segundo dados da Conab, a moratória da soja, ou seja, esse compromisso de não comprar de áreas desmatadas, não afetou absolutamente nada a produção de grãos no país. Ela cresceu e as exportações também.

Na área que ela passou a vigorar, caiu a violência, a disputa de terra e a grilagem.

Isso prova o que têm dito os estudiosos do assunto: a disputa de terra, a grilagem e o desmatamento não produzem progresso.

Elevam a violência. A pacificação com a floresta é que nos trará índices maiores de qualidade de vida.

Esta é a ordem do progresso.

Esta semana foi assinada a renovação desse compromisso da soja com o ministro Carlos Minc.

A pressão contra a carne é mais difícil. Boi anda. Há dificuldades técnicas e resistência à rastreabilidade. O BNDES deu um prazo longo demais para os produtores. A pressão contra a carne produzida em área desmatada foi desencadeada pelo relatório do Greenpeace mostrando que a cadeia produtiva da pecuária brasileira vai direto de áreas griladas e desmatadas ao mercado consumidor, passando por grandes frigoríficos. Ao mesmo tempo, o Ministério Público do Pará iniciou ação contra grandes empresas ao fim de longo trabalho de investigação de compra de carne de fazendas embargadas pelo Ibama. O trabalho está no começo. A lavoura arcaica, reunida na CNA, reagiu. Mas os mais inteligentes começam a se preparar para cumprir o que o mercado exige. A pressão vai crescer. Esta semana, a Timberland disse que não compra mais couro da Amazônia, até que provem que não vem de área desmatada recentemente.

A Nike fez a mesma coisa na semana passada.

A fiscalização pública, a vigilância do Ministério Público, essa rede de ONGs, consumidores, empresas modernas estão fazendo o Brasil avançar. Os argumentos velhos têm um bom lugar para ir: para o lixo. Não é nem reciclável. A tese de que o Brasil precisa desmatar para produzir não resiste à menor análise; aquela desculpa esfarrapada de que o governo militar incentivou o desmatamento é ainda mais ridícula: o governo militar acabou há um quarto de século. Estamos falando de crime recente.

No Brasil, o governo avança quando é empurrado pela sociedade. É isso que começa a acontecer.

Com Alvaro Gribel

quinta-feira, julho 30, 2009

Celso Ming Não é mais o mesmo


O Estado de S. Paulo - 30/07/2009
 


Os ministros da área econômica têm insistido em que obsessão por rigor nas contas públicas é ladainha sem sentido. E, quando aparecem números deteriorados, martelam que são coisas passageiras. O problema é que essas coisas produzem consequência. 

Ontem, o governo federal apresentou um resultado fiscal (que engloba arrecadação e despesa) derrapante. Em junho, o superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) foi de apenas R$ 3,4 bilhões, ou 67% menor do que o obtido em junho de 2008 e 57% mais baixo na acumulada deste ano em relação à acumulada do ano passado. Além disso, a dívida líquida do setor público, que era de 38,8% do PIB em dezembro, saltou para 43,1% do PIB em junho.

Dois fatores contribuíram para a deterioração. O primeiro foi a quebra da atividade econômica em consequência da crise. Menos consumo e menos produção implicam menos vendas e menos renda. E, quando isso ocorre, a arrecadação sofre. Já se sabia há dias pelos números da Receita Federal que, nos primeiros seis meses deste ano, a arrecadação do governo federal despencou 7% com relação ao mesmo período de 2008. 

Mas a arrecadação não caiu só porque houve o impacto da crise. Caiu, também, porque o governo reduziu os impostos em alguns setores-chave da indústria, especialmente nas vendas de veículos e de aparelhos domésticos.

O segundo fator que derrubou o superávit primário foi o grande aumento das despesas correntes do governo. Os gastos com o funcionalismo público, por exemplo, estão crescendo 21% neste ano. As transferências de recursos para os projetos sociais (especialmente cesta básica) aumentaram 12%. 

Muita gente no governo avisa que este pulo está nas recomendações do grande John Keynes, o maior economista do século 20, que receitava aumento das despesas públicas em tempo de crise. Mas os ossos de Keynes devem contorcer-se na tumba ao serem pronunciadas palavras assim porque ele jamais indicou despesas dessa qualidade. O que ele propunha como alavanca de superação da crise era o aumento dos investimentos públicos em projetos de infraestrutura, cujo resultado permanecesse para sempre, e não essa operação da mão pra boca de que o governo se gaba por incluí-las nas suas iniciativas anticíclicas.

O ministro Guido Mantega entendeu que precisaria tranquilizar aqueles que identificam uma forte tendência à gastança federal. Reconhece que há um forte aumento das despesas de custeio, mas avisa que, nas circunstâncias, "não é necessariamente negativo". Ao contrário, ainda que lamente ter quebrado os ovos, Mantega festeja a omelete obtida. Para ele, China e Brasil conseguiram os melhores resultados com os pacotes fiscais adotados para combater a crise.

Em sete anos, o governo Lula não produziu nenhuma grande besteira fiscal. Seus excelentes resultados na economia e nas urnas se deveram primordialmente à responsabilidade orçamentária com que vinha conduzindo as finanças. O problema é que o calendário político vai apontando para outubro de 2010 e o risco de que a administração Lula descambe para o vale-tudo fiscal de modo a garantir a aliança partidária e a eleição do sucessor parece assustadoramente alto. 

Piorou, e daí? ? O gráfico dá a ideia de quanto aumentou a dívida. Mas o mercado não parece preocupado. Ontem mostrou demanda de US$ 7 bilhões para uma emissão externa de títulos do Tesouro, de 30 anos, de apenas US$ 500 milhões.

Perigo à vista para o futuro do pré-sal David Zylbersztajn

O Estado de S. Paulo - 30/07/2009
 

Dia vai, dia vem, e o tema do pré-sal volta ao noticiário com novidades, especulações sobre alguma coisa que se manifesta como uma espécie de sebastianismo salvador, dada a enorme expectativa criada em torno da descoberta de expressivas reservas de petróleo.

A subjetividade do termo "expressivas" é adequada ao conceito econômico de reservas. Ou seja, o petróleo só é viável se o custo de extração, processamento e transporte para o mercado consumidor for menor do que esse mercado está disposto a pagar.

Em outros termos, enquanto não soubermos quanto vai custar esse novo petróleo, será impossível conhecer a dimensão exata da riqueza que poderá proporcionar ao País.

Três desafios se impõem nessa etapa: 1) tecnológico, por causa das características geológicas e da profundidade na qual se encontra o óleo, que, seguramente, será superado pela reconhecida competência técnica da Petrobrás; 2) logístico, por causa das enormes distancias das descobertas em relação à costa; 3) financeiro, pois, se confirmados os volumes de reservas, as necessidades de capitais será de um volume monumental, podendo alcançar a US$ 1 trilhão para que seja disponibilizado o produto. 

Diante dessas incertezas, a única certeza é que, para essas descobertas feitas pela Petrobrás e diversas outras empresas, foi decisivo o papel da Lei 9478/97, conhecida como Lei do Petróleo, que flexibilizou o monopólio da União, permitindo a entrada de novos agentes no processo de exploração do petróleo nacional. Gostem ou não alguns, a lei é um sucesso. E, como a lei é um sucesso, querem mudar a lei.

E aí começa o festival de absurdos: sem saber exatamente quanto do petróleo será efetivamente convertido em reservas (o que só ocorrerá daqui a alguns anos), o governo sinaliza a alteração do modelo de concessões. 

No modelo atual, o Estado, por meio da Agência Nacional do Petróleo (ANP), controla o processo produtivo, cobrando as taxas e impostos decorrentes da produção, que vão diretamente para os cofres do Tesouro Nacional para serem distribuídos, segundo normas legais, para Estados, municípios e órgãos da União. 

O processo é transparente e vantajoso para a sociedade, que vê os recursos do petróleo imediatamente transformados em meios que podem, a critério do governo, ser utilizados para segmentos sociais (saúde, educação, etc.) ou infraestrutura. Esses valores representam, atualmente, cerca de 65% do valor do petróleo extraído, podendo ser majorado, no que tange às participações especiais, apenas com a alteração de um decreto presidencial.

E aí dizem (sem que ninguém pare para pensar por quê) que o "modelo de partilha" é melhor, pois o governo poderá "controlar melhor" a produção. Atualmente, todo o processo produtivo é controlado pela ANP.

Nenhuma empresa pode determinar, segundo sua vontade, como e quanto petróleo pode chupar do subsolo, como se sorvesse um milk-shake na lanchonete da esquina.

É também importante ressaltar que no modelo de partilha o governo fica sócio do petróleo extraído! E aí que entra a tal "empresa estatal enxuta" (uma contradição na origem) que se pretende criar para "gerir" esses recursos. Perigo à vista! Já imaginaram quem vai indicar os diretores dessa empresa? Já pararam para pensar no que significa uma empresa estatal vendendo petróleo, fazendo negócios com países como China, Rússia ou Venezuela? 

Não por acaso (basta ver a lista), os países que adotam o modelo de partilha são aqueles dominados por regimes autocráticos, onde o governo se confunde com os interesses petrolíferos para a execução de transações pouco transparentes.

Não falo deste governo. Falo de um modelo que, se adotado, será um enorme retrocesso em um setor que se notabilizou pelas regras estáveis e uma reputação de lisura em suas licitações e execução de seus contratos. 

Ainda nesse aspecto da mudança da legislação, todos sabemos como entra um projeto no Congresso, mas nada sabemos sobre como ele sairá. Qualquer proposta de alteração da legislação atual encontrará um Congresso conturbado e às vésperas de uma eleição presidencial. Todos desejarão seu quinhão. Mais perigo à vista...

Por fim, nenhuma política pública está sendo formulada para que os recursos financeiros desse petróleo finito e altamente poluente sejam parcialmente utilizados para a inserção do Brasil nas modernas economias voltadas à produção de energia renovável e menos poluente. Transformar o finito sujo em perene e limpo.

O mundo está freneticamente em busca dessas energias modernas e se afastando cada vez mais do petróleo.

Não podemos correr o risco de, sendo o país mais avançado em uso de energias renováveis, ficarmos para trás nessa transição energética pela qual passam as economias deste sofrido planeta. Nunca é demais lembrar que a Idade da Pedra não terminou porque as pedras deixaram de existir

O orçamento da eleição permanente: Rolf Kuntz


O Estado de S. Paulo - 30/07/2009
 

Trotskismo e revolução permanente já eram. A ideologia quente no Brasil é a da eleição permanente. Esse é um dado essencial para explicar o indisfarçável desmanche das contas públicas federais. Crise econômica e incentivos setoriais são apenas uma parte da história. A injustificável expansão do custeio, incluída a folha salarial, não é só barbeiragem administrativa. É também uma ação intencional e defendida pelas autoridades com argumentos inteiramente esfarrapados. O novo aumento do Bolsa-Família, previsto para setembro, foi apresentado pelo secretário do Tesouro, Arno Augustin, como parte da política anticíclica. Mas os beneficiários do programa têm uma renda mínima garantida e não trabalham nos setores mais afetados pelo desemprego. Além disso, a inflação, controlada, pouco deve ter atingido seu padrão de consumo. Que outra explicação para o aumento, além do interesse eleitoral?

É igualmente difícil imaginar outra motivação para o inchaço da folha salarial, quando o Orçamento é afetado por diminuição de receita e concessão de incentivos a setores selecionados. O governo poderia ter adiado os aumentos, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu em mantê-los. No primeiro semestre, a receita nominal, descontadas as transferências a Estados e municípios, foi 1,8% menor que a de um ano antes, mas a despesa do governo central foi 17,1% maior. A gastança foi puxada pela folha de pessoal, 21% maior que a do primeiro semestre de 2008. A despesa com pessoal, é bom lembrar, continuará a crescer neste semestre, por causa dos aumentos em vigor desde julho.

"Esse discurso é surrado, está vencido", disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, criticando quem censura o excesso de gastos. Segundo ele, a régua usada para medir os fatos antes da crise não serve mais, porque a realidade mudou. O ministro parece um tanto confuso: a aritmética não mudou, nem os princípios das finanças públicas. O uso da política fiscal para estimular a economia é justificável e desejável, quando as contas públicas já não estão arrebentadas. No caso do Brasil, havia margem para a ação anticíclica, mas o resultado foi quase caricatural. Além da redução de impostos para setores, o governo praticamente se limitou a aumentar os gastos com pessoal e outros itens de custeio, pouco produtivos e, além disso, permanentes. O investimento nominal foi 21,8% maior que o do primeiro semestre do ano passado, mas sua participação no total do gasto público permaneceu ridiculamente pequena. Enquanto as despesas com a folha subiram R$ 12,53 bilhões - de R$ 59,60 bilhões para R$ 72,14 bilhões -, o investimento em ativos fixos aumentou R$ 2,15 bilhões - de R$ 9,87 bilhões para R$ 12,02 bilhões. A despesa total do Tesouro chegou no semestre a R$ 153,61 bilhões.

Os incentivos fiscais tiveram algum efeito positivo, mas a política de investimentos não saiu do discurso. Diante da insegurança do setor privado, caberia ao governo aumentar os gastos em infraestrutura e atrair o empresariado para participar das obras públicas. Os números do governo mostram resultados pífios e não havia por que esperar um desempenho melhor. Para pagar despesas de custeio, basta a liberação do dinheiro. Isso requer um ato burocrático dos mais simples. Conduzir um programa de investimentos é muito mais complicado: requer competência técnica e gerencial.

Despesa de custeio não é necessariamente despesa ruim. Quando se constrói uma nova escola, um novo hospital ou um novo porto, o investimento resulta em maior gasto de custeio com pessoal e com as demais condições necessárias ao funcionamento das novas instalações. Tudo isso representa mais serviços para a sociedade. Se forem serviços melhores, o ganho é ainda maior. Mas a maior parte do aumento do custeio, na máquina federal, não corresponde a serviços mais amplos e melhores para a população. Em geral, é apenas sintoma de empreguismo, inchaço dos salários, desperdício de recursos na operação da máquina. Na pior hipótese, é também sinal de corrupção ou de favorecimento político - itens presentes no dia a dia do noticiário.

Incapaz de pôr em marcha os projetos de investimento já definidos, o governo anuncia o lançamento, em 2010, de um segundo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Para que, senão para engordar as bazófias eleitorais do cabo eleitoral número um do País, o grande porta-bandeira da eleição permanente?

Míriam Leitão Visão turva

O GLOBO

O problema fiscal não é a meta. É a atitude e a interpretação. O que está errado neste ano, perdido para o crescimento em quase todos os países do mundo, não é um número, é a forma equivocada com que o governo avalia a conjuntura e aplaude as próprias decisões. Ele está aumentando o gasto errado e chamando isso de política anticíclica.

Vários economistas alertam: a conta virá no futuro.

Para o economista-chefe da Convenção Corretora, Fernando Montero, o governo terá que recorrer ao dinheiro do Fundo Soberano (FS) para cumprir a meta de superávit primário de 2009.

Ele explica que para cumprir o resultado, o crescimento da despesa — que foi 19% maior que o crescimento da receita no primeiro semestre — terá que desacelerar para 6% até dezembro. Um resultado muito difícil de ser cumprido e que obrigará o governo a usar o FS.

Nesse contexto, Montero já acredita até que a meta de superávit de 2010 não será cumprida. Primeiro, porque no ano que vem não haverá mais os recursos do Fundo Soberano — que serão usados este ano — e, segundo, porque o carregamento estatístico deste ano para o ano que vem será fraco.

A meta mudou a cada etapa do ano. Por isso, Montero a define como meta(morfose).

Ela foi já reduzida, e só será cumprida com recursos extraordinários que não existirão nos anos vindouros.

Já os custos da política permanecerão.

— Trabalhamos este ano com um superávit primário efetivo de 1,6% do PIB que foi transformado em superávit formal de 2,5% com a ajuda do Projeto Piloto de Investimentos (PPI) e do aporte de 0,4% do Fundo Soberano. O governo preferiria não ter que recorrer ao FS, mas não terá como evitar — diz.

O problema, segundo ele, é que o FS é uma poupança finita e em 2010 haverá mais dificuldade de fechar a conta porque a meta de superávit primário será de 3,3%.

Se o país crescer mais fortemente no ano que vem, a arrecadação aumentará e isto tornará possível elevar o esforço fiscal. O problema é que 2010 é ano eleitoral e a maioria das despesas que cresceram este ano não poderá ser comprimida.

O mundo inteiro está aumentando seus gastos como forma de reverter o quadro recessivo, diz o governo. E é verdade. Comparado com o resto do mundo, o Brasil tem até um quadro bom porque os déficits nominais nos outros países são muito maiores, diz também o governo. E de novo é verdade. O Brasil terá um déficit nominal de 3,5% do PIB, o que para um ano de crise não é muito.

O problema que o governo não se dá conta, nas suas frequentes sessões de autocongratulação, é que os outros países aumentam despesas que não se repetirão todos os anos porque são investimentos. Já o Brasil está aumentando os custos da máquina pública. Os governos não estão fazendo política anticíclica aumentando salário de funcionários e as contratações para o quadro efetivo. O Brasil tem também sua história: de hiperinflação, desordem de contas públicas, dívida interna pública alta, cara e curta. Por tudo isso, comparações com outros países precisam ser relativizadas.

Ninguém hoje tem medo de solvência da dívida pública. Isso é um dos nossos vários avanços. Mesmo assim, a dívida interna cresceu no governo Lula mesmo nos anos em que a arrecadação aumentou. O que caiu foi o conceito dívida pública líquida consolidada, pela queda da dívida externa, pela valorização cambial, pelo acumulo de reservas. Mas o fato de não haver temor sobre a solvência da dívida não significa que está tudo certo. O governo tem cometido erros fiscais nos bons e nos maus momentos.

— O problema é sempre a qualidade. Era a qualidade do ajuste quando o primário disparava e é a qualidade do desajuste agora que o primário despenca — diz.

Em outubro de 2008, o superávit estava em 4,3% do PIB. Ouvido por Bruno Villas Bôas, do blog (http://www.miriamleitao.com/), o economista Sérgio Vale, da MB Associados, disse que o superávit ficará em 2% este ano, já considerando o PPI (gastos que não são contados como gastos) e o Fundo Soberano (poupança feita no finalzinho do ano passado; ao contrário de países como o Chile que pouparam durante todos os bons anos).

— Este ano fiscal já está perdido. A questão agora é o que o governo vai fazer ano que vem, mas acho que não há risco fiscal ainda — explica Sérgio Vale.

A economista Monica de Bolle, da Galanto, alerta que é muito difícil comparar gastos de custeio dos países, mas afirma que outros governos tiveram rombos ainda maiores nas contas públicas.

— A deterioração fiscal nos EUA e Europa é muito maior do que aqui porque a crise financeira aconteceu lá, então, os gastos dos governos também foram muito maiores, isso é natural. O problema quando se olha para as nossas contas é que elas já estavam se deteriorando antes de a crise começar.

Então a crise, na verdade, acabou virando desculpa para que o governo pudesse gastar mais — explica.

O déficit público americano deve saltar de algo em torno de 3% para 14% do PIB em 2009. Em 2010, deve recuar para 9%. Isso terá impacto na dívida pública que ultrapassará 100% do PIB. A política anticíclica deles acontece através da sustentação da demanda e em investimento em infraestrutura.

Os nossos investimentos de infraestrutura são poucos e frequentemente nos projetos errados.

Com Alvaro Gribel

Dora Kramer Operação mãos sujas

O ESTADO DE S. PAULO

Infortúnio difícil de enfrentar esse que o senador José Sarney achou de construir para si no epílogo de tão celebrada biografia política: não bastasse a sanha dos inimigos precisa também administrar o ímpeto apaixonado dos amigos.

Cada um que se levanta para defendê-lo o faz de maneira mais desastrada que o outro. Nenhum deles, do presidente da República ao líder do PMDB no Senado, passando pelos dois mais destacados suplentes integrantes de sua tropa de choque - Wellington Salgado e Paulo Duque -, nenhum foi capaz de fornecer ao senador José Sarney um alento sequer.

Justiça seja feita, tudo começou com ele mesmo, no primeiro discurso de autodefesa, quando considerou uma afronta à sua história ser contestado por ter feito de Agaciel Maia poderoso executor de esquema de poder paralelo no Senado.

Aquilo irritou as pessoas. Que ficaram ainda mais irritadas quando o presidente Luiz Inácio da Silva corroborou a tese dizendo que Sarney não poderia ser tratado como uma pessoa "comum". Estabeleceu-se aí um outro confronto de pensamentos que lançou luz sobre o problema real. Não se tratava se uma ou outra irregularidade, uma contratação indevida ali ou um nepotismo ali.

Tratava-se do choque entre o novo tempo da sociedade moderna e a política velha. Sarney não se deu conta e Lula não acreditou que há opinião no público. Preferiu se fiar no mito da "opinião publicada" representada por meia dúzia de elitistas mancomunados com seus comparsas oposicionistas. Ou, para usar o jargão, golpistas.

Com os dois suplentes e suas declarações de apreço ao fisiologismo, melhor nem perder tempo.

Passemos, portanto, direto ao fato mais recente.

Lembrando, antes, que por incrível que pareça Sarney e companhia ainda acreditaram no velho truque da aliança entre o recesso e o "cansaço" do noticiário dito excessivo que resultaria em esquecimento gradativo dos fatos e arrefecimento da crise.

Isso, com uma eleição pela proa. Obviamente, deu-se o oposto, em boa medida sob o gentil patrocínio das bobagens da defesa. Em demonstração explícita de que detecta a aproximação do tudo ou nada, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, saiu das sombras em que vinha atuando no comando das ameaças insinuadas aos colegas e partiu para a ignorância.

Literalmente. Telefonou para o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, com a proposta indecente de sempre. Um acordo de paz entre os dois partidos ou o PMDB representaria contra o líder dos tucanos, Artur Virgílio, por quebra de decoro na contratação de um funcionário fantasma e na conta de hotel em Paris paga por Agaciel Maia.

Uma chantagem clara, cujo maior defeito não foi nem a nitidez, mas a estultice do gesto. Calheiros entregou-se na bandeja ao adversário e ainda mostrou que na visão de sua turma denúncia não serve para corrigir malfeitos, mas para ser usada como moeda de troca na tentativa do "abafa". Uma legítima operação mãos sujas.

Já executada em outras ocasiões e bem aceita pela oposição. Mas, desta vez, Sergio Guerra não apenas não aceitou a barganha, como espalhou a proposta recebida e, no dia seguinte, o partido emplacou três representações no Conselho de Ética.

Duas já com provas materiais devidamente expostas. A influência de Sarney na fundação que leva o nome dele e é suspeita de ter desviado dinheiro da Petrobrás é comprovada no estatuto da entidade.

A influência dele na indicação de um neto para atuar como intermediário de operações de crédito consignado para funcionários do Senado permite dúvida, mas a mentira da negativa sobre a existência dos atos secretos - objeto da terceira representação - está desvendada nos diálogos gravados pela Polícia Federal.

Noves fora, o recesso acaba na próxima semana e a situação de Sarney piorou bem. Ao ponto de mandar recados ao governo de que pode ceder e deixar o cargo. A conferir se fala a verdade ou se lança, em forma de ameaça, um novo pedido de socorro ao presidente da República.

Boi dormir

Não para em pé a história, difundida Esplanada dos Ministérios afora, de que o ministro das Relações Institucionais exagerou, por conta própria, no tom da contestação à nota do líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante.

Diga-se de José Múcio Monteiro qualquer coisa, menos que seja inexperiente ou tenha temperamento animoso. É, antes de tudo, um conciliador. Além disso, postulante a uma vaga no Tribunal de Contas da União, José Múcio quer distância de confusão. Com o Congresso ou com o Planalto.

Se saiu de uma reunião do conselho político do Palácio do Planalto dizendo que a nota em defesa do afastamento de Sarney só expressava a opinião de "um ou dois senadores", foi porque assim o autorizava o clima da reunião.

Mais provável é que o ministro ainda tenha amenizado em público o tom corrente em particular na conversa entre o presidente e o conselho

Merval Pereira Sem solução

 O GLOBO

Com pequenas variações de tons e ênfases, com abordagens mais inteligentes ou mais simplórias, as desculpas são sempre as mesmas: todo mundo faz. A principal defesa dos cada vez mais raros apoiadores do presidente do Senado é acusar os acusadores, colocando todos como farinha do mesmo saco. E como muitas vezes são mesmo, essa estratégia vai protelando o fim da crise, ou montando uma solução que livre todos igualmente.

O senador José Sarney já deu a dica: se cometi crime ao nomear parentes, todos cometeram.

Foi o que o próprio Lula fez no mensalão, quando lançou a tese, engendrada por seu ministro da Justiça da ocasião, o criminalista Márcio Thomaz Bastos, de que se tratava de caixa dois de campanha eleitoral, "o que é feito sistematicamente no Brasil".

Desde então, a defesa das irregularidades tornou-se a marca registrada do jeito Lula de organizar coalizões partidárias.

O caso é grave a ponto de abranger de um extremo a outro o espectro demográfico do Senado. Tome-se por exemplo o neófito senador sem votos Wellington Salgado, de 51 anos.

Sem história política que sustente suas opiniões, ele tem a coragem de aparecer na televisão para defender a tese de que sempre houve "ocupação de espaço" por parte dos políticos, com nomeações de parentes e amigos.

O senador, que não se dá ao respeito a ponto de receber dos colegas a alcunha de "Cabeleira", de uma família proprietária de uma universidade, deveria ser, teoricamente, um educador, mas sua visão da vida pública absorve como naturais essas "colocações", que era como antigamente se apelidava o empreguismo.

No outro extremo, o senador duplamente sem voto Paulo Duque, segundo suplente do governador do Rio, Sérgio Cabral, continua a defender a efetividade do empreguismo como arma política, aos 81 anos de idade e 60 de vida pública.

Assim como Sarney, nas palavras premonitórias do senador Jarbas Vasconcellos, transformou o Senado em um imenso Maranhão, o senador Paulo Duque transformou seu mandato em uma representação do que há de mais retrógrado na política brasileira. Ele tem a dimensão de um vereador de província e lida com questões nacionais à frente do Conselho de Ética, uma piada de mau gosto pregada na cidadania por Renan Calheiros, outro exemplar da tropa de choque do PMDB.

Não é à toa que volta e meia flagra-se o olhar embevecido do hoje senador Fernando Collor a admirar a performance palanqueira do presidente Lula.

O reencontro recente desses dois políticos que já se confrontaram em situações diferentes vinte anos atrás fala bem da involução da política brasileira.

Audacioso a ponto de ter chegado ao Palácio do Planalto a bordo de uma aventura política que poucos tentariam, Collor não teve coragem de enfrentar seus algozes no Congresso, como Lula hoje enfrenta seus opositores, sem nenhum tipo de escrúpulo.

É bem verdade que, naquela época, atiçados pelo PT e sob a liderança de Lula, os estudantes foram para as ruas do país, e a totalidade dos movimentos sociais se mobilizou para exigir a saída de Collor.

Hoje, se mobilização houver, será a favor de qualquer tramoia que o governo patrocine, até mesmo a favor dos caciques do PMDB de "moral homogênea", na definição de Márcio Moreira Alves.


Essa ousadia, essa falta de escrúpulos, essa manipulação do povo humilde, resumem o que Collor tentou fazer e não conseguiu no plano de poder político.

O grito de "não me deixem só" foi o precursor das atuações performáticas de Lula nos palanques da vida.

As acusações de corrupção, que levaram Collor ao nocaute político mas não foram suficientes para condenálo por um misto de incompetência dos advogados de acusação e um acordo político tácito, hoje são enfrentadas pelo governo Lula e seus aliados com a naturalidade dos que consideram as falcatruas políticas parte integrante do jogo democrático.

Se tivesse tido a audácia de assumir seus atos como naturais quando esteve sob o fogo cruzado da imprensa e do Congresso, Collor poderia ter resistido no cargo, assim como Lula resistiu quando o mensalão devastou o primeiro escalão de seu governo e respingou nele, a ponto de ameaçar momentaneamente sua reeleição.

É claro que Lula tinha o PT e os movimentos sociais a seu favor, e já montava o que seria o grande alavancador de sua estratégia eleitoral, o Bolsa Família. Mas Collor sabia na ocasião que grande parte daqueles que votaram pela sua cassação não tinha condições morais de acusá-lo.

Nem mesmo o irmão Pedro, que detonou todo o processo, o fez por razões altruístas, mas apenas porque lhe negaram um pedaço maior do butim.

O que Collor não sabia, e sabe agora, é que é preciso dar espaço para incluir o maior número possível de políticos, sejam de que tendência política forem, em seus projetos de poder.

Dividir o bolo, permitir que todos se locupletem, enquanto finge-se que se quer instaurar a moralidade.

É o que está em marcha no Senado nos dias atuais.

Monta-se nos bastidores uma guerra de processos na Comissão de Ética que tem por finalidade neutralizar qualquer acusação.

Caminha-se para uma aparente solução, a renúncia do senador José Sarney da presidência do Senado, a eleição de um outro senador da base do governo, de preferência do PMDB, para o cargo, e um recomeço de atividades com a pedra zerada.

Tudo indica que o máximo que se conseguirá no momento é isso, com o compromisso do novo presidente de comandar uma reforma que impedirá que aconteçam os desmandos que até agora dominam o dia a dia do Senado.

Difícil é acreditar que um presidente saído de um acordo promíscuo como esse consiga avançar na moralização dos costumes do Senado.

Clipping de 29/07/2009

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Primeira Página
Correio Braziliense
MINISTÉRIO DA PEIXADA
Sarney com fonte na PF
Vítima de gripe suína esteve em Brasília
Folha de S. Paulo
Após manobra de ministro, empresários deixam Codefat
Contas do governo têm o pior resultado sob Lula
GRIPE SUÍNA FAZ SP ADIAR VOLTA ÀS AULAS
PMDB ameaça atacar tucanos por medidas contra Sarney
Jornal de Brasília
BC autorizado a abrir 500 vagas com salário que chega a R$ 11 mil
Jornal do Brasil
Brasil voltou a crescer, dizem bancos
GRIPE FAZ SP ADIAR VOLTA AS AULAS, MAS O RIO NÃO
Ministério processa Claro e Oi por mau atendimento
Ofensiva tripla contra Sarney
O Estado de S. Paulo
DESVIO FAZ MP INTERVIR NA FUNDAÇÃO SARNEY
Senador sinaliza ao Planalto que pode sair
Suspensas obras de trem entre capital e Cumbica
União quer R$ 300 milhões de indenização de Claro e Oi
O Globo
Caso Sarney vira guerra de representações
Contas do governo: pior resultado da Era Lula
DESRESPEITO A CLIENTES DÁ MEGAPUNIÇÃO A TELEFÔNICAS
Enquanto isso, no mundo do PAC...
Valor Econômico
Como Quércia quer voltar ao primeiro time
Governo quer tornar os Correios SA fechada
PAPEL DA PETROBRAS NO PRÉ-SAL TEM AVAL DE LULA
Notí cias do Dia
Agronegócio
Chuva reduz a moagem de cana no Centro-Sul do país(Valor Econômico)
Citricultores da Flórida reclamam da Citrovita (Valor Econômico)
Dreyfus prestes a incorporar a Santelisa (Valor Econômico)
El Niño pode voltar e afetar preços de commodities (Valor Econômico)
Franceses, mas cada vez mais brasileiros (Valor Econômico)
Pecuarista questiona Independência (Valor Econômico)
Renovada, a 'moratória da soja' agora vai até 2010 (Valor Econômico)
Artigo
A crise, o demonizado, a governabilidade (Valor Econômico)
Crise exige revisão da política industrial (O Estado de S. Paulo)
Dilema na Islândia: ajuda do FMI ou independência (O Estado de S. Paulo)
Garantias para os professores (Jornal do Brasil)
Injustiça e inveja (Jornal do Brasil)
O Brasil no século 21 (Jornal do Brasil)
Um outro olhar (Jornal do Brasil)
Universidade - finalidade contra formalidade (O Estado de S. Paulo)
Vamos proclamar a República? (O Estado de S. Paulo)
Brasil
6º Congresso Nacional da Força Sindical começa hoje em São Paulo (Jornal de Brasília)
Advogados pedem anulação de operação (Jornal do Brasil)
Barreira à indicação de Shannon (Valor Econômico)
Brasil ampliará acordo comercial com o Chile (Valor Econômico)
Conselho investiga versão do TJ-MG para atos secretos(Jornal do Brasil)
Curtas - Angra 2 para 27 dias (Valor Econômico)
Desgaste pode "matar" o Senado, diz Lula (Folha de S. Paulo)
Enfim, o remédio ao alcance de todos (Correio Braziliense)
Estados se mobilizam para preencher vagas de cursos(Jornal de Brasília)
Governo e empresas unidos pela Amazônia (Jornal do Brasil)
GRIPE FAZ SP ADIAR VOLTA AS AULAS, MAS O RIO NÃO(Jornal do Brasil)
Impasse com fretados vai parar na Justiça (Jornal do Brasil)
Não existe mais segredo de Justiça no Brasil, diz Tarso(Folha de S. Paulo)
Parceria dará a hospitais do país acesso a modelos de atendimento do Albert Einstein (Jornal de Brasília)
País pode crescer 4,5% em 2010, diz Paulo Bernardo(Valor Econômico)
PMDB ameaça atacar tucanos por medidas contra Sarney(Folha de S. Paulo)
Pré-sal desperta interesse de americanos (Valor Econômico)
SP adia volta às aulas por causa da gripe suína (Valor Econômico)
União compensará Estados do Norte por perda de ICMS na interligação elétrica (Valor Econômico)
Vítima de gripe suína esteve em Brasília (Correio Braziliense)
Cidades
GRIPE SUÍNA FAZ SP ADIAR VOLTA ÀS AULAS (Folha de S. Paulo)
Processo de matrícula da UnB começa nesta quarta-feira(Jornal de Brasília)
UnB vai adotar medidas preventivas contra gripe H1N1(Jornal de Brasília)
Vítima da gripe H1N1 ficou alojada com 160 estudantes em Brasília 29/07/2009 - 08:54:14 (Jornal de Brasília)
Colunas
A anatomia do conflito (Jornal do Brasil - Coisas da Política)
Ah, se não fossem as ações da Petrobras... (Valor Econômico - De Olho na Bolsa)
Conexão pequi (Folha de S. Paulo - Painel)
Dilma sacrificada (Correio Braziliense - Ari Cunha - Visto, Lido e Ouvido)
Dinheiro contado (Correio Braziliense - Brasil S.A)
Dúvidas sobre EUA retraem investidores (Valor Econômico- Por dentro do mercado)
Funções para servidores de carreira (Jornal de Brasília - Ponto do Servidor)
Gladiadores de Dilma (Correio Braziliense - Brasília-DF)
Governo quer tornar os Correios SA fechada (Valor Econômico - Brasil)
Hora de ter mais ambição (Folha de S. Paulo - Clóvis Rossi)
Lula e o PMDB (Correio Braziliense)
Novo distrital no ninho tucano (Jornal de Brasília - Do Alto da Torre)
O aloprado Delúbio ronda o Alvorada (Jornal de Brasília)
O crepúsculo do campeão? (Correio Braziliense - Nas Entrelinhas)
O futuro mais além do varejo (Valor Econômico)
O olho do juiz (O Estado de S. Paulo - Dora Kramer)
Os curingas do Palácio (Valor Econômico - Política)
Quem fica com a chave do gabinete (Jornal do Brasil - Informe JB)
É mesmo preciso mudar? (O Estado de S. Paulo - Celso Ming)
Economia
"Ladainha" tira ministro do sério (Jornal de Brasília)
A estrela do crédito (Correio Braziliense)
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Bancos abocanham depósitos no exterior (Valor Econômico)
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Calote sobe para 5,7% do total dos empréstimos (O Estado de S. Paulo)
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China reduz preços de combustíveis (O Estado de S. Paulo)
Com reajuste, gasto com Bolsa Família deve crescer R$ 1,19 bilhão por ano (O Globo)
Contas do governo têm o pior resultado sob Lula (Folha de S. Paulo)
Contas do governo: pior resultado da Era Lula (O Globo)
Corte de gastos é ''ladainha'', diz Bernardo (O Estado de S. Paulo)
Corte nos spreads reduz taxas (Valor Econômico)
Crédito cresce 19,7% em 12 meses e empresas já se beneficiam de reação (O Estado de S. Paulo)
Dólar comercial fecha em alta de 0,37% no mercado brasileiro (Jornal de Brasília)
Enquanto isso, no mundo do PAC... (O Globo)
Exportação de embreagens será reduzida em 26% (O Estado de S. Paulo)
Ganho com fortes emoções (Valor Econômico)
Governo ainda não vê fuga de dinheiro para a poupança(O Estado de S. Paulo)
Inadimplência de empresas volta a crescer (Valor Econômico)
IPO do Santander pode sair até setembro, diz ''FT'' (O Estado de S. Paulo)
Juro baixo pode elevar preço do seguro (Valor Econômico)
Lula diz que economistas devem fazer um ''mea-culpa''(O Estado de S. Paulo)
Lula libera reforço de R$ 25 bilhões à Petrobrás amanhã(O Estado de S. Paulo)
Lupi elege novo presidente do Codefat e cria problemas(Correio Braziliense)
Ministro do deixa isso pra lá (Jornal de Brasília)
Ministério aguarda (Jornal de Brasília)
Ministério processa Claro e Oi por mau atendimento(Jornal do Brasil)
Novas concessões subiram 3,6%, diz BC (Jornal do Brasil)
Operações do BNDES ajudam a puxar o crédito (Valor Econômico)
PAPEL DA PETROBRAS NO PRÉ-SAL TEM AVAL DE LULA(Valor Econômico)
Para FMI, ainda há margem para investir (O Estado de S. Paulo)
Para geólogos, índice de sucesso do pré-sal deve cair para até 30% (O Estado de S. Paulo)
PDVSA e Petrobrás voltam a negociar (O Estado de S. Paulo)
Petrobras e BNDES assinam contrato de financiamento de R$ 25 bilhões 28/07/2009 - 21:51:18 (Jornal de Brasília)
Petrobras: taxa de sucesso na região do pré-sal da bacia de Santos é de 100% (Jornal de Brasília)
PIB crescerá até 2% no trimestre (Correio Braziliense)
Presidentes adiam aposentadoria por falta de sucessores(Valor Econômico)
Redução de estoques acelera produção de aço (Jornal do Brasil)
Repsol acha mais petróleo em poço na Bacia de Santos(Jornal do Brasil)
Requião exige R$ 744 milhões da Sanepar (Valor Econômico)
Sem reajustar tarifa, Copel terá impacto de 10% no lucro(Valor Econômico)
Setor automotivo eliminou 47,4 mil vagas na crise (O Estado de S. Paulo)
Setor emprega menos que antes da privatização (Jornal do Brasil)
Superávit primário cai ao nível de 2001 (Jornal do Brasil)
Superávit primário do governo central tem redução de 70% no 1º semestre (Valor Econômico)
Superávit primário encolhe 70% no primeiro semestre (O Estado de S. Paulo)
Uma “multa” que vale a pena (Correio Braziliense)
União quer R$ 300 milhões de indenização de Claro e Oi(O Estado de S. Paulo)
Editorial
A aliança estratégica do G-2 (O Estado de S. Paulo)
Boa oportunidade (Folha de S. Paulo)
Começo confuso (Folha de S. Paulo)
Crédito às empresas ainda insuficiente (O Estado de S. Paulo)
O PAC, cada vez mais caro (O Estado de S. Paulo)
Risco 2010 (O Globo)
Só mudar a lei não resolve (O Estado de S. Paulo)
Tecnologia no combate ao crime (Jornal do Brasil)
Um patrimonialismo amplo, geral e irrestrito (Valor Econômico)
Uso político (O Globo)
Empresa e Tecnologia
Acesso móvel à internet ganha fôlego (Valor Econômico)
Anatel ainda tem dúvidas sobre liberação do Speedy(Valor Econômico)
Buritirama planeja fazer metalurgia em Marabá (Valor Econômico)
Governo e empresas renovam moratória para soja plantada em área de desmatamento (Jornal de Brasília)
Governo e empresas renovam moratória para soja plantada em área de desmatamento 28/07/2009 - 16:48:55 (Jornal de Brasília)
Grupos logísticos assumem os canaviais (Valor Econômico)
Ministério da Justiça pede punição a teles por mau atendimento (Valor Econômico)
Para ANS, gripe suína afeta pouco planos (Valor Econômico)
Regulação amplia práticas de responsabilidade social(Valor Econômico)
TAM avalia disputar gestão de aeroportos (Valor Econômico)
Telefônica faz campanha para destacar melhorias (Valor Econômico)
Venda da Eleb cresce no ano com Embraer e exportações(Valor Econômico)
Especial
Eleição do próximo presidente provoca crise no Codefat(Valor Econômico)
Geral
Suspensas obras de trem entre capital e Cumbica (O Estado de S. Paulo)
Internacional
Argentina prepara ofensiva para atrair turistas brasileiros(Valor Econômico)
Assaltante do trem pagador luta pela vida (Correio Braziliense)
Chávez congela importações da Colômbia e retira embaixador (Valor Econômico)
Intriga na fronteira (Correio Braziliense)
Irlanda receberá 2 detidos de Guantánamo (Jornal de Brasília)
Meningite mata 2 presos de manifestações contra resultados de eleições no Irã 29/07/2009 - 09:20:24(Jornal de Brasília)
No Brasil, Uruguai ficou marcado por escândalo (Valor Econômico)
OMS teme surto de gripe na Copa (Valor Econômico)
Secretário dos EUA trata com autoridades do Curdistão relação com Bagdá 29/07/2009 - 09:14:46 (Jornal de Brasília)
Uruguai atrai capital argentino em fuga (Valor Econômico)
Vizinhos pressionam Montevidéu sobre sigilo (Valor Econômico)
Opinião
A busca dos juros de equilíbrio (Correio Braziliense)
Fim aos juros excessivos dos cartões (Correio Braziliense)
Soy loco por tí, América (Correio Braziliense)
Política
"Senado tem que ter maioridade", diz Lula (Valor Econômico)
''Desgaste mata as pessoas'', diz Lula (O Estado de S. Paulo)
''Papel do governo é o de uma mãe'', discursa Lula, em defesa do aumento (O Estado de S. Paulo)
Afagos em Mercadante (Correio Braziliense)
Apostas em baixa (Correio Braziliense)
As ações contra Sarney no Conselho (O Globo)
Aécio Neves defende reforma profunda na gestão do Senado (Jornal de Brasília)
Candidato de Lupi vence e provoca racha no Codefat (O Estado de S. Paulo)
Caso Sarney vira guerra de representações (O Globo)
Ciro na cabeça, mas sem pressa (Correio Braziliense)
CNJ vai investigar atos secretos do tribunal de Minas (O Estado de S. Paulo)
Comitê aprova novo embaixador dos EUA no Brasil (O Globo)
Como Quércia quer voltar ao primeiro time (Valor Econômico)
DESRESPEITO A CLIENTES DÁ MEGAPUNIÇÃO A TELEFÔNICAS (O Globo)
Destino de Ciro será selado entre Lula e Eduardo Campos(Valor Econômico)
DESVIO FAZ MP INTERVIR NA FUNDAÇÃO SARNEY (O Estado de S. Paulo)
Deu no www.correiobraziliense.com.br (Correio Braziliense)
Duque emprega fantasma no Conselho de Ética (O Globo)
Em guerra com PMDB, PSDB vai ao conselho (O Estado de S. Paulo)
Empresário negociou passagens com deputados (O Globo)
Gabinete emprega filha de auxiliar como ''fantasma'' (O Estado de S. Paulo)
Governo reúne munição para contra-ataque em CPI(Jornal do Brasil)
Governo tenta evitar crise com petistas (O Globo)
Lula diz que é preciso evitar desgaste do Senado (Jornal de Brasília)
Lula pede pressa ao Senado na solução da crise (O Globo)
MINISTÉRIO DA PEIXADA (Correio Braziliense)
Novo PAC em ano eleitoral (Correio Braziliense)
O chefe do bunker da contrainformação (Correio Braziliense)
O pai patrão do PT (O Globo)
Ofensiva tripla contra Sarney (Jornal do Brasil)
Para Berzoini, nota de Mercadante é infantil (Valor Econômico)
Partido aposta em PAC e movimentos sociais para fortalecer Dilma em SP (O Estado de S. Paulo)
Polícia do Senado quer 60 dias para achar Agaciel (O Estado de S. Paulo)
Porta-aviões São Paulo volta à ativa após 4 anos em reforma (O Estado de S. Paulo)
Presidente do PSDB diz que não aceita retaliação de Renan por ter representado contra Sarney (Jornal de Brasília)
PSDB denuncia Sarney, e PMDB ameaça retaliar (O Globo)
PT inclui Ciro em pesquisa (O Estado de S. Paulo)
PT levará Dilma para vistoriar obras em SP (O Globo)
R$ 500 mi irão para as rodovias do Estado (O Estado de S. Paulo)
Reajuste de 10% no Bolsa Família (Correio Braziliense)
Sarney com fonte na PF (Correio Braziliense)
Sarney dá sinais ao Planalto de que pode deixar o cargo(O Estado de S. Paulo)
Senador sinaliza ao Planalto que pode sair (O Estado de S. Paulo)
Sob ameaça do PMDB, tucanos protocolam três representações (Valor Econômico)
Sobram vagas nos estados (O Globo)
Tarso diz que fica no governo até dezembro (O Globo)
Tarso nega que PF tenha vazado conversas da família Sarney (Jornal de Brasília)
Tarso: segredo de Justiça "praticamente" terminou (Jornal do Brasil)
Viagem de mulher de Cid só foi autorizada depois (O Globo)